Estupro, no dos outros, é refresco.

Ontem o Metheoro me mandou uma entrevista com um famoso humorista macho engraçaralho. Entre algumas frases proferidas em seu “show de humor” estão:

“Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho.”

“Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade.”

“Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço.”

O estupro é uma das formas de violência mais cruéis. Não é apenas a violência física, como uma porrada ou um chute no rim, é também a violação do corpo, do privado, do íntimo, a submissão e humilhação. Há também graves consequências, físicas e psicológicas que podem resultar desse ato. Desde uma gravidez, passando pela contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, até ferimentos graves na vagina e no reto.

Eu não fiz nada para merecer ser estuprada. Imagem de Steve Rhodes no Flickr, em CC.

A grande maioria das vítimas de estupro são mulheres. Em nossa sociedade é obrigação da mulher ser bonita. Se ela for feia não tem direito a nada, nem mesmo a uma trepada. Você não vê homens feios sendo chamados de dragão. Quando homens feios estão de mau humor ninguém diz que eles são pessoas mal comidas. Os padrões de beleza também são impostos aos homens, mas você não vê alguém dizendo: “Todo homem que eu vejo na rua reclamando que foi estuprado é feio pra caralho”. Dizer que mulher mereceu ser estuprada porque usava uma saia curta é justificativa para muita gente. Afinal, vivemos num mundo em que nos ensinam: “Não seja estuprada”. Ao invés de: “Não estupre”. Em nossa sociedade existe o conceito moral da mulher estuprável.

Acredito que as pessoas devem censurar certas piadas. Porém, a Renata Correa me mostrou que o humor pode falar de tudo, mas que ele só é realmente engraçado quando é criativo, quando cumpre sua função de destruir o senso comum. “A ofensa pela ofensa, pode causar espanto, surpresa, vergonha alheia, constrangimento. Mas chega a ser desqualificar o trabalho de humoristas realmente engraçados, chamar isso de humor. Pois isso aí não tá invertendo a lógica vigente. Isso aí não tá dando um nó, isso aí não tá sendo novo. Tá sendo velho. Conservador. Ultrapassado pra cacete. Nesse sentido, os bordões do Zorra Total estão anos luz a frente”.

Ofender mulher feia é chutar cachorro morto. Somos ofendidas todos os dias quando ligamos a tv e só vemos mulheres perfeitas. Acho que as propagandas de comércios locais são as únicas com mulheres comuns, que podem ser encontradas facilmente pelas ruas ou em nossas casas. Mulheres não podem ser feias e não podem envelhecer. Não há uma única mulher apresentadora de cabelo branco na tv, mas podemos citar rapidamente 4 apresentadores de telejornal homens, carecas/calvos, velhos e sérios. A maioria com uma apresentadora jovem, branca e sorridente dividindo a bancada. Há homens, apresentadores de telejornais, jovens, velhos, bonitos, feios, brancos, negros e até asiáticos. Não há pluralidade para mulheres. Há poucas chances de fugir dos padrões. Imagine qual nosso papel na maioria dos programas humorísticos: gostosa burra ou feia chata. Hilariante, não?

Concordo com o Laerte quando fala dos limites do humor: “Não, não tem que ter limites. O que a gente tem que ter também é uma crítica ilimitada. O humor tem que ser solto como qualquer linguagem humana tem que ser solta e livre, o que a gente tem é que ter o direito de exercer o poder da crítica sobre isso permanentemente. Então você dizer que uma piada é racista, ou sexista, e argumentar nessa direção, não é censurá-la, é exercer seu direito de crítica”.

O humor ofensivo segue a linha de pensamento de uma sociedade conservadora. Não é transgressor. Ensinar a arte de insultar é fazer o que já fazem há milhares de anos, cada família ensina a seus filhos seus próprios preconceitos. E também ensinam a dizer que o preconceito está na cabeça das pessoas. Porque ninguém quer assumir sua parte e seus privilégios. Somos todos preconceituosos. Porém, o que ganho insultando outra pessoa?

Estupro é ódio. Imagem de Steve Rhodes no Flickr, em CC.

Hoje está cheio de humoristas engraçaralhos por aí, na mídia e em blogs de sucesso. Por quê? Por que querem tanto ter o direito de ofender? Por que mulheres e homens acham graça e reverberam essas falas? Na minha opinião, essas pessoas não querem fazer piadas, querem é mostrar quem manda no pedaço. Não fazem um humor de quem ri de si mesmo, mas sim de quem agride os outros. Porque toda vez que uma minoria cresce, ganha poderes e direitos, há um movimento contrário que quer colocar essas pessoas de volta no lugar delas, de onde não deveriam ter saído. Querem homossexuais nos guetos com seus trejeitos. Querem negr@s fora da elite com sua pobreza. Querem lembrar as mulheres que para serem valorizadas devem ser gostosas e burras. Querem sempre reproduzir estereótipos e clichês. Não é engraçado como a única vez em que sua raça ou gênero são questionados, é quando você não é um homem branco? Há piadas com brancos e heterossexuais, naquele estilo: quando é que um branco sobe na vida? Ou 4 heterossexuais estão num posto de gasolina, qual o nome do filme?

Então, até apoio que Rafinha Bastos vá as cadeias abraçar todos os estupradores. Porque realmente acho que todos merecem uma segunda chance, inclusive os idiotas. Mas antes, talvez ele pudesse aprender algumas coisas sobre humor com a Wanda Sykes.

Update: O Metheoro fez um ótimo post explicando como fazer denúncias ao Ministério Público ou ao Safernet. Porque humoristas engraçaralhos também podem responder por suas ofensas.

Como denunciar crimes de ódio na internet?

Para denunciar é muito simples: Basta você entrar no site do Ministério Público do seu estado, todos eles tem uma seção de “denúncia online” ou “contato online”. Lá você deve colocar todo o  teor da sua denúncia. No meu caso o que eu fiz: como eu já tinha o nome completo da pessoa em questão (consta no site da justiça) mandei-o, inclusive com o número do processo e a decisão do juiz naquela época, mandei também prints (hospedados no Tinypic e dropbox, que são “guardadores online”) e os links de todos os tweets ofensivos, não só a mim, mas a diversas pessoas. Tudo em forma de texto e no campo indicado. No site do MP-Pe eles ainda dão um telefone 0800, onde você pode denunciar via telefone, caso não queira digitar nada. Praticidade, meus caros.

[+] Politicamente incorreto não é transgressor, Rafinha

[+] A arte de insultar os outros

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41 thoughts on “Estupro, no dos outros, é refresco.

  1. o senhor rafael bastos cometeu 4 crimes

    1 o primeiro, o de copiar a lógica de pensamento da piada de estupro do george carlin, um dos maiores humoristas dos eua (apesar dele ter falado que não conhecia o texto do carlin alguns tuits depois… veja só não, o maior comediante standup deste 1950 e o senhor bastos nao conhecia)

    2 o de mesmo após o plágio, da piada ter sido sem graça. Bom, veja o standup do carlin “rape can be funny” pra ver como É ENGRAÇADO

    3 o do crime em si, que foi uma idiotice sem tamanho

  2. Bia,

    Não são só humoristas que acabam irradiando uma ideologia completamente reacionária, por que sim, como bem sabes acho que isso passa por disputa ideológica na sociedade e eles assim como o Pondé (aff… escrevi até um texto respondendo aquele meninas fáceis que ele publicou na folha em maio do ano passado http://bdbrasil.org/2010/05/06/facil-para-quem/) e tantos outros que tem espaço na grande mídia por corroborarem com o que a grande mídia quer repassar pra população.

    Infelizmente hoje não há setor organizado realmente pra confrontar ideologicamente esse povo de maneira qualitativa, mas isso não quer dizer que não tenhamos que nos organizar e disputar isso, mas que é difícil… Aff, se é!

  3. Estou fora do Brasil ha’ um bom tempo e me desanima ver que pessoas como o Rafinha sao tao influentes, contribuindo para o machismo e a pobreza de ideias no pais. Que mais pessoas como voce ganhem espaco. Talvez esse incidente lamentavel abra os olhos das redes de TV para a necessidade de uma programacao mais inteligente e civilizada. bjs

  4. Um dos melhores textos que li, vou reverberar por aí e pedir licensa para você, se possível, copiar em outros blogs de destaque também.

    De minha parte, como falei ontem pra você no twitter, abri uma denúncia no MP-PE contra o Rafinha e a Revista Rolling Stone Brasil, assim como quando abri a denuncia contra o perfil @frontnacional/@contragays/@jutedesco (todos da mesma pessoa) e que já está em fase de apuração por parte do ministério. Para quem não sabe, os perfis eram homofóbicos, racistas e incitavam crime de ódio.

    E Leila, o rafael bastos (assim, em minusculo mesmo) só é “influente” por que a gente deixa ele ser influente. Não é por que esse cara teve um destaque no NYT (e a mídia tupiniquim copia como manada) que eu vou achar que as opiniões ou piadas dele valem de alguma coisa. O fato é: O CQC tem uma audiência pifia, menos de 5 pontos de audiência o que da menos de 5 mihões de pessoas vendo… num país continental como o Brasil isso é nada. O que me choca é como a imprensa escrita e os anunciantes são conquistados por esse cara (ou aqueles caras)…

    Outra coisa que vale a análise: rafael é um dos garotos propagandas da Pepsi no Brasil. Pepsi é uma das maiores empresas do mundo comandadas por uma mulher… o que acharia a PresidentA da Pepsi se soubesse que seu garoto propaganda preferencial, num dos mercados que mais crescem em consumo é favor deste jeito no quesito aborto??

    :)

  5. to muito chocada com essa coisa do rafinha bastos. Ir na cadeia abraçar estupradores???? Gente, isso NÃO é engraçado. É cruel. Conheço mulheres estupradas que tiveram suas vidas destruídas, que vivem no trauma… que isso, gente? Cadê o limite?

  6. Ana, obrigada pelo comentário.

    Eu, acho uma pena você preferir comentar anonimamente, piada sem graça não é plágio. Há muito tempo se faz piadas sem graças com o estupro de mulheres feias. A do Carlin vai na mesma linha, porque é o estupro de uma mulher idosa e provavelmente feia.

    Leila, o Rafinha fala exatamente o que uma determinada classe social privilegiada quer ouvir. O público dele quer justamente a manutenção dos privilégios, fora que é o mesmo programa que abre espaço para o Bolsonaro falar. Mas não leva ativistas pró-LGBT.

  7. Metheoro, você tem algum post seu que ensina como abrir denúncias no Ministério Público? E boa estratégia essa de perguntar aos patrocinadores.

  8. Melissa, essa é uma questão: o humor não precisa ter limtes, mas ele precisa ser ofensivo? Eu acho que não e espero que com esse caso as pessoas queiram discutir o assunto e não dar audiência para o humor de insultos.

  9. Eu não tenho esse post não, mas me deu a idéia de faze-lo, mas diante mão é muito simples, basta vc entrar no site do Ministério Público do seu estado e entrar na parte de “denuncia online” ou algo parecido (pode ser a de contato também).

    Daí você escreve de forma clara e rápida sobre o ocorrido, pega prints (salvos em sites de armazenamento como dropbox ou tinypic) e links diretos e manda…

    no caso do @contragays demorou 1 mês até que eu recebesse a carta do ministério público falando que eles iam apurar o caso. Em alguns casos e estados pode ser mais rápido.

  10. Pingback: Politicamente correto/Escolhas lexicais « ThePavania

  11. Gente, sério, não tem um tanque de roupa pra lavar não? Humor, entendeu? Gosta quem quer, ri quem quer, reclama quem não tem o que fazer. Não gostou? Não vai no show, pronto.

  12. Metheoro, ia ser muito bacana você fazer um post contando como se faz a denúncia e também como foi sua experiência.

    Danilo, piada não é só piada. Como qualquer linguagem há por trás da piada um discurso . Produto de entretenimento, cultura de massa, tudo tem um valor ideológico por trás. Quando um humorista se expressa no palco ele está dizendo ao mundo o que ele pensa, sua visão de mundo. Não sejamos ingênuos. Vale a pena você ler os links sobre humor do texto.

  13. Eu sou da teoria que o Brasil, em um todo, está saindo da época feudal. O pensamento e ações da maioria, dos politicos, dos humoristas e da sociedade em geral, está entrando no iluminismo, mas ainda traz resquícios. E esse é um exemplo claro desse ranso.
    Não vou crucificar o Rafinha Bastos por uma piada (de mau gosto completo e absoluto), ele ainda é um dos humoristas mais inteligentes da TV aberta. O pior é o pânico, que está há anos com “pego não pego” e coisas estúpidas desse tipo, que não fala, mas age como machistas e todos aplaudem.
    Foi uma escorregada feia, mas foi uma escorregada.

  14. Bia,

    O texto está ótimo, a reflexão é altamente pertinente. Concordo com vc e com a Renata quando falam que não devemos ter censura. E concordo mais ainda quando falamos que não faz sentido um humor retrógrado travestido de contemporâneo. Ainda repito o André Dhamer: “a tecnologia é do século xxi mas a mentalidade é do século xix”.

  15. “Quando um humorista se expressa no palco ele está dizendo ao mundo o que ele pensa, sua visão de mundo.”

    Uma vez, vi uma entrevista com um ator que fazia o papel de um vilão em um seriado relativamente famoso. No supermercado, uma senhora o olhou feio e começou a pagar sapo pra ele, tratando-o como o personagem. Perplexo, respondeu “Minha sra., eu sou um ator!”.

    Quando vi “O tigre e o dragão” no cinema, certa hora, alguém gritou “Ai, que mentira!” quando os personagens começaram a voar. O que isso, genuinamente, significa?

    Em tempo, não estou dizendo que um comediante não sobe ao palco para dizer o mundo o que ele pensa. Estou dizendo que trata-se de um pressuposto falso.

    Além disso, qualquer arte, em geral, pode ser vista como forma de discurso (lá vamos todos lançar olhos indignados aos livros, filmes hollywoodianos e pinturas…) . No fim das contas, a apreciação do público diz muito mais sobre o publico, do que sobre o artista.

    Não só isso, apreciação não é sinônimo de apoio. O estimulo que gera em nós a risada não tem preconceito, não exerce seleção nem discrimina o teor do que ouviu, rimos antes que possamos fazer julgamento do que acabamos de ouvir — sou incapaz, portanto, de acusar alguém de achar graça, seja lá do que for (sua sensibilidade em saber a hora de rir e a hora de agir com seriedade são outros quinhentos). Ainda, concluir o apoio desta pessoa à algo, a partir de sua graça não é razoável — Humor levado a sério não é humor. É sério. Conheço pessoas que, de tanto gostarem de humor, tentaram tratar a sua vida e as pessoas ao redor como se fossem objetos de piada — a amargura não tardou a chegar.

    Com isso, se eu adaptasse a frase citada acima, diria que “quando um humorista se expressa no palco ele está dizendo ao mundo o que o mundo pensa”.

    Agora, se o rafinha é um comediante de qualidade ou não, eu já acho um assunto bem menos interessante…

  16. Quem precisa desse tipo de tema para fazer graça não é humorista (comediante,…) é um otário; seja ele brasileiro, americano…

    não é porque o tema já foi banalizado que vai passar a ser engraçado esse tipo de piada. não é porque é “comum” que a gente tem que achar normal.

    “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho.” pq né, todo mundo que sofre estupro tem muita facilidade para reclamar disso no busão, no metrô, na feira…

  17. Ótima postagem! Nem consegui ler a partir da primeira frase brilhante“Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho.” Todo o resto da matéria meu pareceria absurdo!

  18. Essa frase diz tudo:

    “Being an ugly woman is like being a man…you’re gonna have to work.” ~ Daniel Tosh

  19. É realmente desprezível esta forma de “humor”, pra quem já teve contato a fundo com alguém conhecido que te sofreu algo semelhante e sabe os efeitos psicológicos (muitas vezes para uma vida toda) que o estupro e abuso sexual causam, tal paródia sádica se torna ainda mais abismal.

    Como você mesma bem colocou em seu texto, isso não é humor, é agressão maquiada para as multidões acharem graça.

  20. Pingback: Internet, mundão novo sem porteira

  21. Beta, acho que as pessoas tem que assumir seus atos. Não é a primeira vez que o Rafinha ofende e agride. Já houve vários casos, especialmente no twitter. E com certeza eu não o acho um humorista inteligente. O Marcelo Adnet faz piadas muito mais engraçadas e também dá suas escorregadas. Ninguém merece ser crucificado, mas todos devem ser criticados. E devem arcar com as consequências dos seus atos.
    Sim, o Pânico também é péssimo. Por isso é importante mostrar a todos esses humoristas da idade média que vivemos no século XXI.

    Alvico, adoro essa esquete.

    Danielle, essa frase já está virando profecia ;-)

    Thiago, eu não acho que o Rafinha seja um potencial fundador do clube de estupradores de mulheres feias. Mas acho sim que ele usa a ofensa como piada para expressar sua visão de mundo. E ofensa é agressão. Então, essa é minha questão com ele, o que ele ganha agredindo e difundindo esse pensamento? Esse blog mesmo possui uma linguagem que explicita uma visão de mundo. Um ator pode não estar dizendo exatamente o que está no texto de sua peça, mas ele concorda ideologicamente com a abordagem da peça, senão não a encenaria. Não fazemos aquilo que vai contra quem somos. Por isso que acho que tudo, qualquer forma de expressão humana possui um componente ideológico.

    Leticia, concordo plenamente: “não é porque é comum que a gente tem que achar normal”.

    Roberta, obrigada pelo comentário.

    Josue, não entendi como essa frase resume tudo. Resume só a questão da mulher feia, né?

    Eduardo, aprendi que o humor não deve ter limites, que sim, estupro talvez possa ser piada. Porém, é preciso que ele nos tire do senso comum e não que seja uma agressão gratuita, ou como você disse, agressão maquiada. Essa expressão é bacana para identificar esse tipo de “piada”.

  22. Rafinha Bastos!!que chance boa você perdeu de ficar CALADO!!! decepção…pensei que você fosse mais inteligente….

    Parabéns por este texto!!amei sua página!!
    voltarei sempre!

  23. Fui a casa de stand-up onde o tal proclamou essa sua piada nada engraçada, deixou a maioria em choque e eu tive vontade de pedir meu dinheiro de volta se não fosse pela apresentação honesta e saudável do MC e do Luis França (dei muita risada com eles) Mas a partir do momento que a “atração da casa” entrou já se intitulando o “fodão” foi uma pior que a outra.. na saida quem quis comprar o dvd e tirar uma foto, era chacoteado assim que virava as costas, ele se voltava para as hostess da casa e zuava as pessoas que estavam comprando o DVD…ts inacreditavel! acho que ele é mimado, não tem respeito, não deve ter irmã muito menos mãe..

  24. O texto é perfeito, só faltou o que me trouxe até ele. O título.

    Todos apontam estupro como uma coisa feminina. Passa até por piada, como o ocorrido. Mas o estupro masculino é um completo tabu. Existe, mas não é mencionado. Homens não pensam que possa lhe ocorrer tal coisa, mas será tão incomum assim?

    Como disse no dos outros é refresco, justamente em nossa sociedade machista. Cenas de estupro feminino é lugar comum nos cinemas (até em filmes “de ver com a família” eles acontecem). Mas quantas cenas de homem sendo violentado vocês já assistiram? Por que?

  25. Olivia, obrigada pelo comentário.

    Paula, é interessante que o Rafinha se assuma arrogante, mas é uma pena que ele não faça nada ao reconhecer isso. Triste saber que para ele até sua platéia é motivo de chacota.

    Luciana, o estupro de homens tem números menores nas estatísticas do que as mulheres. Isso é fato e faz parte da construção social machista em que vivemos. No texto deixo claro que as mulheres são maioria, não excluo que há casos de homens e crianças. Todas as cenas em que vi homens sendo violentados sexualmente, como por exemplo, em Pulp Fiction ou em Um Sonho de Liberdade, o estupro é visto como corretivo ou demonstração de poder. Porém, em nossa sociedade não existe o conceito de homem estuprável, ninguém aceita como justificativa que um homem foi estuprado, pois estava usando um short curto. Então, o estupro de mulheres é mais grave e recorrente porque há conivência social e porque o homem é visto como dono do corpo da mulher. É por isso que a piada do Rafinha é tão sem graça. Porque há muito tempo as pessoas dizem que mulheres gostam de ser estupradas.

  26. “Não é engraçado como a única vez em que sua raça ou gênero são questionados, é quando você não é um homem branco?”

    Sério que homem não sofre opressão? Isso é extremamente estereotipador. Nós temos que fazer o alistamento militar simplesmente por sermos homens. Há declarações de políticos americanos dizendo que as mulheres são muito valiosas para a guerra. Isso pode ser protecionismo machista, mas você prefere ir ou não à guerra? O seu texto é extremamente estereotipador, incita o ódio e não reconhece a diversidade de opressões. Nós, pessoas, oprimimos e somos oprimidos, sejamos homens ou mulheres, negros ou brancos, etc. Há diversos comportamentos sociais que oprimem as mulheres pelo fato de serem mulheres, mas esses mesmos podem ou não aprisionar os homens. E do mesmo modo que a sociedade cobra de vocês que sejam bonitas, ela cobra que o homem seja rico, bem sucedido. O homem branco que está na merda financeiramente, se ferra. já é logo taxado de vagabundo. Sinceramente que entristece ver alguém que se considera feminista falando isso. Nós, vários homens brancos, lutamos pela igualdade nossa e das mulheres. Lutamos pela igualdade independente de sexo, pelo simples fato de não a termos também.

  27. Qdo o humorista está no palco é um ator, ñ reflete a opinião dele, ele faz aquilo q o público quer ouvir. É assim q rola a audiência.
    Não se trata de um ponto de vista machista contra um ponto de vista feminista nestas discussões q ñ acabam, mas sim do q a cultura brasileira (e no original americano) quer ouvir!

  28. Fazer piada sobre estupro? Provavelmente esse cara não teve uma mulher em sua família que passou por isso. Qual o próximo tema, fazer piada com o holocausto? Só prova o quão ruim ele é, o bom humorista(pessoal do Monthy Pyton por exemplo) tem um filme inteiro de comédia sobre Jesus, crucificação e nunca nem sequer foram perseguidos pela igreja. Tá aí a diferença entre os bons e o ruins.

  29. Marcelo, a piada do Rafinha se referia a mulheres. E eu disse que mulheres são maioria entre as vítimas de estupro, não que sejam as únicas. Se eu fizer um post detalhando todas as formas de opressão ele será um livro, então é preciso ter foco. Também afirmei: somos todos preconceituosos. Está bem ali, acima da última foto. O machismo oprime homens e mulheres, mas você há de reconhecer seus privilégios como homem branco heterossexual. O Rafinha, por exemplo, não faz piadas com homens brancos heterossexuais. Isso já é um grande privilégio. E é esse o foco do post, humor. Serviço militar não deveria ser obrigatório para ninguém, por mim nem deveria haver exercito, mas isso não é assunto desse post.

    AC, toda e qualquer linguagem possui um discurso por trás. Mais uma vez, não estou dizendo que o Rafinha é o fundador do clube dos estupradores. Estou dizendo, e ele afirma isso, que insultar e ofender pessoas é o que ele gosta de fazer no humor. Por trás dessa forma de fazer humor há um discurso ideológico que pressupõe que ele seja melhor que os outros. O Monthy Python que você citou é a favor de rir da igreja utilizando seus próprios dogmas, isso é subverter o pensamento lógico e sim, isso nos faz rir, isso é transgressor, pois a Igreja é uma instituição sacralizada. O que Rafinha faz é reproduzir preconceitos mais velhos que a idade média.

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  34. Querida Bia

    Uma criatura está falando a favor do Rafa. Ela disse, pelo menos eu entendi, que estupro de mulher feia é algo correto.

    Leia
    http://avezdasmulheres.wordpress.com/2011/07/26/as-mulheres-odeiam-ser-criticadas/

    “Outra que não gostou da crítica às mulheres foi a Srta. Bia (“Estupro no dos outros, é refresco”, http://srtabia.com/2011/05/estupro-no-dos-outros-e-refresco/). A piada do Rafael Bastos:

    “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho.”

    Pra quem não entendeu, ele ainda explicou em entrevista (Revista Rolling Stone em http://www.rollingstone.com.br/edicoes/56/textos/4635/ ou blog Luis Nassif Online em http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/rafinha-bastos-e-o-estupro)”

    Uma coisa é uma mulher ser criticada por ser grosseira, que foi o assunto principal do post dela. Mulher grossa e mal educada merece crítica, mesmo. Mulheres e homens devem ser gentis uns com os outros. Mulheres e homens grosseiros são errados

    Outra coisa é considerar o estupro de mulher feia algo normal, que foi o que entendi ela escrever