Gisele Bundchen e a Minha Calcinha

Alô Amiga-Irmã-Consumidora-Enlouquecedora-de-Homens! Hoje não tem Sextas de Nova porque o assunto é sério. A Hope, uma das poucas marcas de lingerie no Brasil que sabem que o tamanho do busto e das costas das consumidoras possuem medidas diferentes, está achando que você compra lingerie para fazer beicinho pro seu marido. Mas eles dizem que é tudo piada, sabe? Quando você  tem que ouvir piadinhas sobre o quanto as mulheres são interesseiras, a Hope entende que isso não é machismo, mas sim piada.

A Thalita resume bem no que consiste a publicidade da Hope:

Na peça, a modelo “ensina” como as mulheres devem comunicar más notícias para seus maridos/namorados. Falar que bateu o carro ou que estourou o limite do cartão de crédito (oi?) vestida não dá certo. A pedida é mostrar o corpão na hora de comunicar ao macho provedor que você, mulher, não se comportou como ele gostaria.

Outra questão é o uso do corpo como passaporte para se safar de situações difíceis (considerando o que já foi dito antes, que é um absurdo falar que bateu o carro ser uma situação difícil). Não quer criar problema? É só oferecer sexo e tudo bem. Mas veja bem, se você não for linda, alta, magra e loira não adianta, porque, afinal, quem é que quer uma mulher que não seja perfeita fisicamente? (e sim, indo um pouco além, sexo, para as mulheres, serve só para agradar os homens. Mulher tendo prazer? Isso é coisa do demo!) Continue lendo em O machismo nosso de cada dia ou Gisele Amélia Bundchen.

Sou tão fofinha vestida, mas só convenço você quando tô sex bomb. Imagem da Campanha da Hope.

No comunicado em resposta a reclamação da Secretaria de Políticas para Mulheres, a Hope:

esclarece que a propaganda teve o objetivo claro e bem definido de mostrar, de forma bem-humorada, que a sensualidade natural da mulher brasileira, reconhecida mundialmente, pode ser uma arma eficaz no momento de dar uma má notícia. E que utilizando uma lingerie HOPE seu poder de convencimento será ainda maior.

Veja bem, só porque você nasceu no Brasil sua sensualidade é inata. É tão bom saber disso quando temos casos de várias brasileiras que são detidas em aeroportos de países Europeus, como a Espanha, por suspeita de serem prostitutas. Voltando a notinha da Hope:

Os exemplos nunca tiveram a intenção de parecer sexistas, mas sim, cotidianos de um casal. Bater o carro, extrapolar nas compras ou ter que receber uma nova pessoa em sua casa por tempo indeterminado são fatos desagradáveis que podem acontecer na vida de qualquer casal, seja o agente da ação homem ou mulher.

Veja bem, o estereótipo de consumista e ruim de roda sempre foi aplicado aos homens não é mesmo? Você sempre viu um homem dirigindo mal na rua e gritou: “só podia ser homem mesmo!”. Ao que parece vamos ter que mandar cartinhas desenhando o que é sexismo para a Hope, porque tenho certeza que eles não entenderam. A Marjorie disse tudo:

Como é que uma empresa investe milhões (porque o cachê da Gisele não é bolinho, sabemos) num comercial sem exigir da agência que ele seja, no mínimo, criativo? Porque, né, se eu tivesse pagando uma nota preta por uma propaganda, ia querer algo mais do que “mulher no volante, perigo constante” e “ai, a sensualidade da brasileira”. Tô pagando, porra. Continue lendo em Alguns tostões sobre a propaganda da Hope.

A cereja do bolo é o finzinho da nota:

Foi exatamente para evitar que fôssemos analisados sob o viés da subserviência ou dependência financeira da mulher que utilizamos a modelo Gisele Bundchen, uma das brasileiras mais bem sucedidas internacionalmente. Gisele está ali para evidenciar que todas as situações apresentadas na campanha são brincadeiras, piadas do dia-a-dia, e em hipótese alguma devem ser tomadas como depreciativas da figura feminina. Seria absurdo se nós, que vivemos da preferência das mulheres, tomássemos qualquer atitude que desvalorizasse nosso público consumidor.

Cê jura? Então toda a propaganda que eu ver com Gisele Bundchen é automaticamente uma propaganda feminista, pois ela é uma mulher bem-sucedida e independente? Olha, não é essa a mensagem que Gisele está me passando nos vídeos. Ela diz claramente que mulheres devem ser loiras, magras e usar seu corpo para resolver problemas, porque elas sempre estão metidas em encrencas. Afinal, todas somos moças bobinhas que precisam dar notícias desagradáveis para o marido usando muito sex appeal. O que Gisele Bundchen faz é representar toda a contradição que há entre ser uma mulher bem-sucedida e moderna na vida real, mas que só faz papel de mulher frágil, mimada e machista nos comerciais. Essa mulher só tem poder se estiver de lingerie. Não era mais fácil fazer um comercial mostrando como os sutiãs da Hope são confortáveis e ao mesmo tempo bonitos, adequando-se melhor ao corpo de cada mulher? Como disse Barbara Castro:

Por isso a gravidade da imagem da “Amélia” que Gisele vem protagonizando desde as propagandas da SKY. Elas passaram desapercebidas pela grita geral porque o texto não literalizava o sexismo que a Hope teima em naturalizar. Gisele, a mulher poderosa e independente, é reconduzida ao seu papel de gênero e volta a brilhar no reino do lar. Nada poderia ser mais aviltante à luta das mulheres. Continue lendo em Não é só propaganda.

Porém, a melhor parte são as pessoas que dizem: as mulheres que estão indignadas com esse comercial estão com inveja da beleza de Gisele. Veja em que mundo vivemos. Alguém faz um dos comerciais mais idiotas e pouco criativos dos últimos tempos, mas não podemos criticar, porque somos um bando de feias invejosas e autoritárias. Tem horas que o mundo parece não ter saído da 5° série.

A justificativa de que tudo é humor e que as pessoas são chatas, pois não acham graça, também é recorrente. Mauricio Ayer nos comentários do Futepoca resume muito bem porque a desculpa de que tudo é piada é o consolo do prisioneiro:

Quando o cara que dá a vida por uma cerveja ou a gostosa que fica seminua para contar ao homem que bateu o carro riem de si mesmos, ambos reafirmam a mesma estrutura social, as mesmas posições, em que o homem pode ser o cachorrão que não pensa mas que segue por cima, cercado de gostosas e cerveja, que no fim é o que importa, e a mulher, com a mais fina artimanha, consegue manter o controle da situação, a situação de ser aquela que deve prestar contas ao marido e obter dele dinheiro e aprovação. Quem quer quebrar uma estrutura ideológica (pois a realidade material-econômica já é outra faz tempo) tem que não achar graça de algumas coisas, libertar-se, para começar a achar graça de outras coisas. O riso é uma forma de afirmação de poder, e por isso mesmo pode ser um veículo de libertação.

A HOPE mostrou que realmente não está interessada em vender sutiãs a mulheres que queimam sutiãs, que prefere vender a imagem de que vencedora é aquela que usa de sua natureza para submeter a cultura (a velha oposição homem/mulher, cultura/natureza, inteligência/loucura, em que no mesmo polo da mulher está também a criança, o louco ou o empregado).

Parece algo óbvio, mas muita gente insiste em não perceber. Publicidade não é uma bobagem. É um meio de comunicação que age socialmente reforçando o status quo e gerando novas demandas de consumo. Se uma peça publicitária reforça preconceitos machistas ela faz uma construção estereotipada da imagem feminina e repassa essa mensagem para toda sociedade. Fora que a propaganda da Hope reforça estereótipos ruins para homens e mulheres. Enquanto a mulher usa o corpo para conseguir  o que quer, o homem é um ser apalermado que cai nesse truque ridículo.

A proliferação das imagens femininas representadas por Gisele Bundchen causam a reprodução de valores arcaicos e machistas. E, a consolidação de um modelo de feminino que só tem poder quando coloca-se na posição de objeto sexual do marido. Criticar a propaganda da Hope não significa que as feministas estão querendo tirar seu direito de fazer beicinho para o marido. Significa que não queremos que o poder das mulheres seja reduzido a isso, um beicinho e uma lingerie, dando satisfação ao marido.

Ps. em 01/10/2011:

- A propaganda da Hope é feita pela mesma agência (Giovanni+DRAFTFCB) que fez uma série de propagandas sexistas da Sky. As duas peças publicitárias tem Gisele Bundchen no papel de “Amélia”. É interessante pensar se a equipe de publicitári@s só sabem fazer peças com esse tipo de estereótipo ou se Gisele tem exigido esse tipo de papel.

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37 thoughts on “Gisele Bundchen e a Minha Calcinha

  1. Pingback: babilopes » Propaganda

  2. Na faculdade cursei uma disciplina chamada “Análise do discurso publicitário”. Desde então passei a acompanhar a questão de como o mercado publicitário age na cultura social. Não sou atento a questão de gênero, mas não é preciso estar atento, e nem ter cursado faculdade nenhuma, para constatar que tudo se vende pelo corpo da mulher. Em toda propaganda tem sempre uma “gostosa” para compor o cenário. As propagandas de cerveja são as mais ilustrativas, pois a cerveja, como produto, fica em segundo plano e o consumidor passa a comprar aquele tanto de “gostosas”, mesmo se a cerveja for ruim!
    Parabéns a todas e a todos que estão se posicionando de forma crítica a essa ditadura cultural.

  3. Olha, eu sou publicitária, MORENA, bem sucedida (o que conquistei com muito estudo), solteira e sem a menor intenção de me casar, não quero ter filhos, não sei cozinhar, não sou linda como a Gisele, mas muito bem resolvida, especialmente quando bem produzida. E com tudo isso, não me senti nem um pouco ofendida com a propaganda, achei até engraçadinha pela brincadeira com estereótipos. Na verdade, acho esse fuzuê que vocês estão fazendo uma GRANDE bobagem. Outra coisa. Não é porque eu estou na luta para ser uma mulher livre e independente, que eu não quero ser tratada como objeto sexual nas horas vagas. Então me poupem de hipocrisia.

  4. De fato a propaganda reforça – um pouco – o estereótipo machista. Mas estereótipos são usados largamente na publicidade para chamar a atenção do espectador/consumidor. Não me senti ofendida ou incomodada pela sedução na lingerie. Acho saudável a sedução no casamento e nada como uma lingerie nova para, como diz uma amiga, “mudar o assunto um pouco”. O que mais me incomoda é usarem a Gisele na propaganda. Preferia mil vezes que tivessem colocado uma mulher não tão bonita, não tão jovem e não tão magra. Que ficasse linda na lingerie, que se sentisse linda pro marido, etc. Seria muito mais bacana. Como você e outros disseram no texto, além de bem-sucedida, rica, independente, linda, ótima esposa e mãe, agora também posa de mulherzinha ‘submissa’ e que precisa do marido pra pagar suas contas? #porraGisele!

  5. Amei o apanhado trazido pelo texto e a clara exposição da máxima, tão árdua de ser compreendida: “Brincadeira machista só é engraçada para quem compactua desse pensamento e visualiza um mundo sexista e, ao mesmo tempo, igualitário.” Será que é tão difícil entender que isso não existe? Mulher não deve ser cachorrinho de ninguém, ou seja, aquele serzinho que destrói a casa inteira, mas é tão fofinho, que a gente sempre perdoa. Bizarro!
    Parabéns pela exposição!

  6. Luiza, @chinabhz, Lilian, Talita, obrigada pelos comentários.

    Luciana, é claro que lingerie nova e sedução no casamento são coisas ótimas, deixei isso claro no último parágrafo. Ninguém está dizendo isso não é bom. O ruim é ser só isso e num contexto ridículo em que a personagem tem que ficar dando satisfação para o marido. Acho extremamente machista e acho que está na hora da publicidade passar a ser mais criativa e não usar estereótipos. Pense em todas as propagandas boas que você viu recentemente? Elas usam estereótipos? Olha que bacana o exemplo de uma publicidade que quebra estereótipos e vende muito bem o produto:
    http://www.youtube.com/watch?v=RS3iB47nQ6E

    Una Lauren, acho que você não leu o último parágrafo. Publicidade não é bobagem, ela é utilizada para disseminar ideiais, crenças e formas de viver. Não me importo que uma mulher seja objeto sexual do marido, que ela compre lingerie, etc. Se é isso que ela quer, ótimo. O problema é você comprar lingerie não para você se sentir linda e tal, mas para fazer de trouxa seu marido, por meio de situações que estereotipam as mulheres. É essa a questão. Muito mais inteligente seria mostrar que a Hope tem sutiãs ótimos para todas as mulheres e não só para aquelas que tem o corpo da Gisele Bundchen. A dove já fez há alguns anos uma propaganda ótima que mostrava a diversidade feminina sem estereótipos:

  7. Eu sei o que é publicidade, pois sou publicitária. E sei que não é bobagem, até porque publicidade paga as minhas contas. Mas publicidade é fantasiosa. Você faz usos de estereótipos para se referir a qualquer coisa no seu dia-a-dia. A Gisele está interpretando um personagem e você tem que perceber a ironia do papel. É uma brincadeira sobre sedução. Vai me dizer que isso não existe?
    Agora, vc não precisa gostar da mensagem. Mas é um absurdo querer tirar do ar. Por que vocês não se preocupam em tirar do ar os comerciais de produtos de limpeza, onde mulheres lindas e bem arrumadas mostram o que fazem para manter limpa a casa da família?

  8. Una Lauren, nesse comercial não vejo absolutamente nenhuma ironia. Ironia haveria se o marido dela batesse o carro, se ela estivesse de lingerie em situações incomuns. Ironia e humor andam juntas quando nos tiram do senso comum, nessa propaganda não há nada do tipo. Em nenhum momento percebe-se ironia na maneira que a Gisele fala, nem na mensagem “mulher brasileira, use sua sedução” e para mim a nota da Hope deixa claro que não há ironia porque em nenhum momento eles citam isso.

    E não acho que publicidade tenha que ser obrigatoriamente fantasiosa. Não acho a propaganda da dove que linkei fantasiosa. A dos pôneis malditos é fantasiosa e achei ótima. É claro que esse tipo de brincadeira pode existir, mas é ridículo veicular isso num comercial destinado as mulheres, colocá-las num papel infantil e mimado. Mesmo sem olhar o sexismo da propaganda, ela é extremamente idiota, praticamente uma versão dos comerciais de cerveja em que os homens aparecem como idiotas babando numa mulher. Isso é sinônimo de boa propaganda, fazer representações idiotas das pessoas?

    E publicidade é um meio de comunicação que pertence a um determinado status quo, vender um produto é apenas parte do seu trabalho. Convencer, disseminar ideias e crenças também faz parte do pacote. Por isso o caso dessa propaganda torna-se ainda mais grave. Não há respeito pela diversidade feminina, não há modificação de estereótipos mais antigos que minha avó. Apenas manutenção da ideia de que uma modelo bem paga e poderosa é na verdade uma mocinha que faz beicinho e seduz o marido na hora de contar más notícias. Uma mulher que só tem poder quando oferece sexo, quando está com roupas comuns ela está errada!

    Una, acho muita arrogância quando pessoas vem dizer sobre o que devemos lutar. Já há muita crítica aos comerciais de limpeza e eletrodomésticos, e muitas denúncias ao Conar, se isso não é veiculado na mídia e você não fica sabendo é outra questão. Você com certeza vai encontrar vários posts em blogs feministas criticando o comercial que a Bombril lançou recentemente das mulheres evoluídas. Um exemplo: http://blogueirasfeministas.com/2011/03/homens-modo-de-usar/

  9. A propaganda em geral é contrária à bandeira que as feministas defendem. Como disse a colega publicitária, comerciais de mulher bem arrumada limpando a casa também são contra tudo o que se luta.

    Mas a campanha da Hope pega pesado no sentido de mostrar a mulher apenas como loira, alta, magra, de calcinha e sutiã, tentando convencer o marido de que a burrada que ela fez pode ser minimizada através da sedução. Quer dizer então que toda vez que eu cometer um erro basta tirar a roupa e se oferecer que está tudo certo? Pois é essa a mensagem que ela passa e claramente. E como a propaganda influencia – e muito – as pessoas, pode ter certeza que tem gente concordando com o modelo.

    O mesmo acontece com comercial de cerveja, de mulher de minissaia e sem celulite ou gordurinhas tomando cerveja com um sorriso Colgate. Passa também uma imagem negativa. Não vamos nos enganar achando que não.

    Ótimo texto, Bia!

  10. A Una Lauren deve ser da Giovanni (agência que criou essa campanha)… Eu também sou publicitária e, poxa, que bom que você é tão bem resolvida, mas muitas mulheres não são, e publicitários deveriam ser capazes de enxergar e entender isso. Colocar a “mulher mais bonita do mundo” e querer dizer que todas somos naturalmente belas não me parece uma estratégia muito inteligente. Essa é só mais uma prova de que publicitários fazem campanhas sem olhar para o consumidor, por isso o resultado desagrada. Em uma sociedade em que cada vez mais as mulheres lutam contra os poderes do Photoshop, estampar a Gisele como naturalmente bela é sacanagem…

  11. Mas a campanha da bombril “AME : associação das mulheres evoluidas” foi bem mais sexista e ficou por isso mesmo, nao vi ninguem reclamar… dois pesos duas medidas.

  12. Acho que a publicitária que comentou acima não é bem resolvida, é alienada e completamente fora do seu tempo, como grande parte dos publicitários brasileiros.
    Sou homem, cuido da minha casa e do meu filho, e fico irritado com essas propagandas feitas para “donas-de-casa” que vivem para o lar, ou para homens que vivem para assistir TV e beber cerveja. O mundo mudou. Faz tempo. Enquanto isso, a propaganda brasileira continua repetindo papéis estereotipados de 40 anos atrás. O humor não resolve, nem disfarça a pobreza e debilidade do discurso dessas empresas. A melhor resposta é deixar de comprar esses produtos. Sempre existem alternativas.

  13. Sybylla e Beatriz, obrigada pelos comentários.

    Karlon, não gosto desse tipo de comentário inferindo que a outra pessoa é alienada ou não é bem resolvida, porque essa expressão do “bem resolvida” é muito utilizada contra a mulher. Acho que a Una Lauren quis dar a opinião dela como publicitária, mas faltou uma maior reflexão sobre os efeitos de uma propaganda. Não quero falar que a propaganda ajudou Hitler na 2° Guerra porque acabo caindo na Lei de Godwin. Mas é visível como a propaganda está presente em guerras recentes, como a do Iraque. No mais, concordo plenamente que o humor não resolve e nem disfarça o discurso publicitário. Bom saber que um homem não adora esse papel de apalermado que a publicidade insiste em caracterizar.

  14. José Augusto, por favor, quando for comentar num blog leia os outros comentários. Já citei um post ali que critica a campanha da Bombril, mas te dou uma lista agora:

    http://blogueirasfeministas.com/2011/03/homens-modo-de-usar/

    http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/03/campanha-da-bombril-e-o-homem.html

    http://educacaoesexualidadeprofclaudiabonfim.blogspot.com/2011/03/nova-campanha-da-bombril-mulheres.html

    http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3326&titulo=Bombril:_a_marca_que_nao_evoluiu_com_as_mulheres

    Quatro textos para você se divertir no seu fim de semana e refletir se não está lendo os portais de notícias ou blogs errados.

  15. Srta Bia, entendo a sua reação ao meu comentário, embora este não tivesse motivação sexista. Independente de gênero, creio que o profissional que não entende o seu impacto na sociedade é alienado e perde a oportunidade de criar um mundo melhor. Eu também exerço uma profissão formadora de opinião, e entendo a minha responsabilidade social. Minha visão do mundo se reflete no meu trabalho, e consequentemente, nas pessoas expostas a ele.
    Reconheço também o meu erro em generalizar. Além das propagandas que tratam as mulheres como objetos e os homens como palermas, existem outras que valorizam a igualdade, a inteligência, a diversidade, a responsabilidade… não são muitas, mas existem — como os comerciais de bancos em geral.

  16. Pingback: A presença das mulheres na TV é de quantidade, raramente de qualidade « BiDê Brasil

  17. Oi, Bia
    nem vou entrar no mérito da questão anúncio da Hope, porque assino embaixo de tudo o que você escreveu. Descobri agora, no Reader que 300 homens entraram com ação no CONAR contra a campanha da Bombril – que eu acho ótema, sou fã e quero ver mais campanhas assim… tô boquiaberta. quando a gente fala de sexismo, sempre vêm com esta de “mal resolvida”. E estes caras que reclamaram da campanha, são o quê?
    o link é do demo, ops, da veja: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/300-homens-recorrem-ao-conar-contra-bombril

  18. Karl, entendi que não foi sua intenção, mas não custa evitar as generalizações ;-)

    Lucia, eu acho a campanha da Bombril Mulheres Evoluídas péssima, linkei vários textos aí nos comentários que criticam a propaganda. Acho que esse estereótipo do homem idiota que deve ser adestrado muito ruim. Da mulher que comanda o lar como se fosse uma megera. Enfim, não gostei mesmo.

  19. Olá! Resolvi comentar para parabenizá-la pela excelente colocação de argumentos e idéias. Infelizmente, muitas agências de Publicidade ainda se voltam para o “glamour”, com a finalidade de obter prêmios e acabam fugindo ao que deveria ser o principal foco “como devo passar para o consumidor o que meu produto agregará na vida dele e como superar suas expectativas”.
    Aqui cito dois cases de propagandas inteligentes e que focam totalmente o público femino atingindo o objetivo, com classe e clareza:
    1) A atual da Havaianas que passa na TV ,com a atriz Mariana Ximenes, mostrando o típico “dilema” de nós mulheres na hora de escolher algo na loja. Ela pede opinião sobre qual modelo levar e o vendedor responde algo do tipo que a sua namorada sempre acaba levando o contrario do que ele diz. Aí a atriz acaba levando os dois modelos.
    2) A recente propaganda da cerveja Stela Artois, que faz uma interessante comparação entre o tempo de preparação da cerveja e da mulher enquanto se arruma. Achei muito legal,visto que o público feminino que consome cerveja é cada vez maior.
    Parabéns pelo blog.
    Abraços.

  20. Juliana, essa propaganda da Havaianas achei bem simples, sem muita criatividade, mas enfim. Tem uma com o Rodrigo Lombardi que ele retrata como a mulher fica irritada sem motivo na tpm, que eu acho meio chatinha, mas também passa tranquilo. Pelo menos a da Mariana Ximenes tem relação direta com o chinelo que se está vendendo.

    Essa nova propaganda da Stella Artois também fiquei sem saber o que pensar. Acho muito bom que eles pensem na mulher como público alvo, mas achei que não fugiu muito do estereótipo cerveja = sensualidade da mulher, que é bem disseminado pelo termo “lôra”. Tem o slogan também “she is a thing of beauty” que faz com que só tenha mulheres lindas no comercial e prefiro quando há mais diversidade. Afinal, comercial de cerveja com homens raramente tem só homens lindos. Mas tem um comercial com o Adrien Brody que achei bem interessante. Deixo os dois aqui para as pessoas olharem:
    http://www.youtube.com/watch?v=IYODoC6GG_E

  21. Ótima postagem!
    Adorei a lembrança do comercial das Havaianas.

    A propaganda é horrível, mas os comentários “criticando quem critica” me deixaram muito mais horrorizada…

    Também dei uns pitacos sobre a campanha da Hope no meu blog (http://raizasas.blogspot.com/2011/09/qual-e-o-problema-com-propaganda-da.html).

    Uma coisa que eu pensei é o que afinal significa dar a “má notícia” ao marido do jeito “errado”. Será que ele fica furioso e bate na esposa?

  22. Engraçado, a Stella Artois embarcou neste ano numa campanha de “reabilitação” da imagem…
    Motivo: em muitos lugares, principalmente na Inglaterra e Irlanda, a Stella Artois é conhecida como “wife beater”. O teor alcoólico relativamente alto e preço baixo associaram a cerveja a uma imagem de público de baixa renda, episódios de bebedeira e violência doméstica.
    O fabricante respondeu a essa indesejada fama, baixando o teor alcoólico da cerveja para 4%. Também aumentou o preço, e lançou uma série de comerciais mais “sofisticados”, como esse: http://youtu.be/IiYkljQuNJY

  23. PM,Sim,não entrei no quesito histórico da marca Stella Artois, e já que você citou, continuo dizendo que acho a propaganda muito boa. A marca se reposicionou o mercado e atingiu seu objetivo, atingindo seu público alvo e quebrando o estereótipo de cerveja pra baixa renda. E respondendo a Bia,não achei essa propaganda vulgar. É sensualidade sutil,não vulgar. Fugiu da mesmice com loiras, bundas, etc. Toda mulher gosta de se produzir, tem esse “ritual” de se arrumar pra ela mesma; a modelo escolhida foi uma mulher comum.

  24. Lembrando que a mesma Agência que fez essz da Hope foi a quem fez a da SKY, tbm com a Gisele Bundchen e que retrata o jeito Amélia, limpando o chão, buscando cerveja qd o marido manda… E pq não foi tirada do ar também?
    Eu não me senti ofendida,mas também não achei bem humorada. É uma propaganda de lingerie, óbvio que a mulher tem que explorar o produto, mas acredito que dava para ser encaixado em outro contexto. Se não fosse a Gisele Bundchen, acredito que a crítica teria caído em cima dd forma mais
    negativa. Por ser a Gisele,mostra que o Publicitário quis fazer ironia com humor, mas não surtil o efeito desejado. Porém,penso que essa polêmica foi
    válida para gerar uma reflexão , tanto na sociedade como no meio Publicitário, sobre censura, responsabilidade na iinformação e construção de idéias , valores e ética, e sobretudo no papel atual que a mulher exerce no mundo atual.

  25. Juliana, infelizmente acho que nunca vou considerar uma modelo como um padrão de mulher comum. Acho que as modelos geralmente são uma casta de mulheres bem diferentes do que vemos nas ruas.

    Outra coisa, a Campanha da Hope não foi tirada do ar. A SPM foi acionada pela sociedade civil por meio de sua ouvidoria e agiu como porta-voz enviando as reclamações para o Conar e para a própria Hope. O Conar é conselho consultivo e pode decidir recomendar a suspensão da propaganda. Eu fui uma das pessoas que enviou reclamações ao Conar em relação a propaganda da Sky, mas eles decidiram não abrir um processo. Talvez a SPM não tenha sido acionada no caso da Sky. É importante perceber que não há proibição ou censura nessa caso, os trâmites seguidos são todos legais e o Conar é um órgão de auto-regulamentação da publicidade brasileira.

    Fora isso acho a crítica importantíssima justamente para os publicitários voltarem as pranchetas e trabalhare em comerciais mais criativos e que usem o humor de forma inteligente.

  26. Juliana, acho que vale a pena dar uma olhada no site do Conar http://www.conar.org.br/ e ver os diversos casos e decisões que já foram julgados em 2011. Há desde propaganda do activia até do nescau. Então, vamos ficar ligados de que a mídia brasileira gosta de criar polêmicas em ações que envolvam o governo. Então, antes de perguntar “por que a da sky não foi proibida?” vamos observar a maneira como a mídia está tratando o caso e as ações reais da Secretaria de Política das Mulheres, da Hope e do Conar.

  27. Pingback: Consumo e Publicidade FemininaBlogueiras Feministas | Blogueiras Feministas

  28. ok, mulheres devem ser assexuadas, então. Homens devem ser castrados.
    É isso aí. Vcs se preocupam com o que há de mais importante mesmo.
    Acham que vão mudar a vida de alguém com esse papo? Me poupe.

    ps: não sou da Giovanni. Sou coordenadora de uma agência gringa e nunca trabalhei com a Gisele.

  29. Pois é Una Lauren, bando de gente chata! Discutir um problema não muda nada mesmo né? Imagine só, a alguns anos uns desocupados acharam que era errado uma pessoa ser escravizada, achavam errado que uma mulher não pudesse votar, Deus do céu, um dia já disseram que a Terra era redonda e resolveram lutar pelos seus ideiais e pelo que julgavam correto!
    Me preocupar em como a midia me manipula diariamente e me retrata de maneira ofensiva é falta de louça pra lavar! Vou mais é me preocupar com coisas mais importantes, como ir pra academia ficar melhor na lingerie

  30. Una Lauren, é claro que a maioria das pessoas não são assexuadas, mas porque sexo tem que ser sempre o único imperativo para vender, entende? E eu realmente acredito que essa discussão pode fazer muitas pessoas se posicionarem melhor diante da publicidade. Especialmente para deixar claro que não há censura nesse caso, porque publicidade não é representação cultural, é uma causa comercial, que deve ser regulamentada.

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  33. e quem falou em ser assexuada, né? pq não uma mulher no espelho se achando gostosa? uma mulher comum, por ex. em vez da gisele, uma dira paes gostosona ou uma preta gil gordinha, ela pode até estar sendo alvo de apreciação masculina, um homem elogiando a tal lingerie… pelo amor de deus, há muitas maneiras de se vender calcinha e soutien sem ser machista.

  34. Pingback: Também vou falar da Hope. » Dia de Folga

  35. Grande texto! Cheguei aqui via “Dia de Folga”, que gosto muito.
    Cuidado com o verbo “ver”
    “toda a propaganda que eu ver com” o certo é ” toda a propaganda que eu vir com”
    Malu, feminista e revisora.