Blogagem Coletiva: Consumo, Infância e Sexismo

Hoje as Blogueiras Feministas convidam você a participar de uma Blogagem Coletiva sobre as relações entre consumo, infância e sexismo. Não perca!

A contemporaneidade tem-se caracterizado pelas relações de produção e de consumo permeando as interações sociais. Temos acompanhado mudanças nas relações estabelecidas entre adultos e crianças, bem como o surgimento de uma nova produção da subjetividade em função da organização do cotidiano pela mídia e o modo como a experiência das crianças, dos jovens e dos adultos vem se transformando na sociedade de consumo. Portanto, crianças, adolescentes e adultos alteram suas relações intersubjetivas a partir das influências que a mídia e a cultura do consumo exercem sobre todos nós.

Para Postman (1999), não só a idéia de infância está em declínio. Paralelamente a esse processo, há também o adulto infantilizado que se alimenta de junkfood, que tem dificuldade em assumir sua prole e familiares idosos, apresentando pouco compromisso com a educação dos filhos. Os limites que separam crianças e adultos estão desaparecendo, pois as diferenças entre essas duas categorias não são enfatizadas.

Sarlo (1997) sinaliza que a infância é uma experiência que praticamente desapareceu, pois se encontra espremida por uma adolescência bastante precoce e uma juventude que se prolonga até os 30 anos. Pelo menos um terço da vida recebe o rótulo de juventude! Alguns autores buscam uma explicação para esse fato a partir das transformações radicais que vêm sendo operadas no cotidiano pela circulação das informações e o acesso crescente às novas formas de tecnologia em permanente expansão.

A mídia invade nosso cotidiano. A criança e o adolescente de hoje não conheceram o mundo de outra maneira – nasceram imersas no mundo com telefone, fax, computadores, televisão, etc. TVs ligadas a maior parte do tempo, assistidas por qualquer faixa etária, acabam por assumir um papel significativo na construção de valores culturais. A cultura do consumo molda o campo social, construindo, desde muito cedo, a experiência da criança e do adolescente que vai se consolidando em atitudes centradas no consumo.

Nos dias de hoje, há cada vez mais a preponderância dos processos de consumo, fazendo com que os sujeitos sejam levados a identificar-se com coisas e objetos que os levam a diferenciar-se dos demais, como também a discriminar e hierarquizar grupos sociais. Baudrillard (1995) esclarece que não é o consumo que se organiza em torno das diferenças individuais, mas, sim, estas, assumindo a forma de personalização, é que se organizam em torno de modelos comunicados pelo sistema de consumo. Para esse autor, existe inicialmente a lógica da diferenciação social e, depois, a manifestação organizada das diferenças individuais. Com isso, o sistema promove a anulação das diferenças “reais” e transforma as pessoas em seres contraditórios através da produção industrial da diferença. Em suma, o que prepondera é a ilusão de que podemos realizar escolhas autênticas, pois, de fato, todas as escolhas já estão previstas pelo sistema. O processo de construção da identidade na cultura de consumo apresenta-se como cambiante, fluido, fragmentado e parcial. Objetos e mercadorias são usados para demarcar as relações sociais e determinam estilos de vida, posição social, além da maneira de as pessoas interagirem socialmente. “Isto faz com que tais mecanismos culturais tenham o papel de estipular a natureza da experiência emocional e social que regerá o contexto entre os diversos grupos sociais” (Rabello de Castro, 1995: p.222).

Canclini (1997) mostra-nos como a maneira de consumir acabou por alterar as possibilidades e as formas de exercer cidadania. As identidades contemporâneas se configuram no consumo, dependendo daquilo que se possui ou do que se pode vir a consumir. Há um descontentamento com o que se tem, próprio do mundo globalizado, que “supõe uma interação funcional de atividades econômicas e culturais dispersas, bens e serviços gerados por um sistema com muitos centros, no qual é mais importante a velocidade com que se percorre o mundo do que as posições geográficas a partir das quais se está agindo” (p. 17). Esse descontentamento provém da fugacidade, da obsolescência. Tudo se torna obsoleto a todo instante.

Continue lendo em Mídia, cultura do consumo e constituição da subjetividade na infância. Artigo de Cristiana Caldas Guimarães de Campos e Solange Jobim e Souza da Faculdade de Educação da UERJ.

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.