Violência Sexual.

O programa Profissão Repórter, exibido dia 05/04/2011, teve como tema violência sexual. Durante 12 dias, os repórteres visitaram o Hospital Pérola Byington em São Paulo, Centro de Referência em Saúde da Mulher e acompanharam casos de mulheres e crianças, as maiores vítimas da violência sexual no Brasil. A ONU recentemente lançou um banco de dados sobre a violência contra a mulher. E alguns estados brasileiros mobilizam-se em campanhas públicas de combate a violência sexual contra crianças e adolescentes.

As pessoas são violentadas diariamente a caminho do trabalho ou da escola, porém, a maioria dos casos acontece dentro de casa, praticados por parentes ou conhecidos. O foco do programa é o tratamento dado as vítimas de violência sexual com espaço para as falas das vítimas e dos profissionais de saúde. Acho importante ressaltar algumas informações veiculadas:

- Dentre os atendimentos realizados no Pérola Byington, todo mês, 200 mulheres vão até lá para relatar casos de estupro. O hospital possui um ambulatório especializado em violência sexual. Importante notar que apenas em um hospital, o dado revela que em média há mais de 6 mulheres estupradas por dia na cidade de São Paulo.

- 53% das vítimas de violência sexual tem menos de 12 anos. Apenas neste hospital, 53% das vítimas atendidas são crianças, tanto meninos como meninas. Em um dia dos dias da reportagem houve 12 atendimentos, destes, 10 foram de crianças. A reportagem se concentra no caso de um menino de 4 anos que sofreu abuso do próprio pai. Quem o levou para fazer a denúncia foi a avó, mãe do pai. Especialmente nos casos contra crianças, os abusos acontecem dentro de casa.

- Mulheres que foram estupradas precisam tomar uma bateria de medicações para evitar contágio por doenças sexualmente transmissíveis. Só para combater o vírus da AIDS é preciso tomar 6 comprimidos por dia, 180 comprimidos num mês. O efeitos colaterais desses medicamentos são inúmeros, muita náusea, vômitos e dor de estômago, por causa disso muitas interrompem o tratamento.

- O caso da menina de 12 anos que foi estuprada enquanto ia para casa da avó. Com medo das ameaças do estuprador, que afirmava que se ela contasse algo ele mataria a mãe e a tia dela, demorou a contar sua situação e o aborto não pode ser realizado porque a lei só permite abortar até a 22º semana de gestação e o feto não pode ter mais de 500 gramas. O feto da menina tem 560 gramas. A única opção é ela ter o bebê e depois ficar com ele ou entregá-lo para adoção. Muitas mulheres não sabem que o aborto pode ser uma opção em casos de estupro e quanto mais rápido a denúncia for feita, maiores as chances de se realizar um procedimento de Aspiração Manual Intra-uterina, extremamente rápido, indolor e seguro.

- O caso de duas meninas, de 6 e 4 anos, que foram violentadas por primos mais velhos. Essas duas crianças são filhas de mães que também foram abusadas sexualmente na infância. Casos que se repetem. Quais seriam as razões? A mãe de uma delas optou por parar de trabalhar, porque não há vagas nas escolas e não há com quem deixar a criança.

- Maria, que engravidou do estuprador, realizou uma série de procedimentos para realizar um aborto legal. Durante a noite a bolsa se rompeu e enfermeiras se recusaram a atendê-la por serem religiosas, ela ficou 7 horas sem atendimento e ainda teve que ouvir que mulher que aborta tem é que sofrer mesmo. Realizar o aborto foi fundamental para a saúde, autoestima e para os planos de vida de Maria.

Não deixe de assistir o programa que está dividido em 2 partes e os comentários dos repórteres contando sobre suas impressões:

Ps.: Em determinado momento da reportagem, Caco Barcellos pergunta a assistente social Avani se depois que ela passou a trabalhar no ambulatório a visão dela mudou em relação aos homens. Ela afirma que não pode generalizar. Essa é uma questão importante dentro do movimento de combate a violência contra a mulher, nós que defendemos leis como a Lei Maria da Penha, não estamos dizendo que todos os homens são horríveis estupradores, estamos alertando para a forma como a violência contra a mulher acontece. Não negamos que também existam homens que sofrem violência doméstica ou sexual, mas os números são bem menores e os fatores que provocam essa violência são outros. Estamos dizendo que há em nossa cultura e na nossa história a formação de uma sociedade machista, que enxerga o homem como superior a mulher e, que durante muito tempo essa sociedade aceitou coniventemente a violência doméstica e sexual contra mulheres. Então, muitos dos estupradores e abusadores não são pessoas doentes mentais, são pessoas comuns que se sentem no direito de agredir mulheres. Por que o cara quando está frustrado, bêbado,  não vai procurar alguém do tamanho dele para bater na rua, por que ele vai para casa bater e estuprar a esposa? É mais fácil bater em quem tem menos poder, é mais fácil bater em quem culturalmente não é estimulada a revidar. A violência contra a mulher é cultural. E é um problema generalizado, seja em países desenvolvidos ou não. Por isso devem ser feitas leis especificamente para esses crimes. Porque por mais que a Constituição diga que há igualdade entre todas as pessoas, sabemos que dependendo das circunstâncias não há, então é preciso dar condições de igualdade para os desiguais e isso é feito por meio de leis e medidas públicas do Estado.

[+] Lista de locais onde procurar atendimento, no Brasil, em casos de violência sexual.

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