O Karma do Aborto

Não está sendo fácil ser uma defensora da descriminalização e da legalização do aborto no Brasil. Não basta ter bancadas conservadoras no Congresso querendo usurpar direitos das mulheres, é preciso que o debate sobre aborto seja o mais raso possível. O karma do aborto é que as pessoas que são contra a legalização tem os piores argumentos possíveis, então não há nem como discutir quando a pessoa usa como argumento ovo de tartaruga ou o karma do planeta. Trouxe vários exemplos para vocês do que apareceu ontem na timeline. Várias vezes pensei: senta e chora porque #tápuxado.

1. As analogias e comparações absurdas que surgem para transformar o aborto na coisa mais horrenda que uma pessoa pode fazer. Não me pergunte o que tem a ver matar o síndico e nem depredar escola com a discussão de direitos reprodutivos.

2. A analogia de que aborto = assassinato. Aborto é interrupção da gravidez, dentro de um período pré-determinado. O feto não vive fora da barriga da mulher. A mulher que aborta não é processada por homicídio, ela é processada por aborto. São crimes diferentes, ok? E uma das nossas bandeiras é a descriminalização do aborto, porque só a mulher pobre vai presa nesse país. Além de que, uma mulher não é mãe simplesmente por estar grávida, ela deve ter o direito de escolher ser mãe. Fora que muitas mulheres correm risco de vida ao se expor a abortos inseguros, mas parece que a vida de um feto é mais importante que a vida de uma mulher adulta. Vale a pena ler o texto da Amanda: E o desejo de ser mãe, como fica?

3. Soluções para resolver o problema da gravidez indesejada. Todas as soluções são muito simples: camisinha, laqueadura, celibato. Métodos contraceptivos não são 100% infalíveis. Laqueadura no Brasil só é permitida se a mulher tiver mais de 25 anos e 2 filhos. Celibato significa que a mulher não pode fazer sexo por prazer. E todos esses gênios das soluções parecem não entender uma coisa, somos seres humanos falíveis. Podemos sim nos expor a uma gravidez indesejada. Por que ter uma criança deve ser uma penalidade por isso? Como disse a Niara no texto Aborto legal, livre e gratuito já!: Se no momento da concepção a sociedade está preocupadíssima com a vida do feto, lava suas mãos depois que esse feto nasce e ganha uma cor, uma raça e uma classe. Pró-vida de quem, então, moralistas?

 4. A conjugação do futuro do pretérito com a frase: “acho muito bonito você que nasceu ser a favor do aborto”. Os fetos abortados nesse momento estão na lan house do Nosso Lar escrevendo essas mensagens. É preciso entender que não há vida em potencial, não há o Joãozinho que não nasceu. Há um feto na barriga de uma mulher que não quer esse filho. Ela não quer passar 9 meses grávida para entregá-lo a doação. Por que ela não pode ter direito de decidir sobre seu corpo? Muitas mulheres que fazem abortos já tem filhos, sabem o que é ser mãe, mas não querem outro filho naquele momento. Há a vida de diversas mulheres envolvidas e parece que a sociedade ainda não decidiu se quer salvá-las. Entre diversas histórias há uma que envolve religião e acolhimento, contada pela Iara no texto Crônica.

5. O Brasil não pode ter o aborto legalizado porque:

6. Não me importo com as mulheres que morrem, o que interessa é o pobre feto indefeso que nem nasceu. 20 milhões de abortos são praticados anualmente no mundo. Desses, 97% são feitos em países pobres que criminalizam a prática. 6 milhões de abortos ocorrem todos os anos na América Latina. 1,4 milhão é praticado no Brasil. 1 em cada 7 mulheres brasileiras já fez um aborto. A prática de abortos inseguros e clandestinos no Brasil correspondem a 240.000 mil internações anuais; 25 % dos casos de esterilidade; 9 % dos óbitos maternos e a terceira causa de morte materna no país. Leia mais dados no texto Pra cadeia ou para o hospital? Para muitas pessoas hipocrisia não é fingir que o aborto não existe, é defender ovo de tartaruga e ser a favor do aborto. É com esse tipo de argumento que temos que lidar.

Como disse Isabela Ianelli num comentário no Blogueiras Feministas: O que me entristece MUITO são as mulheres que se mostram ainda mais machistas que estes homens. Que colocam o sexo como impuro. Que nem ao menos consideram o risco de acidente “se fez, sabia que podia acontecer”. Que asseguram a benção da maternidade, que se dizem a favor de uma vida. Porém, em detrimento da outra. Que argumentam dizendo que isto é coisa de mulher que acha mais fácil “abortar do que andar com camisinha na bolsa”. Antes fosse simples assim. Antes fosse uma questão que excluísse classe social… Uma boa notícia foi a participação e o apoio de vários homens na campanha #legalizaoaborto.

Ontem também descobri que não somos poucas pessoas a favor da legalização do aborto. A Blogagem Coletiva das Blogueiras Feministas foi um sucesso, não deixe de conferir os posts participantes. E lembre-se: ser contra o aborto é decidir por você. Ser contra a legalização do aborto é decidir por todas.

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

31 comentários sobre “O Karma do Aborto”

  1. eu fui ver os comentários que estavam rolando na tag e nossa, tinham uns (estilo esses que vc postou) que me deram uma raiva, uma revolta…de quanta gente ignorante existe…nossa!
    acham que a mulher lá, com 8 meses de gravidez, vai chegar na clínica e fazer um aborto. ai já querem enviar vídeo com braço de bebê sendo sugado e coisas do tipo.
    tem todo um tempo de formação para que um “monte de dna” seja de fato um bebê.
    e essa coisa de ‘fecha as pernas’ é TÃO ridícula. é bem aquilo de ‘sexo após o casamento e com prioridade de formar família’.
    se hoje, uma mulher faz um aborto, ela corre o risco de ir para cadeia…e como foi dito no twitter mesmo: e o homem? pq nãpo foi feito somente por uma pessoa…pq só a mulher que recebe a responsabilidade de correr o risco de vida e ainda ser presa?!
    é ridículo que o Brasil ainda não tenha legalizado o aborto.
    abortar ou não deveria ser um critério do indivíduo.

  2. Os argumentos dos contra aborto são fracos, e os de vcs são ótimos né?

    “A analogia de que aborto = assassinato. Aborto é interrupção da gravidez, dentro de um período pré-determinado.”
    Que período é esse? Você consegue definir um precisamente? E “interrupção da gravidez” é só um jogo de palavras pra tornar mais bonitinho o aborto

    “É preciso entender que não há vida em potencial, não há o Joãozinho que não nasceu.”
    Quem te disse isso? Você tem embasamento científico pra tal afirmação? Até hoje não há consenso com relação a isso, portanto qualquer atitude tomada em cima desse argumento é precipitada.

    “Não me importo com as mulheres que morrem, o que interessa é o pobre feto indefeso que nem nasceu.”
    As mulheres que morrem, morrem porque querem. Ninguém obriga elas a fazerem aborto clandestino. Você mesma disse, 97% dos abortos são feitos nos países onde é criminalizado. Por coincidência esses países estão na América Latina e na África. Será que a maior parte dos abortos nessas regiões é realmente em virtude da criminalização? Ou será que é por causa da falta de informação e educação da população em geral? Você acha que descriminalizar vai como num passe de mágica fazer as pessoas abortarem menos? O povo brasileiro não tem estrutura pra legalizar coisas como o aborto e a maconha, que levantam questões morais, porque é um povo burro, que acha que é esperto, que gosta de ser malandro. A primeira coisa que vai acontecer é aumentar o número de ocorrências, porque grande parte das garotas que gostam de liberar geral vão aproveitar pra fazer o que bem entenderem. Ou você acha que elas vão continuar usando o anticoncepcional que engorda e a camisinha que incomoda? E a gente sabe o porquê de muitas não quererem ser mães. Em muitos casos não é por falta de condição, é simplesmente uma questão de vaidade e de querer continuar dando pra todo mundo.

  3. Bia, tive mais sorte q vc. felizmente, foram poucos os próvida (sabe-se lá de quem) que me questionaram “e se sua mãe tivesse te matado?”. Parabéns, pelo post. Tb fiquei mto feliz d ver tanta gente se colocando favorável a legalização do aborto.

  4. Comentarista Marcelo,
    vou me ater somente a dois dos pontos que você disse, porque demonstra a principal questão no nosso debate de propor a legalização do aborto.
    Você diz que “As mulheres que morrem, morrem porque querem. Ninguém obriga elas a fazerem aborto clandestino.”
    Na verdade, obrigam, sim.
    Obrigam, porque a ausência do debate sobre os temas de contracepção e formas de prevenção de doenças já começa na escola, na adolescência, onde grande parte de ativista “pró-vida” já impede uma educação sexual decente, afirmando que a discussão “estimula” a sexualização.
    Obrigam, sim, mulheres POBRES a fazerem abortos clandestinos em locais inseguros, sem apoio, sem assepsia, sem aconselhamento, correndo riscos, porque a maioria de nós, que tem acesso à internet e à informação através de redes sociais e blogs, temos condições de comprar, para nós ou para as respectivas companheiras, se for o caso de um homem consciente de que a gravidez NÃO é uma consequência da atitude exclusiva da MULHER, comprimidos de Misoprostol, o qual tem sido usado inclusive em países onde o aborto é legalizado, como o método abortivo mais seguro.
    A negação da discussão da descriminalização e da legalização acarreta consequências também na educação sexual, na discussão de métodos contraceptivos, e na questão da adoção, que por mais estimulada que seja, ainda tem restrições de aspirantes a “papais e mamães” sim, tão bonzinhos que só querem bebês recém nascidos, brancos e de preferência, meninas.

    Já o segundo ponto é, de acordo com a sua fala, que cito “Em muitos casos não é por falta de condição, é simplesmente uma questão de vaidade e de querer continuar dando pra todo mundo.”
    Sim, o debate não flui porque na cabeça de muitos homens, legalizar o aborto faria com que as mulheres tivessem domínio sobre o próprio corpo. E é por isso que até hoje, mulheres, mesmo adultas, que andam com CAMISINHA na bolsa, são chamadas de vadias, putas, e outros.
    Essa contradição me cansa, mas os moralistas de plantão não conseguem perceber? Se anda com camisinha = puta.
    Se não anda, e transa sem camisinha, e engravida = puta.
    A verdade é que o debate sobre o aborto, a contracepção e a adoção passam por um debate do papel da MULHER na sociedade, mulher SUJEITO de DIREITOS, não OBJETO.
    E isso, muitos (e infelizmente, algumas) não conseguem aceitar.
    Machismo e misoginia não é só bater na mulher, agredir fisicamente. É acreditar que uma mulher sem escolha, que engravidou e não pode ou não quer levar adiante a gravidez, merece morrer.
    Tanta agilidade para julgar e condenar, sem exercitar a empatia, me assusta.
    Sinceramente.
    Se você se afastasse de sua postura de dono da verdade, e ouvisse as histórias, poderia se surpreender ao descobrir que pessoas perto de você já tiveram a infelicidade de passar por um abortamento voluntário. Mas imagino que nenhuma delas compartilharia uma experiência dolorosa com uma pessoa tão certa das SUAS verdades.

  5. Eu ia me manter fora desta discussão, mas enfim, vou me divertir com o tal marcelo que apareceu aqui pra provar o quanto ele é inteligente e genial e que todo mundo deveria ouvir seus lugares-comuns classemedianos travestidos de inteligência.

    Querem um exemplo? Quando ele baba “O povo brasileiro não tem estrutura pra legalizar coisas como o aborto e a maconha, que levantam questões morais, porque é um povo burro, que acha que é esperto, que gosta de ser malandro.”.

    Primeiro, porque dizer que o povo brasileiro gosta de ser malandro é o típico discurso da elite brasileira desde a escravidão, que ODEIA que nasceu no Brasil e queria ser francesa, inglesa ou americana mas só consegue espalhar jequice pelo mundo. Discurso que só serve pra esconder que os “malandros” são gente como o marcelo, já que no Brasil “o povo, enquanto povo, é melhor que a elite enquanto elite” (facilmente provável, basta ver números, digamos, de porcentagem de calote) mas que não são “burros” já que podem, digamos, subornar o guarda e escapar de uma multa de trânsito.

    Segundo, por falar que não o povo não tem “estrutura”. Típico discursinho cujo corolário é “vamos dar educação para o povo e aí sim vamos discutir”. Que devemos traduzir como “sou um cagão e não quero resolver nada, quando eu estiver morto alguém se vira pra resolver”.

  6. Difícil saber se dou os parabéns pelo ótimo texto, ou um sinto muito por ter aguentado toda essa má fé na argumentação. Gostei muito do texto e tenho orgulho de fazer parte desse grupo e ter visto o sucesso da blogagem.

  7. Muito triste quando as crenças e filosofias servem como desculpa para tirar o direito da mulher sobre seu corpo. Mas é ainda mais triste ver que isso só acontece porque vivemos numa das sociedades mais machistas do planeta. Se for dado à mulher a autonomia sobre seu corpo e sua vida, corre-se o risco dela passar a pensar em si mesma como ser humano!! Isso é um absurdo para a grande maioria das pessoas do nosso país, inclusive para as mulheres que, infelizmente, são imensamente machistas sem nem saber.

    Do ponto de vista religioso, é de partir o coração que o feto ganhe mais compaixão do que a mulher que o carrega. A compaixão deve ser dirigida a todos, a todas. As mulheres precisam de cuidados, não de julgamentos.

    Muita luz a cada uma das mulheres que optam por esse caminho… Que elas retornem dele com vida.

  8. É a velha história, né Bia, eles querem que nasçam, depois não ligam a mínima para eles. Desde que a “vida” seja preservada, vida esta de um feto, a mulher que se dane, que morra e que seja julgada.

    Um cara no Twitter chamou mulher que faz aborto de puta e vagabunda e eu disse a ele que mente estreita que ele tinha. Ele rebateu dizendo que existiam todos os outros métodos para engravidar e que a mulher tinha que ter direito sobre seu corpo ao evitar a gravidez, mas depois que ele acontecesse não… Ou seja, ele não tem a menor ideia do que está falando. É só mais um que sequer parou para pensar.

    Tive debates sobre o aborto com meus alunos numa 8ª série uns anos atrás que argumentaram muito bem e entenderam a proposta. Por que os outros têm tanta dificuldade em pensar?

    Abraço!

  9. Sou contra o aborto devido ao fato de que o casal ao praticar o ato sexual esta ciente do que pode acontecer, sendo que os mesmo são responsáveis pela criatura concebida. Pra mim o aborto é um ato de covardia (exceto em casos extremos como estupro). Não quer filho? Previna-se. A criança não tem culpa dos atos dos pais, e fecundou o óvulo já há uma vida humana em formação, e matar essa “criatura” pra mim é o mesmo que matar uma “pessoa”.

  10. Bia, uma história apenas para mostrar outro ponto interessante sobre o aborto como crime. Quando eu estava na faculdade de Direito fiz um trabalho em grupo sobre o aborto e um mecanismo legal chamado “princípio de eficácia”. De forma simplificada, as motivações da conduta lícita não são simplesmente o medo das sanções legais ou mesmo a crença na força de obrigatoriedade das regras jurídicas. O que observamos no nosso trabalho, para o qual entrevistamos mais de 100 mulheres, é que nenhuma – da nossa amostragem – disse que não faria aborto por ser ilegal. As que não o fariam citaram outros motivos que não o medo da punição legal. O aborto é assunto de natureza tão pessoal que é ineficaz, na minha opinião, haver uma lei que puna quem o pratica. Os motivos de ser a favor ou contra o aborto são de CUNHO PESSOAL. E cada um com a sua consciência. E com seus motivos – religiosos, éticos, emocionais. Mas não legais que tutelem toda a sociedade. Beijos!

  11. Cesar Cardoso, não sei nem se vale a pena comentar o que você disse, pois você partiu de uma série de premissas que você assumiu só pra dar base à sua argumentação. Meu amigo, eu to longe da elite e mais longe ainda de querer morar fora do país. Mas a verdade é uma só: a população brasileira, de forma geral, é uma população burra e alienada. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência consegue perceber isso, se você não consegue, sinto muito. O povo não é melhor que a elite, análise absurdamente superficial a sua. Dá dinheiro e poder pra qualquer um do “povo” (inclusive você) e eu te garanto que há uma probabilidade de uns 95% dessa pessoa se corromper. E pela sua verborragia dá pra ver que você é um daqueles revoltadinhos com a camisa do Che que gosta muito de teorizar, mas na prática mesmo não serve pra nada, só faz barulho.

    Quanto ao comentário da Renata Lima, que é educada: concordo com você em partes, Renata. Sou a favor da discussão da sexualidade e das formas de contracepção em escolas, mas veja bem, aborto NÃO É forma de contracepção… ainda. Mas vai acabar sendo se isso for legalizado. Justamente a pessoa POBRE, que não tem instrução, não vai parar pra pensar que ela precisa continuar se protegendo. Vai achar que é mais fácil abortar. E aí teremos mais uma coisa pro governo custear. Além de se preocupar com a saúde das pessoas que PRECISAM de cuidados, vai ter que se preocupar também com aquelas que simplesmente QUEREM ter o luxo de tirar um filho. Camisinha é distribuída de graça pelo SUS, não justifica.

    E a questão da camisinha, o problema não é ela andar com camisinha na bolsa. O problema são as que andam com camisinha na bolsa pra transar com o carinha que ela conheceu na noite. Isso pra mim é puta. E não é porque é mulher, se você tá pensando que eu sou machista. Homem pra mim que vai pra night e leva mulher pro motel pra mim é igualmente babaca e puto. Ninguém tem nada a ver com a vida de ninguém, se a pessoa quer viver em busca de sacanagem, é um problema dela. Mas não me venha pedir para custear os resultados dessa busca depois. Eu não quero que meu dinheiro pago em impostos seja revertido para dar apoio a pessoas que fizeram todo tipo de merda no carnaval sem medir as consequências.

    E a mulher que engravidou e não quer levar adiante a gravidez não merece morrer. Afinal, se ela praticar o aborto clandestinamente e tiver algum problema de saúde em decorrência disso, ela ainda vai receber cuidados médicos (mais uma vez dando despesa ao governo). Legalizar o aborto não vai reduzir esses gastos e ainda vai estimular o aborto. Você pode até dizer que não, mas me desculpe, eu não tenho essa fé que você tem no bom senso das pessoas.

    Renata, pessoas perto de mim podem ter feito isso. Eu as ouviria e as daria suporte se preciso, mas em nenhum momento concordaria. Uma coisa é aceitar uma atitude, outra coisa é concordar. E assim como existem relatos de pessoas que abortaram, existe também uma série de relatos de pessoas que se arrependeram de ter abortado. Relatos não provam nada. Além do fato de que o aborto (mesmo quando feito com todos os devidos cuidados médicos) aumenta o risco de a mulher não poder ter filhos no futuro.

    Mas essa é a minha OPINIÃO, não quis impor em nenhum momento como MINHA VERDADE. Desculpa se o tom fez parecer isso.

  12. Marcelo, deixa eu te situar: mulheres que não concordam com você abortam. Sim. Por mais que exista uma lei, nem todo mundo vai cumprir a lei, tem gente que vai pensar diferente e agir diferente. Elas têm lá seus motivos para abortar – motivos esses que você não tem interesse nenhum em saber, pois que seja. Com ou sem lei, elas vão abortar – e esse é um fato, um dado da realidade que seu pensamento, por mais cristão e coerente que seja, não vai mudar. As mulheres ricas abortam de forma segura – para elas a criminalização do aborto tem efeito praticamente nulo. Se quiserem podem até viajar para países ricos onde isso é permitido e abortarem, e quem vai punir? As pobres que querem abortar são as que mais correm risco de ter complicações, ficarem estéreis e morrerem nos hospitais. As mulheres pobres são as principais vítimas do aborto ser considerado crime. Na prática é uma pena de morte para quem ousar pensar diferente e agir diferente. É por isso que o Dr. Drauzio Varella coloca o tema como de saúde pública, porque o número de mulheres que morrem por complicações de aborto é assustadoramente alto. Então eu gostaria de saber se você é a favor da pena de morte para mulheres que abortam, se você se sente confortável com esse dado, com essa punição. Se você responder SIM, eu vou parar de argumentar porque de fato, com você, não há mais nada para ser conversado. Abraços

  13. Pra começar, marcelo, vou agradecer às suas simpáticas palavras comigo, avisar que não tenho nenhuma camisa de Ernesto Che Guevara (preferi gastar o dinheiro comprando camisetas pró-aborto, são mais chocantes no Brasil atual e, portanto, mais eficientes no item ‘confrontar as pessoas’) e dar-lhe mais dois motivos pra continuar me apreciando:

    1) Tinha minhas dúvidas, mas agora tenho certeza, da sua verborragia. Uma das três ou quatro coisas que a vida me ensinou é: todo verborrágico é um engambelador. Ponto.

    2) Termina dizendo que “é sua opinião e não a verdade”. Típico caso de defesa de alguém que tentou, ahn, “defecar regra” e não conseguiu. Acontece toda hora nessa internet-de-meu-deus.

    Mas não satisfeito, marcelo, ainda volto em dois pontos…

    “Mas a verdade é uma só: a população brasileira, de forma geral, é uma população burra e alienada.”

    Obrigado por reforçar todas as impressões que eu tinha sobre seu discurso, e transformá-las em certeza.
    O iluminado decretou que o populacho não está à altura da sua “capacidade intelectual” e, portanto, as mulheres que não tem dinheiro para abortar continuarão sendo dizimadas até que, num momento mágico qualquer no futuro que nunca chegará, o iluminado dirá que todos chegaram à sua “capacidade intelectual”.

    “Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência consegue perceber isso, se você não consegue, sinto muito.”

    Que, para quem esqueceu da aula de Chavões de Discussão I, significa “COMO VOCÊ OUSA DISCORDAR DE ALGO QUE EU DIGO QUE É VERDADE E PRONTO?”.

  14. Não deveria perder meu tempo respondendo quem chama mulher que anda com camisinha na bolsa de puta, porque quem me ofende não merece diálogo.

    Maaaaas a puta aqui é inteligente e abusada. Seguinte, marcelo: ninguém QUER fazer aborto. Ninguém. Ninguém vai deixar de se prevenir porque o aborto é legalizado, porque abortar envolve sofrimento e algum risco. Mesmo se houver anestesia. É o nosso corpo, o nosso útero, as nossas dores, a nossa náusea, a nossa cólica, etc, etc. Ninguém acha mais ok fazer aborto do que usar camisinha – aliás, ninguém não, nenhuma mulher acharia, para os homens pode ser mesmo muito prático, já que não é o corpo deles. Não fale bobagens porque em nenhum país houve uma corrida desenfreada de mulheres querendo abortar quando o aborto foi legalizado, nem em outros países subdesenvolvidos.

    E sobre o custo, perdeu, playboy. Não é escolha sua. O SUS já gasta fortuna pra fazer curetagens. E gastaria se essas gestações fossem levadas adiante, com pré-natal e parto, e vacina, e creche, etc, etc e todos os serviços públicos que são providos aos demais cidadãos. Você vai ter que se conformar que o dinheiros dos seus impostos não é gasto só com o que você considera importante. Desculpa se não te avisaram, mas é assim que funciona numa democracia.

  15. “engambelador”, “populacho”, “Chavões de Discussão I”, cara quanta palavra bacana. Cesar Cardoso, por que você não vira colunista? Você tem futuro cara kkkk

    Bom, com você eu nem perco meu tempo mais, é tudo isso aí mesmo que você disse sobre mim, você está certíssimo. Chegou a conclusões sensacionais, vc é muito foda! Cara, me ensina a analisar profile de pessoas aleatórias assim na web? E pensar que eu q era o espertalhão das internets hein? Beijos

    Amanda, eu sei que abortam. E eu entendo o ponto de vista do Drauzio Varella, eu só acho que isso não é forma de resolver o problema. Pra mim, o argumento “muita gente faz” não justifica a legalização. Tem muita gente que pega doença injetando droga com agulhas contaminadas, gente que morre por causa do tráfico. Por que não legalizamos as drogas então? E não, eu não sou a favor da pena de morte. Quem deve ser culpado por essas mulheres morrerem são as pessoas que administram essas clínicas de aborto clandestinas, que não têm interesse nenhum no bem estar da mulher. O governo deve é combater esse tipo de coisa, assim como se combate, tráfico, contrabando, deve acabar com essas clínicas, porque elas vão continuar existindo mesmo com a legalização, oferecendo aborto a preços “mais acessíveis” pras mulheres pobres, que vão continuar morrendo do mesmo jeito.

    Iara, se você leu direitinho o meu comentário, verá que eu não disse que toda mulher que anda com camisinha na bolsa é puta. Leia com atenção, por favor. Você tem consciência de que a prevenção ainda é necessária. Mas será que as mulheres pobres têm? Elas que são o principal motivo da campanha. Eu acho que não, porque se tivessem não haveria tanta necessidade de aborto. E o custo para o SUS já é alto sim, mas são gastos usados pra manter a vida. E na minha opinião falar que não existe vida num grupo de células é querer fechar os olhos. O feto não cresce por mágica, se tem célula se dividindo, é porque tem vida. E o dinheiro dos impostos já é muito mal gasto, não quero mais uma coisa pra empregar mal meu dinheiro. Claro, se for legalizado o aborto, vou ter que aceitar isso. Mas enquanto eu puder votar contra, ótimo.

  16. Marcelo, você que é tao pro-vida, faz o que para ajudar esses bebês quando eles nascem?

    O fato é que estamos comparando maternidade, que é pra vida inteira, com pessoas que se drogam (ah, se é pra liberar o aborto, vamos liberar o assassinato e o trafico). A maternidade deve ser uma escolha, ter um filho nao faz de uma mulher uma mae. Se ela nao quis esse filho, tem grandes riscos dessa criança ser abandonada, nao receber o carinho e educaçao que precisa e virar mais uma trombadinha-drogada-favelada que vai engravidar aos 14 anos, pois nao teve uma educaçao para poder fazer diferente.

    Moro na França, e aqui o aborto é legalizado.Sabia que em um pais com “gente inteligente” como é aqui, 25% das mulheres em idade fertil ja passaram por um aborto? E sabia que nenhuma delas -nenhuma que eu conheço- fizeram por pensar “é mais facil abortar que usar camisinha”? Nao! Todas fizeram porque acidentes acontecem, e abortar nunca é uma decisao do tipo ir comprar pao. Abortar é uma coisa seria e as mulheres nao fazem aleatoriamente.

    Agora, falar que um aborto é um assassinato, me desculpa, mas esse argumento é taaaaaoooo batido que da preguiça de responder, mas vamos la: nao, um aborto nao é um assassinato, pois um assassinato é tirar a VIDA de alguém. E nem eu, nem você nem ninguém pode falar de maneira geral quando a vida começa, ja que isso é do dominio pessoal de cada um. LOGO se é do dominio pessoal, deve ficar na esfera pessoal, e nao sevir como argumento anti-aborto em um estado laico.

    E sendo o aborto uma coisa tao pessoal, que interessa somente a pessoa que aborta ( e nao como o assassinato, onde tem uma interaçao, ou como as drogas, onde as drogas financiam o crime…) eu acho o seguinte: se você é contra usar tenis amarelo com calça verde, nao use. Você é contra o casamento gay? Nao se case com alguém do mesmo sexo. Você é contra o aborto? Entao nao aborte. Simples assim. Mas deixe as pessoas poderem escolherem o que elas querem para elas.

  17. Marcelo,
    vc não me deixa opção exceto retornar e comentar trechos de sua resposta:

    “Além de se preocupar com a saúde das pessoas que PRECISAM de cuidados, vai ter que se preocupar também com aquelas que simplesmente QUEREM ter o luxo de tirar um filho”

    LUXO DE TIRAR UM FILHO. Incrível. Não consigo acreditar nos meus olhos, ao ler uma sentença dessas. Realmente, vc não conhece nenhuma mulher que tenha compartilhado a dor que é esse pretenso “luxo”. Todas as que conheci, sem exceção, passaram por dilemas intensos antes de tomar a decisão, e mesmo sendo mulheres que podiam arcar com o “luxo” de um procedimento seguro, ainda correram riscos de serem presas. O custo das curetagens, posteriores, e dos tratamentos de infecções, é muito maior que o procedimento realizado com segurança, por profissional de saúde, usando o Cytotec ou outro método. Mesmo que esse “luxo” se estenda à maioria da população pobre. E sinto te dizer, mas vc está enganado: pobre não é burro. Muito antes pelo contrário.

    “O problema são as que andam com camisinha na bolsa pra transar com o carinha que ela conheceu na noite. Isso pra mim é puta. E não é porque é mulher, se você tá pensando que eu sou machista. Homem pra mim que vai pra night e leva mulher pro motel pra mim é igualmente babaca e puto.”
    Ok, SUA opinião. Se vc não percebe o moralismo nessa sentença, e o machismo, que é evidente, eu não consigo pensar em nenhum argumento que o faça mudar de idéia. Sugeriria que vc lesse os textos do Alex Castro, sabe, pode te dar um insigth sobre esse lance de “não ser machista”.
    A contradição em termos prossegue…

  18. Olá Marcelo, prazer, sou puta também, dona deste blog. Porque sim, várias vezes eu andei com camisinha na bolsa pra transar com o carinha que conheci. E digo mais, nunca cobrei, sempre fiz de graça.

    Eu achava que você leria os outros comentários deste post, especialmente o da Luciana Betenson, para entender que a questão é muito maior que educação. A população brasileira não é burra e alienada. Em qualquer país do mundo você tem pessoas burras e alienadas e nem por isso políticas públicas deixam de ser implementadas.

    O aborto é uma realidade, queira você ou não. Desde os primórdios da civilização humana onde há mulheres engravidando, há abortos sendo feitos. Educação nunca vai resolver a questão da prevenção porque não existem seres humanos perfeitos, que não falham nunca ou mesmo anticoncepcionais perfeitos. Médicas ginecologistas engravidam sem querer. Não tenho a prepotência de achar que nunca correrei o risco de ter uma gravidez indesejada. Então, a legalização do aborto vem resolver um problema de desigualdade. Porque para mulheres ricas o aborto é legalizado, elas tem médicos de confiança, assistência especializada. Já mulheres pobres não.

    A partir do momento que o aborto é legalizado o governo passa a ter informações concretas do número de abortos (porque hoje só podemos mensurar pelo número de curetagens feitas no SUS) e as razões pelas quais as mulheres realizam esses abortos. A partir daí você implementa políticas públicas específicas para resolver questões como por exemplo: anticoncepcionais sem tantos efeitos colaterais, opções para quem tem alergia a camisinha, campanhas de vasectomia, falta de creches, violência doméstica etc. Porque há milhares de razões para as mulheres fazerem um aborto e como a Luciana Betenson explicou ali em cima, nenhuma mulher que está decidida a fazer um aborto deixa de fazê-lo por ser ilegal. Na Espanha e em Portugal, países que recentemente aprovaram o aborto legal, os números vem caindo com o passar dos anos, porque o assunto deixa de ser clandestino e passa a ser tratado com seriedade por meio de políticas públicas. Se você pensa que a favelada ou a micareteira vai fazer 10 abortos por mês, o que você tem a ver com a vida delas? É você quem vai cuidar desses fetos quando nascerem?

    Essa criança que não é desejada e que provavelmente será abandonada ou criada sem atenção dos pais, quem se preocupa com ela depois de nascida? É muito fácil defender um feto, mas o que acontece depois que essa criança nasce, ganha cor e raça? A sociedade vira as costas para ela. O aborto também é um instrumento para tornarmos a maternidade mais consciente, pois a mulher terá o direito de escolher se realmente quer ser mãe. E sabemos também que na imensa maioria das vezes, quem cuida dos filhos quando o casal se separa? A responsabilidade do homem perante a criação de filhos nascidos é mínima.

    Se você está tão preocupado com seus impostos sugiro ir morar em outro país. Porque não é você quem escolhe onde seus impostos serão utilizados, são as demandas sociais e políticas. Eu acho um absurdo que o governo gaste dinheiro com missas e eventos religiosos públicos, mas estão aí fazendo isso há anos. A luta é para que todas as mulheres possam decidir sobre suas vidas, e não apenas as ricas. Se você é contra o aborto, ótimo, não faça um. Mas não decida por todas as pessoas.

  19. Marcelo o que você não deve saber é que em todos os países em que o aorto foi legalizado o número de mortes maternas diminuem. Inclusive nos países pobres! Isso são dados, não é achismo, é estatístico. Então o que se discute é vamos descriminalizar pra reduzir as mortes ou vamos continuar deixando as mulhres morrerem por uma escolha moralmente duvidosa? Porque fica evidente a relação entre proibição e maior número de mortes. E você acha que nos países civilizados eles descriminalizaram por que? Porque são escolarizados e conseguem ver que os dados são mais importantes do que o julgamento moral. Eles verificaram que de fato a descriminalização é eficiente no quesito reduzir morte materna – e enquanto estiver cumprindo esse propósito de reduzir danos, não há motivo para criminalizar. Então só defende a criminalização ou quem é desinformado ou quem, mesmo diante dos dados, é a favor das mortes dessas mulheres.

  20. Renata Lima, não me interessa quem é Alex Castro e qual seja a definição tendenciosa de machismo dele. A mulher é livre pra fazer o que quiser, mas tanto mulher quanto homem que resolvam transar PRA MIM não prestam. Tenho mais respeito por prostituta do que por essas mulheres, as prostitutas em sua maioria fazem isso por necessidade. Mas cada um é cada um, não vou entrar no mérito disso, porque isso é uma questão do que se considera ou não moral.

    Srta Bia, eu nunca disse que o aborto não é uma realidade. Eu sei que é. Mas esse papo de que só quem faz aborto em clínica clandestina que sofre com as consequências é furada, e qualquer um sabe disso. É só procurar qualquer profissional de saúde que eles vão dizer os riscos que a mulher corre pós-aborto e em tentativas de gravidez futuras. Isso MESMO quando os abortos são feitos por clínicas responsáveis.

    Madame A, falar que o aborto é um assassinato é um argumento tão batido porque você quer. Porque até hoje ninguém provou que não é. Você disse, se não há conclusão sobre esse assunto, não pode ser usado como argumento anti-aborto. Ok, você está dizendo que, se você não sabe se um procedimento mata ou não mata, a gente não pode impedir de usar, é isso? Eu tenho um remédio que pode curar uma doença, mas eu não tenho nenhuma prova de que ele pode causar danos mais sérios à saúde da pessoa, apenas suposições. Você me testar o remédio em você? Olha num microscópio prum grupo de células se dividindo e olha pruma pedra, minha filha. Se você não vê diferença…

    Vocês que adoram um relato emocionado de pessoas que passaram por isso, porque não procuram também os relatos emocionados de pessoas que pensaram em abortar, não o fizeram e hoje tendo seus filhos são felizes por não terem abortado?

    Amandita, provavelmente estamos pesquisando em fontes distintas então. Em Portugal, por exemplo, a legalização não impediu a proliferação das clínicas clandestinas. O problema é essa mania de achar que tudo que é feito nos países desenvolvidos é bom, porque eles são DESENVOLVIDOS. A Holanda é um país desenvolvido e é um poço de mal exemplo pro mundo. Os EUA são desenvolvidos e tem a pior alimentação do planeta. Ser desenvolvido significa ter mais dinheiro, só isso!

    Bom, meninas, respeito a opinião de vocês, mas não concordo, e nem pretendo convencê-las. Portanto, paro por aqui, senão isso não vai terminar nunca. Se em algum momento vocês me derem um argumento convincente (e pode ter certeza que eu levo em consideração tudo que vocês falam), eu mudarei minha opinião.

  21. “Renata Lima, não me interessa quem é Alex Castro e qual seja a definição tendenciosa de machismo dele. A mulher é livre pra fazer o que quiser, mas tanto mulher quanto homem que resolvam transar PRA MIM não prestam. Tenho mais respeito por prostituta do que por essas mulheres, as prostitutas em sua maioria fazem isso por necessidade. Mas cada um é cada um, não vou entrar no mérito disso, porque isso é uma questão do que se considera ou não moral.”

    Perguntinha cretina: homem e mulher que resolvam transar não prestam???
    E sua mãe e seu pai são???
    Caraca, tô passada e não vou nem comentar nada, só rir da sua … sua… sei lá, vc é doente, cidadão… sugiro um médico, já que o Alex Castro não poderá te ajudar mesmo…
    Te incluirei nas minhas preces, tá bom? (sou feminista mas sou boazinha!)

  22. Marcelo, Dr. Drauzio Varella discorda completamente da sua frase: “É só procurar qualquer profissional de saúde que eles vão dizer os riscos que a mulher corre pós-aborto e em tentativas de gravidez futuras. Isso MESMO quando os abortos são feitos por clínicas responsáveis.” E ele é um profissional de saúde que há anos sabe que um aborto realizado de forma segura não acarreta risco de vida para mulher e nem impede que ela engravide no futuro. Se isso fosse verdade, não teria sido aprovado o direito da mulher fazer um aborto em caso de estupro.

    Aqui um documento de um grupo de médicos de Portugal que afirma o mesmo: http://www.medicospelaescolha.pt/wp-content/uploads/folheto_ivg08.pdf
    http://www.medicospelaescolha.pt

    Fora o serviço público há duas clíncas autorizadas a realizar abortos em Portugal: a Clínica dos Arcos, em Lisboa e o Hospital do SAMS. Procurei nos veículos de mídia de Portugal e não há nenhuma notícia da proliferação de clínicas clandestinas apos a aprovação da lei. Dados sobre o aborto em Portugal:
    O relatório da DGS diz que 1,86 % tinham realizado outra interrupção em 2010, 6,36 % em 2009 e 4,36% em 2008. Mas a grande maioria (75,41%) não tinha feito qualquer aborto anteriormente. (provando que não se usa o aborto como método contraceptivo).
    Mais de sete mil mulheres (quase 40%) que fizeram aborto no ano passado não tinham filhos, cerca de 5.500 tinham um, 4.321 dois e 1.176 três filhos. Uma das mulheres submetidas a interrupção por sua opção tinha dez filhos. Em 2008 realizaram-se 18.014 abortos por decisão da mulher até às 10 semanas de gravidez, em 2009 foram 19.222 e em 2010 registaram-se 18.911, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS). http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/interior.aspx?content_id=1905501&page=1

    E bom, como você não respondeu, provavelmente é mais um hipócrita que defende um feto, mas não faz nada quando crianças indesejadas nascem.

  23. Olha, não vou me alongar muito na resposta ao comentário do Marcelo, mas uma coisa me chamou a atenção:
    “Madame A, falar que o aborto é um assassinato é um argumento tão batido porque você quer. Porque até hoje ninguém provou que não é”
    Se o próprio Código Penal pune o aborto (infelizmente) e o homicídio como dois crimes diferentes, como você pode querer dizer que é “igual ao assassinato”.?
    Claro que o fato de o Código Penal considerar o aborto crime é o ponto da nossa discussão quando pedimos a descriminalização e a legalização. Mas, do ponto de vista da discussão da questão criminal, seu argumento é tão falho quanto do ponto de vista médico e social (sim, há dúvida quanto ao início da vida na ciência e na sociedade). E usar o conceito de vida para dizer que nossas células são vida… olha, é um exagero e uma impropriedade sem tamanho…

  24. “E bom, como você não respondeu, provavelmente é mais um hipócrita que defende um feto, mas não faz nada quando crianças indesejadas nascem.”

    Claro que eu não respondi. Você bloqueou meu IP, como eu poderia responder? Mentir pra convencer as leitoras, que feio hein? Você devia escrever pra Veja, tá manipulando informação igualzim.

    E Renata, minha frase saiu incompleta: “mas tanto mulher quanto homem que resolvam transar COM QUALQUER UMA SEM COMPROMISSO pra mim não prestam”

    Claramente esse blog não aceita críticas e opiniões contrárias, chegaram ao cúmulo de me bloquear aqui. Não sou spammer e tudo que escrevi aqui é minha opinião. Fui importunar vocês no twitter só pq fiquei indignado com o absurdo de responder meu comentário e mentir falando que eu não quis responder de volta. É a velha tática de “vou ser a última a falar pra ganhar a discussão”.

    Abraços, e até nunca mais

  25. Vocês não vão acreditar no que minha avó falou sobre esse assunto!! Bom, estava eu sodando com a dona Landa o que ela acha sobre esse tema – a criminalização do aborto no Brasil -, minha querida avó tem 84 anos e é super beata. Mesmo. Daquelas de assistir missa pela tv quando não pode ir à igreja. Bom, sua resposta foi que ela não faria aborto, mas que acha muito errado a mulher ser criminalizada por fazer aborto enquanto um monte de homem abandona a mulher grávida. Ela acha que deveria haver criminalização para homem que faz isso ou a descriminalização do aborto. Ou os dois podem abandonar sem serem criminalizados ou os dois são punidos pelo abandono. Interessante a visão dela…

  26. Bom Marcelo, você não respondeu essa pergunta: “Essa criança que não é desejada e que provavelmente será abandonada ou criada sem atenção dos pais, quem se preocupa com ela depois de nascida? É muito fácil defender um feto, mas o que acontece depois que essa criança nasce, ganha cor e raça?” Por isso considero você uma pessoa hipócrita que luta pelo feto, mas não luta pelas crianças depois de nascidas.

    Mas como você assumiu com todas as letras que quando as pessoas não querem mais papo, você vai importuná-las no twitter, caracterizando-o como um troll stalker. Nada mais nos resta a não ser fechar essa caixa de comentários e torcer para que você tenha uma vida e não precise ficar dizendo suas verdades em blogs que as pessoas claramente não concordam com você. As putas todas, incluindo eu, que frequentam esse blog agradecem o fato de poder bloquear pessoas como você sempre. Porque isso significa que nós temos direito de escolha de não ouvir o que você pensa.

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