Abelardo.

Abelardo Antonio da Fonseca é advogado. Tem quase trinta anos e mora confortavelmente em um prédio localizado de frente para o mar. Dentre as coisas feitas e as mal-feitas, consta que nunca assistiu um episódio de Seinfeld por inteiro, e sabe o gosto de sorvete de pistache. Abelardo é um sujeito bem de vida, inteligente e educado. Mas Abelardo tem algo de diferente. Não chega a ser uma aberração nem nada do tipo, é algo até bem simples, Abelardo tem um sexto dedo no pé direito. Olhando de lado, pensa-se até que é um joanete, mas quando fixa-se os olhos, ele está bem ali, ao lado do caçula dos dedos. Ele apareceu um dia, e Abelardo se afeiçoou. Chama-o carinhosamente de Ronnie Von porque ele tem uma unha, pequena, mas tem. E Abelardo acha que ao olhá-la de longe ela parece uma coroa, logo o dedo a mais é seu príncipe. Nunca se casou porque nenhuma mulher ainda o aceitou exatamente como é. Quem amá-lo terá que amar também o seu sexto dedo. E vice-versa.

Esse texto é bem antigo. Tenho um exercício para fazer na terapia. Tenho que escrever uma história, com começo, meio e fim e que uma criança entenda. É lógico que algum dia, nessa minha vida high society, já desejei ser uma escritora de sucesso. Então, fui fuçar meus arquivos dos blogs antigos e me pergunto porque não o chamei de Wando. Este texto foi uma encomenda de um colega de blog.

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