Feira de Links #4

1. “Baby, você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina…”

 

Aborto Libre

Aborto Libre y gratuito. Fonte: Flickr, photo by isus

 

2. 1 em cada 5 mulheres já fez aborto no Brasil.

Neste domingo, o Fantástico veiculou uma reportagem denunciando clínicas que realizam abortos em Belém, Salvador e Rio de Janeiro.  A reportagem foca apenas em clínicas que atendem mulheres pobre, debocha da maneira como os funcionários tratam as pacientes e no fim consegue apenas provar a importância da legalização do aborto, num país onde o SUS têm que realizar milhões de procedimentos cirúrgicos decorrentes de abortos malfeitos. Porque ao que parece as mulheres ricas já legalizaram o aborto em clínicas particulares caras. O aborto é uma questão delicada para a imensa maioria das mulheres. Sempre existiu e sempre existirá. Porém, deve ser uma escolha de cada mulher. Por mais que existam métodos anticoncepcionais, algo pode dar errado e uma mulher pode se ver diante de uma situação de gravidez indesejada. E por que ela não pode decidir não ter esse filho? Por que ela não pode escolher realizar um aborto num local limpo e estruturado, com apoio psicológico? Muitas pessoas gritam que se o aborto for legalizado então todas o usarão como método anticoncepcional. Isso não é verdade. Sempre haverá pessoas que usam indiscriminadamente a pílula do dia seguinte ou métodos de interrupção da grvidez, mas com certeza não é a maioria. E outra coisa, as mulheres já fazem muitos abortos no Brasil, mesmo com o ato sendo crime. E você acha que uma mulher que não quer ter um filho é uma criminosa? Como diz a antropóloga na reportagem, a mulher que aborta é uma mulher comum, como qualquer outra, é tia, advogada, mãe, diarista, universitária. E a mulher deve ter direito sobre seu corpo. E se sua religião não aceita, não faça um aborto, mas não venha dizer que você sabe o que é melhor para todo mundo. Cada um sabe de sua vida e de suas escolhas.

3. Aborto no Fantástico: sensacionalismo e superficialidade.

“A responsabilidade por evitar uma gravidez indesejada é integralmente da mulher: é ela quem deve tomar pílulas anticoncepcionais; é ela quem tem dificuldade de negociar com seu parceiro o uso da camisinha; são dela todos os ônus de eventuais falhas de métodos contraceptivos; é dela a vida que mais muda com o nascimento de uma criança, muitas vezes, sem pai. Apenas uma coisa não é dela: o direito de escolher levar a cabo ou não uma gravidez. A matéria também não falou disso.”

4. Aborto: em defesa de qual vida?

“A criminalização do aborto não evita o aborto, mas tão somente obriga a mulher a realizá-lo na clandestinidade. A discussão sobre a descriminalização do aborto não é uma discussão sobre o direito ou não de a gestante abortar, mas sobre o direito ou não de a gestante ter auxílio médico para abortar. Com a descriminalização, os abortos continuarão a ser praticados, tal como hoje o são, mas a mortalidade materna será substancialmente reduzida.”

5. Mulheres que optam por não ter filhos são alvo de pressão social

Porque se a mulher faz um aborto é criminosa, mas se decide não ter filhos é uma pessoa egoísta e sem coração. O papel da mulher na sociedade não pode vir atrelado apenas ao fato de ser mãe. Ter filhos ou não deveria ser uma escolha pessoal de mulheres e de homens. Dessa maneira talvez as pessoas tivessem uma visão melhor das responsabilidades.

6. Escravidão, questão de gênero.

Gulnara Shahinian é relatora da ONU sobre Formas Contemporâneas de Trabalho Escravo  e busca chamar atenção do Conselho de Direitos Humanos para a exploração do trabalho doméstico feminino. Uma atividade que sempre foi vista como um dever da mulher pode muitas vezes acobertar a escravidão. Afinal, se é um serviço que as mulheres devem fazer, por que deveríamos pagar a elas?

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3 thoughts on “Feira de Links #4

  1. A questao do aborto vira à tona em breve… e uma grande mudança vai ocorrer…. sua legalizaçao é questao de tempo.

    Juridicamente falando nao há nada que impeça a legalizaçao do aborto. Contudo o lobby religioso e conservador ainda consegue mante-lo…

    como o conservadorismo e a igreja estao perdendo força….

  2. Na França o aborto é legal (até 10 semanas de gravidez, ou 12 de amenorreia) e gratuito para a mulher. A cada ano ocorrem cerca de 200 000 abortos, representando 14 em cada mil mulheres de 15 a 49 anos. A natalidade na França não diminuiu, o numero de abortos não conhece variação significativa. Ou seja, apesar de ser livre, gratuito, seguro e anônimo, as mulheres não devem ver o aborto como um contraceptivo, senão haveria muito mais casos. O aborto sempre existiu, sempre existira Espero que esse absurdo da mulher não poder decidir do destino do seu proprio corpo esteja mesmo com os dias contados.