Dia 25: Pelo Fim da Violência Contra a Mulher. O que podemos fazer?

 

Fonte: APAV - Apoio a vítima. Para acessar o site clique na foto.

Você já deve conhecer os números, saber de todos os dados, estar cansad@ de ouvir sobre mulheres mortas por ex-maridos, ex-namorados, violentadas por parentes. Abandonadas a própria sorte após terem feito um aborto. Essas mulheres estão todos os dias vivendo, ou tentando viver, no mundo inteiro.

As mulheres ainda não alcançaram a plenitude de sua liberdade. Ainda são vistas como objeto, como peça de decoração, como parte das posses de seus homens ou familiares. 25/11 é o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta contra a Violência à Mulher*. Pense em todas as mulheres que você já viu sofrerem, não apenas fisicamente, mas também psicologicamente. O que podemos fazer por elas? O que podemos fazer para que tantas meninas e mulheres não sofram com a violência diária dirigida especificamente a elas?

– O que podemos fazer pelas meninas que choram porque não tem um cabelo liso? O cabelo que está estampado em todos os comerciais como o único cabelo bonito. Podemos ensiná-las o lado bom das diferenças? Podemos ensinar a valorizar as características e singularidades de cada corpo humano?

– O que podemos fazer pelas mulheres que um dia foram estupradas e que ao saírem nas ruas ouvem galanteios, cantadas baratas e olhares lascivos sobre seu corpo? Seu corpo não a pertence? Não deveria ser respeitado? Porque um homem se sente no direito de nos molestar verbalmente na rua? Mas tantas mulheres acham isso ótimo, não é mesmo? Até que ponto quero ser valorizada por um comentário grosseiro? Não seria melhor receber mais elogios dos meus amigos, de pessoas que trabalham comigo? Ou não serei elogiada se não tiver o corpo perfeito?

O que podemos fazer pela mulher que faz um aborto? O que podemos fazer por seu desespero ao colocar a própria vida em risco? Com tanta informação e métodos anticoncepcionais por que essa mulher ainda engravida sem querer? Por que as pessoas se sentem no direito de apontar o dedo e decidir sua vida? Por que a vida de um feto vale mais que a vida de uma mulher? Por que parece ser tão importante não deixar a mulher ter o poder de decidir sobre a procriação humana?

– O que podemos fazer pela mulher que foi abandonada pelo companheiro e que luta diariamente para cuidar de seus filhos? Podemos dar apoio e melhores condições de vida? Podemos não acreditar que ela foi abandonada por que não foi uma boa esposa? Podemos valorizar a mulher socialmente e por meio de políticas públicas?

– O que podemos fazer pela mulher que é espancada diariamente pelo marido e que diz: “Não sou feliz, mas tenho marido”. O que podemos fazer por sua auto-estima? O que podemos fazer para que ela acredita que uma mulher pode ser respeitada e valorizada sem ter um marido?

– O que podemos fazer pela mulher que foi com um vestido curto a faculdade e passou por um linchamento coletivo? Podemos não nos juntar a turba que a xinga por provocar a ira e a transgressão aos bons costumes? Podemos respeitar as mulheres independente dos estereótipos sociais criados? Podemos respeitar as mulheres que dançam funk, que posam nua nas revistas ou que servem de decoração em eventos?

O que podemos fazer pela mulher que eleita presidente do país abre os jornais e só vê reportagens criticando sua aparência e seu modo de vestir? Podemos acreditar que as mulheres podem não seguir um padrão de beleza? Podemos acreditar que as mulheres podem envelhecer sem serem absurdamente criticadas por isso? Podemos acreditar na sabedoria das rugas? Podemos abandonar o ideal de que a juventude deve ser a busca de todos?

Violência contra a mulher não é só dar porrada. A violência está espalhada socialmente por homens e mulheres que acreditam que mulheres não são capazes, que devem manter seus papéis e padrões, que não merecem respeito. Fundamentalmente a maior violência contra a mulher é a falta de respeito, falta de respeito com suas decisões, com seus desejos e com seu corpo, apenas pelo fato de ser mulher.

*Definido no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá, Colômbia, o 25 de Novembro é o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. A data foi escolhida para lembrar as irmãs Mirabal, Pátria, Minerva e Maria Teresa, assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.

Este post faz parte da blogagem coletiva #FimDaViolênciaContraMulher

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

5 comentários sobre “Dia 25: Pelo Fim da Violência Contra a Mulher. O que podemos fazer?”

  1. Muito bom! É preciso extrapolar o âmbito doméstico e analisar o entorno pra compreender a cultura que estimula essa violência. Punir o agressor com leis como a Maria da Penha é um passo importante, mas é preciso idetificar a origem do problema, e este com certeza não é um problema individual.

  2. Coelhinha groselheira,
    este post não deveria, mas é extremamente relevante!
    Acho que, na verdade, o que nos cabe como seres humanos é educar nossas crianças para serem independentes e seguras de si – o famoso “aprender a ser 1 para poder ser 2″… Só isso já melhoraria bastante o quadro, com certeza!
    Beijão!

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