A Vida Sem Empregada

Revistas femininas parecem ser, atualmente, uma fonte inesgotável de estereótipos e matérias nonsense. A Revista Claudia publicou A Vida Sem Empregada. Um texto que afirma:

As domésticas serão artigo raro no mercado de trabalho, anunciam os indicadores sociais mais recentes, e o futuro aponta para uma nova equação familiar, em que todos colaboram nas tarefas da casa. A boa notícia: vêm aí pais e filhos mais unidos e um mundo possivelmente mais justo. Mas não vai ser fácil.

Quem tem grana no Brasil costuma ter empregada ou diarista. Eu contrato uma diarista que vem a minha casa uma vez por semana. Porém, nunca achei que deveria ter uma empregada e nem que seria um horror que ela se tornasse um raro artigo no mercado. A divisão de tarefas domésticas parece ser uma utopia nas famílias brasileiras que contam com empregadas domésticas. Sei que só posso contratá-la porque vivemos numa sociedade injusta, que desde a escravidão delega o trabalho doméstico as mulheres negras.

Nanny. Foto de Stephen Geyer no Flickr, em CC.

Segundo dados da Fundação Seade e do Dieese, em 2008 as mulheres ocupavam 45,1% do total de postos de trabalho. Entretanto, representavam 95,4% do total de pessoas que prestam serviços domésticos. As mulheres negras de baixa escolaridade são maioria no emprego doméstico. Porém, no Brasil, o emprego doméstico está tão enraizado que não pode ser eliminado repentinamente, por isso é importante valorizá-lo e garantir seus direitos de acordo com as indicações da Organização Internacional do Trabalho. Atualmente, as trabalhadoras domésticas não contam com benefícios como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego, abono salarial e hora extra, entre outros. Fora a hipocrisia de ser tratada como alguém da família e depois não pagarem seus direitos.

Portanto, com a ampliação dos direitos deverá ficar cada vez mais caro ter uma empregada doméstica. É claro que algumas pessoas, que não aceitam perder seus privilégios, estão importando trabalhadoras domésticas de países pobres da América do Sul e mantendo-as ilegalmente no país. O trabalho doméstico é tido como algo que deve ser delegado a alguém com menor escolaridade, porque temos um passado escravocrata muito forte. Então, quando a reportagem de Claudia indaga: A ajuda doméstica está mudando de configuração. Cada dia mais, ela deixa de ser paga e passa a ser negociada: saem as profissionais, entram marido e filhos. Será que dá? Ao ler isso pergunto: E quem não tem empregada faz como?

A matéria segue enumerando razões para se ter uma empregada doméstica:

Como eu, muitas mulheres enfrentavam os mesmos problemas trabalhando ou não fora. O tempo não minimizou as questões. Ao contrário, a evolução feminina multiplicou atividades e funções, incluindo ocupações antes exercidas pelos homens (pagar contas, deixar o carro no mecânico). Sem esquecer, claro, da altíssima demanda social para a manutenção da beleza e da aparência.

Veja bem, as novas ocupações femininas não incluem manusear a furadeira para colocar uma quadro na parede, mas sim pagar contas e deixar o carro no mecânico. Além do que, não devemos esquecer nunca da manutenção da beleza e da aparência. É para isso que evoluímos e é por isso que precisamos ter uma empregada doméstica?

A nossa injusta sociedade cria a idéia de que o homem ajuda no trabalho doméstico, mas é essencial estabelecer uma relação não de favor, mas de divisão de tarefas, porque todos moram na mesma casa e todos sujam e bagunçam. Ensinar tarefas domésticas e mostrar no dia-a-dia suas responsabilidades para filhos e filhas é fundamental para a desmistificação da idéia de que precisamos de uma empregada doméstica e que sem ela não iremos sobreviver. O que acontece realmente é que teremos que cancelar uma ida ao cinema, uma saída com amigos, uma festinha no fim de semana ou mesmo mais tempo de sono para limparmos e organizarmos nossas casas. E isso significa reconhecer que temos privilégios, que enquanto tenho lazer há alguem arrumando minha casa. Essa pessoa é uma trabalhadora como eu, merece salário digno e direitos trabalhistas. E também merece mudar de vida, estudar e ter a possibilidade de escolher outra profissão.

Mais para o fim, a reportagem até fala de abdicação e responsabilidade familiar, mas explicita o pensamento de uma classe social mimada que parece não entender que é possível viver sem alguém abaixando-se para catar as roupas do chão:

É uma equação delicada. Nossas filhas, acostumadas à presença do auxílio doméstico, em geral não dão importância a essas tarefas. Foram criadas sem se preocupar com elas e sem treinamento para exercê-las. Portanto, não têm recursos para se transformar da noite para o dia em responsáveis pelo lar. Nem desejam. Por outro lado, a nova geração de meninos parece ser mais cúmplice, porque aprendeu assim. Mas será que eles estão preparados para uma ajuda regular e não eventual?

Por que parece tão difícil educar filhas e filhos para o trabalho doméstico? Por que perguntar se eles estão preparados para limpar e organizar a casa? Crescemos numa bolha em que nunca somos responsáveis por nossa própria sujeira? É de assustar uma reportagem tão maluca a ponto de perguntar se alguém está preparado para ajudar regularmente nas tarefas domésticas. Quanto ao tempo gasto com as tarefas domésticas, ninguém parece levantar na matéria a idéia de reduzir a carga horária dos trabalhadores, de lutar por melhor qualidade de vida e mais tempo com a família. No Brasil, contratar uma empregada doméstica significa abrir uma vaga de trabalho para uma mulher, mas é importante que essa mulher tenha outras oportunidades, direitos garantidos e principalmente, que ela tenha um contrato de trabalho claro, que seja contratada para um serviço específico e não para mimar crianças ou estabelecer tarefas afetivas.

[+] Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de Babás. Texto da historiadora e professora Luana Diana dos Santos.

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

20 comentários sobre “A Vida Sem Empregada”

  1. Bia, muito bom seu post. Sou otimista, acredito que o mundo vem mudando e que a ‘transição’ já vem sendo feita há alguns anos, tanto na ideia de que a empregada doméstica pode e deve evoluir profissionalmente e deve ter seus direitos respeitados, como na ideia de que podemos sobreviver sem a ‘ajuda’ delas. Tenho empregada doméstica, principalmente porquer tenho filhos pequenos e com ela em casa posso sair, ir e vir numa cidade onde não temos família e poucos amigos. Mas fim de semana é por nossa conta. Meus filhos mesmo pequenos arrumam a cama, guardam as roupas, põe a mesa, lavam louça. Minha empregada doméstica é tratada com profissionalismo, como eu sempre fui tratada no mercado de trabalho, e não como alguém da família. Ganha hora extra em raros momentos necessários, tem todos seus direitos respeitados. A atual coincidentemente gosta de tarefas domésticas e é feliz na profissão. Já paguei um curso de cozinha para ela inclusive. Mas já tive outras para quem financei, com o maior gosto, curso de enfermagem, de inglês, de informática e até de motorista 🙂 E flexibilizei horários para que pudessem fazer estes cursos. E elas foram embora da minha casa, com minha total benção. Acho que é por aí. Bjs

  2. Oi, Bia;
    Esta semana li uma reportagem bem interessante que tratava de uma nova classe de trabalhadoras que está surgindo: as empregadas domésticas das empregadas domésticas. E, diferentemente da “Cláudia” que corre entre a oficina mecânica e o salão, a nova patroa usa seu tempo livre para estudar, visando uma carreira profissional.

    Eu tenho empregada doméstica desde que minha filha mais velha tinha um ano. Elas nunca paravam lá em casa, e hoje não tenho ninguém para me ajudar. A todas que começavam lá em casa eu preparava o discurso: ser doméstica não permite subir na profissão; não desenvolve intelectualmente ninguém; não dá vantagens no mercado de trabalho (como todos os benefícios previstos em lei). Elas ficavam espantadas quando eu dizia que empregada tem direito a 20 dias de férias. Ou seja, um degrau acima da escravidão.
    Todas elas estudaram e largaram a vida de empregada. A mais nova que eu tive (e que sumiu depois de limpar meu guarda-roupa) foi a única que jamais teve interesse em estudar. Acabou casando, se enchendo de filhos e hoje é doméstica do marido. As outras ou estão na faculdade (uma delas se formou no ano passado em fisioterapia) ou concluíram cursos técnicos e estão ganhando muito bem. Foram oito empregadas no total em 12 anos. E fico feliz de hoje não ter nenhuma :o)
    Muito bom o seu post.
    Bjs

    Suzana

  3. Nossa, Bia, tô chocada que quem assina o post é uma socióloga! Tudo bem que o público da Cláudia é elitista e a gente não imagina que ela se proponha a romper com o status quo de uma matéria mais profunda. Mas a matéria é muito rasa! Não questiona nada. Simplesmente joga a questão no nosso colo dizendo: “tá difícil, né, tadinha? pede ajuda pro marido!”. Dureza!

  4. O artigo da Cláudia é nonsense? Pode até parecer meio metidinho a besta para alguns, mas a autora deste blogue pensou pouco e deu uma tremenda bola fora.

    Olhe, vou contar uma novidade pra você: SIM, existe gente no mundo que está ocupada demais com outras coisas mais importantes do que perder tempo com tarefas domésticas. Não existe NADA de educativo nem edificante em se esfregar um chão. A gente faz porque… precisa. Não porque é bonito.

    Profissionais têm assistentes justamente para poderem se ocupar mais dos aspectos refinados, complexos, qualificados das suas atividades. É racional, é inteligente um(a) dono(a) de lar querer ter um(a) assistente para lavar suas cuecas ou enxugar o seu chão enquanto está ocupado(a) demais fechando um negócio ou planejando uma campanha, ou qualquer outra questão profissional. Crianças? Rá! As crianças de gente que tem algum dinheiro também brincam pouco em serviço. Estudam muito e desde cedo. Também é muito razoável que elas não tenham que se preocupar com tarefas domésticas. É saudável treinar essas crianças para não perderem muito tempo com tarefas tão básicas. Elas realmente não vão ter tempo para isso quando entrarem na concorrência mortal do mercado de trabalho.

    A comparação com escravidão é ridícula. Nenhuma dessas empregadas domésticas é escrava, são todas LIVRES, podem largar o emprego na hora que quiserem, mas não largam porque… Bem, porque precisam do emprego, né? Porque é esta a realidade da maioria da população, ter que trabalhar para pagar as contas. É a minha própria situação, inclusive. Então, veja só, as empregadas domésticas estão no mesmíssimo barco que todos nós, onde todos dançamos miudinho e engolimos sapos todos os dias para pagarmos nossas contas. Inclusive o próprio patrão, mesmo que seja rico, tem que rebolar muito no trabalho, lutar com os concorrentes e engolir sapos de clientes e superiores para tocar sua vida profissional, ganhar o dinheiro, manter a família e… manter a empregada doméstica. Pois é, este aqui é o tipo de artigo em que se “esquece” deliberadamente que pros ricos também não cai nada do céu. Rico, na maioria dos casos, chegou lá à custa de muito esforço. E, depois que chega lá, tem que continuar fazendo muito esforço para não perder o lugar. Todo mundo conhece bem a fórmula da fortuna, só que pouca gente encara a briga. A maioria prefere tomar caminhos mais fáceis e ficar resmungando que o mundo é injusto.

    A empregada não só pode largar o emprego, pode também trocar de profissão. Ah, mas ela não tem qualificação, né? Não teve estudo, coitada… Pois é, mais uma vez, ela está no mesmo barco que um número incalculável de pessoas que não são empregadas domésticas. Mas, por conta da ligeira semelhança com o trabalho escravo de séculos passados, defendê-las como se fossem coitadinhas parece uma analogia muito nobre, muito inteligente, e sem furos. Mas não é. Trabalho doméstico não tem NADA a ver com escravidão. A classe média está coalhada de jovens que estudam muito à custa de muito esforço dos pais e não conseguem entrar no mercado de trabalho. Pois é, e agora? Ah, mas nesse caso nem você deve ter muita disposição para tentar fazer comparações com escravidão, né? Porque nesse caso não existe semelhança nenhuma, nem com muito esforço de imaginação. E falar dessa dificuldade da classe média não tem graça, né, porque aí não fica mais parecendo que você é defensora dos fracos e oprimidos. Você mesma se entrega ao mencionar mulheres negras. Opa! Negras?!! Que diabos têm as mulheres negras a ver com isso? Nesse contexto todo da posição que você tenta defender, que fiapo de relevância existe na raça/cor da pele das empregadas domésticas? Como foi que você transformou este assunto em questão racial? Então, se a maioria das domésticas fosse de mulheres brancas, você nem teria tocado no assunto? Ah, sim, é que você quis fazer uma pseudo comparação com os tempos da escravidão. Truquezinho baixo esse seu…

    Eu fui office-boy com 16 anos, ganhava uma miséria, era mal tratado, cheguei a ser humilhado, e nunca me considerei “escravo”. Era o que eu consegui arranjar e suportei até ter condições de ter um emprego melhor. É a vida! Cresci sem pai, estudei muito na juventude com ajuda da minha mãe e livros que eu comprava ou tomava emprestado. Eu GOSTAVA de estudar. Mas o mundo está cheio de pobres que têm sempre desculpa na ponta da língua para fugir de estudo. Hoje em dia eu sou autônomo, não tenho patrão. Se eu tiver uma doméstica, EU vou ter que engolir sapo dos meus clientes e lutar com a concorrência dia após dia e ganhar o suficiente para pagar o salário da empregada + décimo-terceiro + obrigações trabalhistas + seguro contra acidentes + a multa de rescisão da pilantra que, quando achar que é hora de ir embora, provavelmente vai forçar uma demissão sem justa causa em vez de pedir demissão, porque assim ela recolhe a indenização. EU vou arcar com tudo isso, pois não tenho patrão. Não tenho nem décimo-terceiro. Mas a empregada… Ah, coitadinha da empregada, tão pobrezinha… A “escrava” é ela, mas quem paga tudo sou eu!!!

    Fala-se muito das empregadas “coitadinhas”, mas não se fala de como muitas delas são péssimas profissionais. Não tenho doméstica, mas já tive, experimentei várias, e vi que a classe não se profissionalizou de verdade. Elas só ganharam pose, ficaram mais arrogantes. Empinam o nariz, exigem direitos e valores mínimos, mas não limpam direito, não querem limpar aqui ou ali porque dá muito trabalho (“isso eu não faço”), não chegam na hora, faltam sem aviso, destratam as crianças e, quando não querem mais o emprego, forçam a demissão para recolher a indenização. Ao empregador só resta preparar-se desde o primeiro dia para pagar essa indenização mais cedo ou mais tarde. Agora há quem reclame da concorrência paraguaia, mas isso não se deve só a uma questão de valores. Se as empregadas brasileiras trabalhassem direito, não haveria espaço para concorrência paraguaia.

    A Luciana Betenson comentou aí em cima, diz que se orgulha muito de ter dado curso de enfermagem, de inglês, de informática e de motorista, “com muito gosto”, para sua empregada doméstica. Legal, bonito, mas isso se chama “caridade” ou “amizade”. Não se chama “obrigação”. Empregador não tem obrigação nenhuma de dar essas coisas para sua empregada doméstica. A empregada tem que administrar suas contas, juntar dinheiro e se financiar. É o drama de quase todo mundo. Não é difícil só para as domésticas. É difícil também para o empregador, que tem que pagar de “paizão” e ficar bancando o salário da empregada + encargos e o que mais vier de custo do privilégio de criar uma das vagas de emprego que algum candidato a cargo público prometeu quando estava no palanque.

    Esse papo de doméstica “coitadinha” é clichê, clichê gasto e furado, não resiste a argumentação fria e realista de como a vida funciona. E, se você acha que vai ganhar algum crescimento moral, espiritual ou intelectual por fazer as próprias tarefas domésticas em vez de contratar alguém para fazê-las, arre, então faça-as, mas não se meta com quem tem outra opção de vida. O seu jeito de viver não é o único nem necessariamente o melhor.

  5. ” não se meta com quem tem outra opção de vida”

    Hahahahahahahahahaha!
    Sendo muito sexista, TINHA QUE SER HOMEM! Assina como anônimo e ainda dita o que a autora do blog escreve EM SEU PRÓPRIO ESPAÇO!
    Hahahahahahahahaha!
    Só tenho um comentário a fazer: pobrezinhas das mulheres que convivem com esse cidadão: deve ser daqueles que não rega o vaso e obriga a empregada a limpar o banheiro depois porque ele paga o salário dela, né?

  6. Eu ia comentar o texto, mas acabei ficando mais chocada com o comentario do “Facebook-296”. Em nenhum momento se disse que era errado ter empregada doméstica, mas que o errado era considerar que ela não tem direitos como qualquer outro assalariado. Porque seria diferente para elas???

    “As crianças de gente que tem algum dinheiro também brincam pouco em serviço. Estudam muito e desde cedo. Também é muito razoável que elas não tenham que se preocupar com tarefas domésticas. É saudável treinar essas crianças para não perderem muito tempo com tarefas tão básicas. Elas realmente não vão ter tempo para isso quando entrarem na concorrência mortal do mercado de trabalho.”
    Eu dei uma risada com tanta alienação.
    Eu era uma criança de “gente que tem algum dinheiro”, pelo menos durante a minha infância, depois isso mudou um pouco… Estudava em escola francesa, ou seja, desde cedo e o dia todo. E brincava, veja você!
    E tive empregada em casa durante minha infância, e ela era tratada, não com essa hipocrisia de “da familia”, mas como uma assalariada, com todos os direitos E deveres de tal posição. Minha mãe, desde sempre, ensinou que a empregada doméstica NÃO estava la para fazer minhas vontades ou catar minha roupa do chão, mas para auxilia-la no trabalho da casa. Desde pequenas minha irmã e eu aprendemos, sim, a cuidar de nossas vidas, a sermos autônomas e independentes. Porque justamente, para entrarmos na “concorrência mortal do mercado de trabalho”, precisamos entrar na faculdade, morar sozinhas, inclusive no exterior, onde essa mordomia de empregada em casa quase não existe. E ai, como é que fica? E justamente, aprender a ser autônoma, a cuidar da sua propria vida, é um fator a meu ver imprescindivel para se dar bem no mercado. Procurar emprego com uma mentalidade de sinhozinho/sinhazinha não ajuda em nada.

    “Então, veja só, as empregadas domésticas estão no mesmíssimo barco que todos nós, onde todos dançamos miudinho e engolimos sapos todos os dias para pagarmos nossas contas”. Não. Elas não estão no mesmo barco, pois não têm os mesmos direitos trabalhistas. A questão é somente essa.

  7. Mais uma coisa (na verdade eu queria discutir todos os pontos do Facebook-296).

    Você diz : “Fala-se muito das empregadas “coitadinhas”, mas não se fala de como muitas delas são péssimas profissionais. Não tenho doméstica, mas já tive, experimentei várias, e vi que a classe não se profissionalizou de verdade.”
    EXATAMENTE. E para a classe se profissionalizar de verdade, as empregadas têm que ser consideradas verdadeiras profissionais. O vínculo empregatício sério é benéfico para as duas partes. Uma empregada doméstica treinada e/ou com experiência, ou seja, que vai ser uma ótima profissional, vai exigir um salário à altura, e os direitos que merece como profissional. O empregador que joga limpo, com carteira assinada, etc., vai usufruir de um trabalho bem-feito e vai poder se proteger caso a profissional falte com as suas obrigações, podendo inclusive demiti-la por justa causa. Mas você parece ser dos que preferem pagar pouco, não dar seguro, obrigações trabalhistas, etc… E se surpreende por não conseguir boas empregadas. Lei do mercado é isso, amigo! Vale para empregadas domésticas e para diretores de grandes empresas.

  8. Cecília, fiquei mesmo surpresa com a reportagem falar tantos absurdos.

    Luciana, também acho que devemos apoiar a profissionalização da empregada doméstica e propor capacitação em outras áreas, como qualquer empresa deveria fazer por nós.

    Suzana, interessante saber dessa nova classe social. Obrigada pelo comentário.

    Iara, realmente fiquei passada com essa matéria. Do tipo “oh pobres de nós, coitadas de nós que não podemos mais ter uma empregada”. O discurso para a elite anda cada vez pior, fiquei até curiosa para ler a seção de cartas da próxima edição.

  9. Facebook-296, tão fácil esconder-se atrás do anonimato na internet para evidenciar seus preconceitos, não é mesmo? Bom, você mesmo esclareceu, lavamos o chão porque é preciso, não porque deve existir alguém para fazer isso por nós. Nosso passado escravocrata tem estreita ligação com a forma como vemos a empregada doméstica atualmente, por isso é importante lutar pela valorização da profissão. Nosso passado tem estreita ligação com nosso presente nos aspectos sociais. Então, você realmente acha que uma mulher pobre que tem como única forma de ter uma renda o serviço de doméstica é uma pessoa livre? Ninguém aqui está reclamando de quem se esforça mais ou menos, mas vivemos sim numa sociedade injusta em que uma mulher pobre negra tem muito menos chances de alcançar status sociais do quem um homem branco que nasceu rico, mesmo que ele tenha que ralar muito para estar lá.
    E ninguém aqui está dizendo que o jeito de viver é melhor ou pior, estamos aqui tentando mostrar a pessoas como você que não basta ralar para chegar lá, que há estruturas perversas que dificultam o acesso a educação e cidadania de milhares de pessoas. E é muito triste encontrar pessoas como você que não querem enxergar as questões raciais e lutar por um mundo mais igualitário, preferem simplesmente vomitar seu privilégios em comentários de blogs.

    Suzana e Carol, super obrigada pelos comentários!

  10. Tivemos empregada em casa por um período, quando eu era mais nova. Me lembro que, uma vez, eu deixei a pia cheia de louça, à noite, e fui dormir. Meu pai me acordou e me mandou lavar, porque a empregada era paga para nos ajudar a manter a casa limpa, e não para fazer todo o trabalho pór nós. 😉
    Hoje tenho aqui a Cleide, que vem duas vezes por semana, e – salvo raríssimas excessões – ela encontra a casa razoavelmente arrumada quando chega pra trabalhar. Uma questão de respeito e de bom senso, creio eu.

    Passei por um perrengue sem par até encontrar a Cleide. Mas fiquei contente, porque o motivo foi mais que válido: as diaristas agora podem escolher onde vão trabalhar, estão cobrando o que acham justo pelo seu trabalho (algumas me cobravam valores que eu não podia pagar, mas isso é um problema meu, não delas), e estão vislumbrando um futuro melhor, se não para si, para os seus filhos.

    Não creio que as empregadas/diaristas estejam ficando escassas no mercado de trabalho, a gente é que vai ter que desembolsar mais para termos uma trabalhando conosco. Justíssimo!

  11. Eu moro nos EUA, e aqui mesmo as executivas que tem assistentes para “tarefas menores” na empresa, quando chegam em casa precisam fazer comida e esfregar o chao. Os maridos e filhos, idem. Sem empregada/escrava, a divisao do trabalho entre homem e mulher magicamente acontece. Incrivel, nao? Claro que existem ainda homens machistas nos EUA, especialmente vindos de outros paises, que se recusam a dividir o trabalho domestico, mas uma mulher pode facilmente se livrar do traste e encontrar outro mais disposto a cooperar.

  12. Que idiota esse facebook-296.
    Cresceu sem pai? Legal, eu também! Estudou muito? Eu também. Mamãe ajudou? A minha também, e por isso eu entendo que ela deixou de estudar e ficou trabalhando, cuidando da casa e de mim, para que eu pudesse estudar.

  13. Eu até podia rebater as críticas que foram feitas a mim, mas… pra quê? Basta ler os comentários e conferir: nenhum dos meus pontos de vista foi devidamente questionado e combatido especificamente, com argumentos que pelo menos tentem comprovar de forma lógica que eu estou errado. Em vez disso, só fizeram ataques “ad hominem”. Será que as pessoas daqui sequer sabem o que significa “ad hominem”? Pelo nível da discussão, duvido. Fui xingado, e várias pessoas, inclusive a autora do blog, cismou de implicar com o fato de eu ter postado como anônimo. Oras bolas, que diferença faz eu assinar como Facebook-296 ou Chico das Candongas? Então a autora se chama Bianca Cardoso. OK… E daí?! Que diferença faz? Nenhuma! Simplesmente não tinham argumentos e mudaram de assunto.

    Então tá. Fiquem aí se deliciando com o som da própria voz.

  14. Facebook-296, na internet o anonimato faz toda diferença, porque é por meio dele que as pessoas se escondem para destilar seu preconceito. As outras pessoas que comentaram aqui deixaram um email válido, eu poderia contactá-las de algumas forma, poderia até mesmo denunciá-las se tivessem cometido algum crime de injúria. Mas o comentarista anônimo se esconde justamente para não ser identificado, porque não tem coragem de mostrar a própria cara.

    As pessoas em diversos países dos mundo devem se preocupar com sua propria sujeira, especialmente as sujeiras de suas casas pessoais. Tarefas domésticas são tão importantes como qualquer outro trabalho, pois ter um casa basicamente limpa significa cuidar de si. E essa mesma pessoa, se decidir contratar alguém para fazer o serviço doméstico não deve explorar ninguém, deve pagar um valor digno e respeitar os direitos trabalhistas. Existe muita educação em se esfregar um chão, pois você aprende a cuidar de si mesmo, assume responsabilidades por sua sujeira e pelo o que você produz. E você disse muito bem, fazemos porque precisamos, portanto, não é obrigatório que exista alguém para limpar as privadas de nossas casas.

    Você em seu comentário mostra um pensamento extremamente preconceituoso em relação as classes sociais. A criança de quem tem dinheiro não brinca em serviço, mas e a criança de quem não tem dinheiro? E o filho da emprega doméstica? Não tem direito também a educação de qualidade? E o filho de quem tem dinheiro tem que crescer numa bolha, achando que alguém sempre vai catar suas roupas sujas pelo chão? O saudável é criar crianças para serem independentes, para não dependerem de alguém que lavem suas cuecas. E se um dia a empregada faltar, a criança vai viver na imundície, pois não sabe lavar um copo?

    E você acha que a concorrência do mercado de trabalho é mortal e pronto? Não há nenhuma crítica a um sistema preconceituoso e que explora trabalhadores? Não podemos fazer nada para mudar? Pois eu luto para que o mercado de trabalho seja cada vez mais justo e menos mortal. Porque não há lógica em transformar a sociedade em uma grande empresa, quando na verdade ela é feita de pessoas e não de máquinas.

    Se você me diz que o mercado de trabalho é mortal, como depois você me diz que as pessoas são livres? Se você não pode largar seu emprego, você não é livre. E digo mais, você tem muito mais opções de trabalho do que uma empregada doméstica. Quais as opções para uma mulher negra que cresce na periferia de uma grande cidade, que não tem acesso a educação, pois nossa sociedade acha que só filho de rico tem que estudar? Sabe, não basta correr atrás, porque mesmo que você lute bastante encontrará várias portas fechadas. Até hoje empresas dizem aos profissionais de RH: “contrate quem tem boa aparência, não contrate pessoas negras, etc”. Aí vamos olhar quantos negros temos na Câmara dos Deputados, no Senado, no STF. Será que apenas 2 ou 3 se esforçaram, enquanto os outros não quiseram correr atrás? Acorde, há milhares de mecanismos sociais que corroboram preconceito contra diversos grupos sociais. Mesmo um negro rico terá menos portas abertas que um branco rico. Basta ver quantos negros famosos há fora do futebol, por exemplo. Tem negro dono de construtora? Tem negro médico ganhador de nobel de medicina? Ao nascermos numa classe privilegiada automaticamente ganhamos privilégios.

    O trabalho doméstico no Brasil tem estreita ligação com nosso passado escravocrata porque mulheres negras são maioria nesse trabalho. Ali no post há dados do Dieese para você conferir. Se você nunca leu um livro de história, saiba que trabalho doméstico no Brasil tem estreita relação com a escravidão, basta ver que em outros países que não tiveram a escravidão tão alastrada como no Brasil, a figura da empregada doméstica não existe. Na Europa e nos Estados Unidos quem tem empregada doméstica é gente riquíssima e em nenhum desses países ela é tratada como se fosse da família, diferentemente do Brasil onde o paternalismo com a empregada doméstica é muito comum. E aí o que a Luciana Betenson fala que faz ali em cima, não é paternalismo, é capacitar seu profissional, do mesmo jeito que as empresas fazem. A grande maioria das empresas hoje pensa em programas de capacitação e aperfeiçoamento de seus funcionários. Paternalimo é tratar a empregada doméstica como sendo da família, mas explorando-a, sem dar-lhe direitos trabalhistas.

    E muito mais fácil e menos doloroso dizer que o mercado de trabalho é mortal, que nada vai mudar, do que parar e refletir sobre o racismo estrutural que constitui nossa sociedade, sobre as imensas desigualdades que nos caracterizam, sobre os privilégios que esse estado de coisas nos concede, sobre nossa cumplicidade quase sempre inconsciente e involuntária com esse sistema perverso. A questão racial é fundamental para explicar diversos mecanismos de discriminação na estrutura social do nosso país. Ou por que você acha que a maioria da população negra é pobre? Imagine o descendente de um escravo que depois de libertado foi jogado a própria sorte comparado com um descendente de um barão do café, que enviou os filhos para estudar na europa, ou comparado com o filho de um dono de comércio? Ricos tem sim que trabalhar para manter suas riquezas, mas socialmente eles estão no topo da pirâmide, com todos os privilégios, com anos de educação e desenvolvimento passado de geração em geração. E é isso que nós, que temos acesso constante a internet, por exemplo, precisamos encarar, que somos privilegiados. Damos duro para ter o que temos, mas há pessoas menos privilegiadas que não tiveram as mesmas oportunidades. Não é para ninguém aqui se culpar por ter uma empregada, mas é para pensar e refletir sobre maneiras de dar mais dignidade a profissão, de estabelecer direitos trabalhistas claros e possibilidades para que ela mude de caminho. Porque eu, que sou privilegiada, que não trabalho em um serviço que em esgota fisicamente, posso fazer outro curso universitário a noite e mudar de profissão.

    Você acha que as pessoas não gostam de estudar simplesmente porque não gostam? Veja bem, a sociedade é construida em cima dos valores da classe social dominante. Então, atualmente na cultura ocidental, estudar é o que se faz necessário para ter em tese uma boa vida. Mas qual o estímulo que as pessoas das classes marginalizadas recebem para estudar? As pessoas das classes privilegiadas lutam por um ensino de qualidade? Porque sabe, ninguém nasce gostando de estudar, isso pode ser uma construção individual, mas é muito mais uma construção social, no sentido de haver o incentivo para que a pessoa goste de estudar. Então, pare de achar que nesse mundo é cada um por si, porque não é. Crescer numa família que estimula o estudo, que tem acesso a livros e a internet hoje é crescer num lar extremamente privilegiado, porque hoje a informação é o produto. Porém, assim como tudo no capitalismo, o produto não é acessível a todos.

    Não sei realmente porque você tem que engolir sapos de seus clientes, se pode lutar por uma sociedade mais justa e democrática, onde as pessoas se respeitem. Onde você explique ao seu cliente que você não é uma máquina, mas sim uma pessoa. E sim, se você tiver uma empregada doméstica terá que pagar todos os direitos trabalhistas dela e se não puder pagar, não tenha. Porque ninguém é obrigado a lavar suas cuecas só porque você acha que há coisas mais importantes a fazer. Você pode não lavar as cuecas e sempre comprar novas.

    Quanto a empregadas que são péssimas profissionais, você mesmo disse, elas estão no mesmo barco que todos os outros trabalhadores. Em qualquer área de trabalho sempre irão existir péssimos profissionais. Cabe ao empregador manter esse empregado ou procurar outro. É incrível o fatalismo dos seus comentários, como se todas as domésticas fossem péssimas trabalhadoras e por isso não merecem ter direitos trabalhistas. Tem gente que constrói prédio sabendo que ele vai cair e coloca pessoas morando lá dentro. A concorrência paraguaia não existe porque as empregadas brasileiras trabalham mal. Ela existe porque há pessoas com grana no país que não querem pagar direitos trabalhistas, querem claramente explorar mão-de-obra e ainda manter pessoas vivendo ilegalmente no país. Nem sei quantos crimes contra os direitos humanos se cometem aí. Tanto que as pessoas entrevistadas na reportagem sobre empregadas paraguaias preferem ficar no anonimato, porque é sempre mais fácil assumir nossos crimes no anonimato.

    Este texto não é para ninguém ganhar crescimento moral, espiritual ou intelectual por fazer as próprias tarefas domésticas. É justamente para criticar a maneira como a Revista Claudia encara o trabalho doméstico no Brasil. Como se fosse obrigatório ter alguém limpando tudo, como se a família brasileira não fosse responsável por sua própria sujeira. E eu não estou aqui dizendo que a empregada doméstica é uma “coitadinha” e que o patrão é um cara perverso e malvado. Estou aqui para debater as estruturas que levam o trabalho doméstico no Brasil ser visto como algo imprescindível. Porque eu acredito é possível mudar uma série de coisas na sociedade, não acredito que tenho que aceitar o mercado de trabalho mortal como ele é e pronto. As pessoas precisam refletir, pensar e propor mudanças que beneficiem as pessoas e não o mercado. Para mim clichê é a pessoa vir dizer que “é só se esforçar que a pessoa consegue tudo o que quer”. Está mais do que comprovado que não. Clichê é a pessoa vir reclamar que paga muitos direitos trabalhistas, que os impostos são um absurdo, mas troca de carro todo ano para manter a pose social.

  15. Facebook-296, entre outras pessoas, eu rebati especificamente vários de seus pontos de vista (inclusive partindo de citações suas), com meus argumentos, e não creio ter feito nenhum ataque “ad hominem” contra você (sim, sei perfeitamente o que quer dizer ad hominem). Critiquei a alienação de um dos seus comentários, mas foi só. E não fui a única a rebater, com argumentos, as suas afirmações. Já você só voltou aqui para, desajeitadamente, questionar o nível intelectual das pessoas que não estavam de acordo com você, se fazer de vítima e dizer que não ia rebater as críticas (porque será?).
    Mas vou parar por aqui para seguir uma regra básica da Internet: “Don’t feed the troll”.

  16. Qual ‘e o problema em ser empregada domestica? A autora do blog diz que a empregada domestica ” nao e’ livre” pois nao estudou e somente lhe sobrou o servico domestico. Ao mesmo tempo conclama todos da casa para realizar esse mesmissimo servico. Ora, se todos nos podemos realiza-lo – e nao o fazemos porque nao temos tempo e trabalhamos demais, qual seria o problema de contratar um empregado domestico?
    Qual seria o grande imbroglio dessa situacao?
    Existe um grande preconceito – ate mesmo por parte dos ditos “intelectuais” sobre o trabalho domestico.
    E mais uma coisa: sao merecidissimos os direitos trabalhistas como FGTS e os que ja existem, mas ‘e preciso lembrar que quem contrata uma empregada domestica ‘e tambem um assalariado, que luta para pagar R$ 1200,00 mensalmente por esse servico (isso sem contar as despesas como alimentacao, luz, moradia, agua etc). Uma domestica recebe isso em media em BH, livre de qualquer desconto, ao passo que outro assalariado paga ate mesmo seu proprio uniforme e outras coisas basicas.
    Discordo totalmente que pessoa fisica, assalariada, tenha que agir como empresa privada.
    E nao ha’ nenhuma vergonha no servico domestico!!!
    E ainda conto um fato inusitado: conheco uma mulher, psicologa formada, que e’ domestica ha’ anos. Optou pelo trabalho depois de muito se cansar procurando empregos. Ganha muito mais, sem descontos, do que ganharia empregada em sua profissao. E ai’, eu pergunto: qual e’ mesmo o problema do servico domestico?

  17. Oi, Christianne;

    Em nenhum momento a autora do blog viu problema em ser doméstica – uma profissão (até hoje mal regulamentada) como qualquer uma. O que ela póe à vista é o costume brasileiro de achar que doméstica = escrava, ou seja, pessoas que acham que o certo é deixar a toalha molhada no chão do banheiro e a cueca imunda pendurada na maçaneta da porta porque, afinal, “tem empregada para isso”. Civilidade, eis a questão.
    Domésticas têm, sim, desconto de INSS. E a grande massa de assalariados até há uma década pagava o salário da empregada porque esta sempre foi uma categoria muito mal remunerada. Se você tem, como eu, mais de 40 anos deve ter conhecimento do costume de mães e avós de “importarem” empregadas do Nordeste ou do interior do estado. Porque não tinham maus hábitos, tinham medo de cidade grande, teriam que dormir no emprego e, melhor ainda, não eram “gananciosas” para pedir “salário alto”.
    O que se vê hoje é toda uma categoria profissional se encarar exatamente como tal – uma categoria de profissionais, com salários regidos pelo mercado e com benefícios trabalhistas em regime de CLT.
    Ser doméstica não é vergonha – mas, como todo trabalhador, a empregada deve ter horizontes profissionais. Pode querer se especializar ou mudar de profissão – e não ser doméstica porque, semianalfabeta, com inúmeros filhos para sustentar e sem perspectiva de outro emprego, opta por limpar banheiros de patrões que não acertam o vaso sanitário na hora de mijar (o que tá ok porque, afinal, a empregada limpa. Ela não é paga para isso?).
    Abs,

    Suzana

  18. Cristianne, como a Suzana esclareceu, suba no post novamente e me diga onde eu disse que é um problema ser empregada doméstica? O que disse é que para muitas mulheres essa é a única opção de trabalho devido as desigualdades sociais que afetam muitas mulheres negras.

    E você acha que a sua empregada doméstica tem tempo para limpar a casa dela ou ela trabalha demais? É preciso pensar nessas situações também. O emprego doméstico é uma característica brasileira por diversos fatores, entre eles nosso passado escravocrata, tanto que a maioria das empregadas domésticas são negras.

    E do mesmo jeito que seu patrão também luta para pagar seu salário a classe média também deve lutar para pagar o salário da empregada doméstica. É com valorização do trabalho que conseguimos algumas igualdades sociais. Afinal, por que a classe média precisa, não sabe viver sem uma empregada se em tantos outros países do mundo a classe média vive sem empregada?

    Não há nenhum problema com o serviço doméstico. O problema é quando ele é a única opção de emprego para milhões de mulheres e não tem o status das outras profissões. A psicóloga formada que trabalha como doméstica pode fazer essa opção. Mas e a mulher negra que só tem o primário, que opções ela tem? É isso que quero propor a discussão.

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