A Helena que não Viveu a Vida.

A primeira vez que ouvi falar da novela Viver a Vida (2009), veio a notícia de que esta seria a primeira novela das oito com uma protagonista negra. Taís Araújo, que já havia sido a primeira protagonista negra de uma novela brasileira com Xica da Silva (1996), na extinta Rede Manchete, iria superar mais uma barreira, pois também já tinha sido a primeira protagonista negra de uma novela da Rede Globo em Da Cor do Pecado (2004). Ela seria uma Helena, que dentro das novelas do autor Manoel Carlos são grandes protagonistas, mulheres que lutam para mudar seus destinos e serem felizes. A Helena de Taís seria uma modelo famosa internacionalmente, independente, conquistadora e carismática que se apaixonaria por um homem mais velho e castrador vivido por Zé Mayer. Realmente era essa a Helena do início da novela, com seus belos vestidos e a lindíssima cabeleira afro coroando uma atriz negra no papel central. Maneco acertou também ao incluir na trama a família de Helena, acolhedora e unida, toda formada por atores negros. Seus enredos fugiam do tradicional papel do ator/atriz negro/a que geralmente é o empregado/a de uma rica família branca ou faz parte do núcleo que mora no subúrbio. Edite, vivida por Lica de Oliveira, é mãe de Helena e figura central da família, uma mulher forte, inteligente e batalhadora, que está em seu segundo casamento e é dona de uma pousada em Búzios.

Apesar do casamento de Helena com Zé Mayer ser um dos pontos altos do início, a novela acabou ganhando outra protagonista. Helena foi totalmente colocada em segundo plano por Aline Moraes e sua personagem Luciana, uma modelo em início de carreira que fica tetraplégica num grave acidente. Não foi uma questão de a interpretação de Aline Moraes ser melhor e ofuscar, mas sim o fato de que Manoel Carlos parece não ter abraçado realmente sua primeira Helena negra, preferindo focar a trama principal nos dramas e na superação de Luciana. A novela teve muitos pontos positivos ao abordar o tema da limitação física, mostrou a reação dos personagens a notícia, o desenvolvimento do tratamento e as dificuldades na nova vida, inclusive houve uma cena em que Luciana tentou usar um ônibus público adaptado. Tratou também de temas difíceis como a vida sexual dos cadeirantes e as possibilidades de terem filhos. E divulgou projetos bacanas como o “Praia para Todos”.

A trama como um todo foi muito fraca. Manoel Carlos é conhecido como o autor do cotidiano, seus diálogos sempre falaram de trivialidades. Porém, tudo parecia excessivamente feliz, sem grandes dramas. Para quem já escreveu uma trama de muita dor e segredos, como a troca de bebês realizada por Regina Duarte em Por Amor, faltou a Viver a Vida uma expectativa, um “quem será o próximo a descobrir”. Faltou também uma grande vilã, como é de praxe nas novelas brasileiras. Em determinado momento a trama da novela girou apenas entre as traições de diversos casais, como se trair fosse algo absolutamente normal e ninguém sofresse mais por isso. Gustavo traía Betina com a prima dela, Betina traía Gustavo com o instrutor da academia. Marcos traía Helena com Dora, que traía Maradona com Marcos. Luciana traía Jorge com Miguel, que traía Renata, que o traía com Felipe.  Sempre tivemos personagens infiéis em outras novelas, como a Norminha de Caminho das Índias, mas nunca vi algo nesse estilo Quadrilha-de-Drummond. Era tanta traição que não tive escolha.  junto com as colegas de twitter apelidamos a novela de #trairavida.

Algumas cenas de Viver a Vida foram extremamente preconceituosas por tratarem mulheres de uma maneira inaceitável. Confesso que muitas vezes vibro com cenas de briga, apesar de não aprovar violência, há momentos em que queremos nos vingar da vilã que tanto tripudiou em cima da mocinha mosca-morta. Não foi o caso dessas três cenas específicas de Viver a Vida.

Helena é chamada de criminosa por ter feito um aborto. Todos os anos são realizados milhares de abortos clandestinos no Brasil, a grande maioria feita sem equipamentos e profissionais adequados, o que acarreta um grande número de mortes. A questão do aborto não deve ser influenciada por questões religiosas ou dogmáticas, o aborto deve ser decisão da mulher e atualmente é questão de saúde pública. O aborto é uma prática comum, presente em todas as classes sociais, sempre acobertado pela hipocrisia, indiferença e desrespeito com a mulher. A diferença é que quem tem dinheiro faz em clínicas particulares, com toda estrutura. Quem não tem se arrisca em abortos clandestinos que podem deixar sequelas ou causar a morte. A descriminalização do aborto é urgente, pois só quem vai presa é a mulher pobre. E quando Maneco escreve uma cena como essa, em que uma mulher que cometeu um aborto, independente de seus motivos, é achincalhada como criminosa, o autor está fazendo um desserviço ao respeito pelas mulheres e ao direito que elas devem ter sobre seu corpo. É importante que a questão do aborto seja retratada em novelas, mas justamente para acabar com os preconceitos. Vai pensando aí.

Helena leva um tapa de forma humilhante. O racismo do brasileiro está sempre nas entrelinhas, nunca é assumido. Num país como o Brasil exibir cenas em que uma pessoa branca bate na cara de uma pessoa negra ajoelhada, as duas caracterizadas por vestimentas totalmente distintas, é reproduzir cenas de humilhação que podem estar sendo vividas por muitas pessoas negras. Helena poderia estar de pé na hora do tapa, já que a idéia era revidar o tapa da cena que citei anteriormente. Helena poderia estar triste e deprimida, mas com certeza poderia estar usando um vestido simples e bonito, poderia estar com os cabelos soltos. Tereza que tinha descoberto que sua filha estava tetraplégica está bem vestida e maquiada. Por que Helena tem que estar numa posição tão humilhante? Por que a adolescente negra que viu Helena tão bela caminhando por Petra, agora tem que vê-la sendo esbofeteada por uma mulher rica e branca? Quantas Helenas se ajoelhariam e pediriam perdão e apanhariam sem reação em pleno século XXI? Foi com certeza a pior cena de toda novela. E ainda temos que aguentar ela sendo chamada de criminosa mais uma vez.

Marcos persegue Dora pela casa tentando agarrá-la. É tão nojento pensar que homens e mulheres realmente acham isso romântico. Um homem correndo atrás de uma mulher, tentando beijá-la a força, ela negando e depois cedendo como se a paixão fosse incontrolável. Todas as cenas em que Marcos, vivido por Zé Mayer, brincava de Lobo Mau com Dora, vivida por Giovanna Antonelli, eram nojentas. Porque começavam da mesma maneira e terminavam da mesma forma, dando a impressão que mulheres gostam de ser subjulgadas, que basta insistir que uma hora elas cedem, que são atitudes como essa que estimulam a paixão. Isso é violência, isso é forçar intimidade, isso é o tipo de atitude que leva ao estupro. Fugir correndo de um homem que quando me agarra à força diz: “você não tem que querer nada”; é deprimente e nojento. Nenhuma mulher deveria ser tratada dessa maneira, ninguém pode achar que isso é divertido ou sensual, isso é viver de forma humilhante.

Houveram outras cenas ruins, porém essas três foram as que mais me chocaram quanto ao desrespeito. Enquanto mostra as dificuldades e preconceitos enfrentados pelos cadeirantes, Manoel Carlos esquece de acabar com uma série de preconceitos contra as mulheres. Uma grande decepção a maioria das personagens femininas da trama , começam fortes, mas no fim padecem por não terem um homem ao seu lado. Uma pena que a primeira Helena negra seja tão esquecível como heroína. No fim, não consigo imaginá-la como a via no início, como uma mulher que muda seu destino e constrói sua felicidade vencendo preconceitos. Entretanto, neste último semestre houveram três novelas na Rede Globo com protagonistas negras, isso demonstra mudanças.

E como nem tudo são lágrimas e novela também é diversão, além das risadas no twitter, alguns vídeos fizeram a alegria da audiência de #trairavida: Houve os imperdíveis Momento Vanessão 1 e Momento Vanessão 2. Uma Dramatic-Rafaela feita pelo Marmota. E o mais infame de todos É Tetra!

Que venha Passione!

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

29 comentários sobre “A Helena que não Viveu a Vida.”

  1. Foi um prazer acompanhar via Twitter esse lixo de novela com a sua pessoa, Srta Bia! Maneco nos decepcionou como nunca. Desde o “toda babada” ele não errava tanto. Pelo menos nos poupou não tendo colocado a filha e a Vera Fischer no elenco. Devia botar a mãozinha naquela cabecinha senil e repensar o quanto ele maltratou o público alvo das tramas dele, as mulheres, nesse folhetim. Vamos aquecer os tamborins pra Terra Nostra, ops, Passione! Beijo!

  2. Muito boa a sua crítica… Já tem alguns anos que não chego a gostar realmente de nenhuma novela e que nem assisto, mas pelo pouco que vi da novela, a impressão foi essa mesma: a única história bem montada da trama era a da personagem da Aline Moraes e o resto dos personagens passou toda a novela tomando café da manhã, batendo papo furado e reforçando estereótipos que não servem pra nada.

  3. Concordo com você, e digo mais, achei fraca a interpretação da atriz, assim como novamente a Rede Globo faz aquela firula toda em torno de personagem negro, e no final não é nada do que os telespectadores esperam.
    Aliás, a impressão que dá, que para Rede Globo toda família com negros de uma forma ou de outra tem bandido no meio, a Sandrinha tinha que escolher o Bene e morar na favela.
    A primeira novela que teve um núcleo familiar negro, A próxima vítima, que era com a Camila Pitanga, Gibi, Antonio Pitanga, também foi o maior alvoroço, no final o pai era ladrão .
    Na novela a Favorita a primeira família com negros ricos, o pai era político corrupto, ladrão…
    Enfim, nunca vi a minha família, nem dos meus primos retratada pela Rede Globo…

  4. pra mim o pior mas o pioooooor mesmo foi a trilha sonora dessa novela.
    Desde shimbalaiê passando pelas musicas sacras, pela simone enchendo o saco nas cenas da rê bordosa até as versões de araque, tudo sofrível.

    Fundo musical servindo de réquiem pra um Manoel Carlos gagá.

  5. Eu nem assisti à novela e concordo com você. Fiquei seguindo os seus – e os da Denise – comentários no twitter, e foi o suficiente para me divertir.
    Os poucos capítulos a que assisti, forçada pela filhota, me deram calafrios: achei preconceituoso, de um texto fácil, com clichês banais, e, por que não mencionar, erros gramaticais que fizeram mal aos meus ouvidos.

  6. Concordo com td q foi dito. Novela horrivel.
    Não acho q mostrou superação nenhuma, afinal para um pessoa tetrapégica e rica td é mais facil.
    O machismo nessa novela foi absurdo e as traições como se fossem as coisas mais normais do mundo. Ainda bem q a record colocou o CSI pno mesmo horario.

  7. A maior responsável por Helena ter perdido a força foi a própria Taís Araújo, a pior atriz de todos os tempos. Afetada, perdida, cheia de caras e bocas. Mas de talento mesmo, nenhum. Muito ruinzinah. Ela nunca será uma atriz. Pode mudar de profissão.

  8. Eu concordo com o texto em geral.
    A unica parte, NA MINHA OPINIÃO é que aborto é crime salvo os casos como violencia, doenças do feto, ou outros casos especificos, mas abortar por abortar na minha opinião é! Sei que tudo é real neste topico do aborto em si, milhões de aborto são realizados.
    Concordo com a Kali, a Tais Araujo pode se aposentar. Alguém disse para ela que ela é atriz e ela acreditou. No mais, concordo com tudo que foi dito acima. Esta novela não teve nada de Viver a Vida.

  9. Ótimo texto. Eu, em geral, não gosto de novela e só vejo quando outros assistem (o que já é suficiente para entender a maioria das tramas do começo ao fim, diga-se). Mas achei, sim, que a Helena negra foi boicotada pelo preconceito das pessoas. Afinal, novela, hoje em dia, é montada de acordo com a reação do público e, para mim, foi a falta de interesse deste na personagem que levou o autor a relegá-la a coadjuvante, e não o contrário. Daí que os argumentos das pessoas são sem pé nem cabeça – dizem que a Taís Araújo atua mal, eu não acho ela extraordinária, mas muito menos a Aline Moraes á boa atriz, com aquela cara sempre rindo. Chegou ao ponto de uma colunista de TV de um jornal aqui do RS criticar a ATRIZ por uma FALA! Agora, coisa que me incomoda muito são cenas de vilã apanhando. Todas as vilãs das novelas mais recentes acabam apanhando, acho machista e desnecessário. Além de todas serem incontroláveis, meio burras e incorrigíveis, porque começam se achando acima de tudo e fazendo coisas que só mesmo uma mocinha típica, que é uma tapada, não consegue impedir, até que fazem besteiras mais monumentais ainda e sofrem a sua punição (apanhando um pouco antes), ficando bem claro que não podem mudar. Os “motivos” dos vilões normalmente ficam um pouco mais claros e eles são mais coerentes nos seus planos, além de se regenerarem um pouco mais, eu acho.

  10. E, sim, a cena do tapa em Helena e a maneira como ela foi montada foi uma das mais desprezíveis das novelas, em geral. Pessoalmente, tampouco engulo a morte do Bené para finalmente a Sandrinha poder voltar para Búzios e sua vida de princesinha.
    Beijos,

  11. Muito bom texto, assisti a novela todinha e concordo, infelizmente. Manoel Carlos sempre foi um mestre, mas nesta novela ele simplesmente se perdeu. A protagonista foi Luciana e faltou dizer apenas que Lília Cabral, como sempre, roubou a cena…
    Um abraço!

  12. DEIXA EU VER SE ENTENDI.O VELHO PANÇUDO DO MANOEL CARLOS,ESCREVE UMA NOVELA E CONTRATA ATORES DE PESO,PARA SERVIREM DE ESCADA PRA TENTAR TRANSFORMAR UMA EX-MODELO CANASTRONA EM ATRIZ DE TALENTO.A IMITAÇÃO DE CADEIRANTE FOIPÍFIA,DEU VERGONHA,PRA QUEM VIU O ATOR JAVIER BARDEM NO CINEMA,ESSE SIM INTERPRETANDO UM TETRAPLÉGICO.O AUTOR NÃO ESCREVE TEXTOS,NEM DÁ ESPAÇO PARA A MARAVILHOSA TAÍS ARAÚJO TRABALHAR E A CULPA É DELA?ENTÃO TAÍS É CONSIDERADA ATRIZ FRACA,SEM TALENTO.O PROBLEMA DA TAÍS É NA VERDADE TER NASCIDO COM O TOM DE PELE UM POUCO ESCURO DEMAIS.O PROBLEMA É QUE O POVO BRASILEIRO É HIPÓCRITA,RACISTA,IMBECIL…
    TAÍS É E SEMPRE SERÁ UMA ATRIZ DE PRIMEIRA GRANDEZA,AO CONTRARIO DA BEIÇOLA,NÃO PRECISOU DE UM ESQUEMA ARMADO PRA FAZER SUCESSO.APROVEITE O SUCESSO ALLINE..LOGO,LOGO NINGUEM MAIS LEMBRA QUE VOCE EXISTE.
    TAÍS É NEGRA SIM,E COM MUITO ORGULHO.

  13. Oi, te vi algumas vezes lá na Vanessa/Inconfidência. Adorei o texto. Eu realmente não gostei dessa novela e sempre admirei Manoel Carlos. E quando assisto a uma novela, tento sublimar e não analisar tudo tim-tim-por-tim-tim como eu faria com um filme de Pasolini ou Woody Allen, por exemplo. Mas acho que mesmo assim é preciso tomar cuidado e o autor se perdeu completamente já no início da trama.

    Como minha vida é bastante complicada e moro com outras pessoas, a vontade de ver tv era escassa e juntando a essas cenas preconceituosas me fizeram perder o interesse, tanto é que nem vi essa aí da Helena ajoelhada.

    A única coisa que discordo de você é sobre o “Lobo Mau”. Não havia subjugação nenhuma ali. Era uma mulher e um homem com tesão um pelo outro. Normal. Apenas não acompanhavam em absoluto a chatice dos outros casais considerados os “corretos”. A personagem mais real da novela era a Dora e a Ariane. Mas ainda acho que a Dora é bastante real, gente como a gente. Eu prefiro nem julgar, apesar de que sou estilo-sincerinha e jamais faria esse jogo do esconde-paternidade.

    Bjs

  14. Obrigada a tod@s pelos comentários! 😉

    #Anemeira, sabe que adoro aquele depoimento da “tia toda babada” acho que sexo tem que ser mesmo algo falado espontâneamente. Mas Viver a Vida foi mesmo uma novela decepcionante, especialmente quanto as personagens femininas.

    #Laura, um dos graves problemas é mesmo o reforço nos estereótipos, os personagens do Zé Mayer nas novelas de Maneco são um dos maiores esterótipos já criados, acho que nem o ator aguenta mais fazer o mesmo papel.

    #Veridiana, acho que a Globo nem fez tanta firula em cima da Helena negra, tanto que o Maneco até chegou a negar em entrevistas que ela não tinha cor (como não, né?), e o assunto raça/cor foi pouco comentado na novela. Acho que foi mais firula da mídia e achei uma pena ele não ter puxado mais esse assunto de racismo. Muito boa sua observação, realmente sempre que há uma família negra há também um envolvimento com algum crime, mais uma vez estereótipos deturpados. Infelizmente ainda tem quem negue isso, dizendo que é apenas coincidência. Os autores de novelas precisam sim fazer reflexões sobre os impactos de seus personagens.

  15. #Raiza, muito obrigada pelo apoio.

    #Enio, essa talvez tenha sido a novela com mais versões por cena quadrada. Confesso que Maria Gadú foi uma grata surpresa, mas Maryah Carrey cantando versão de uma música dos anos 90 e uma versão abrasileirada de My Girl, foram fiascos.

    #Marcie, é uma pena que os autores não reflitam sobre seus personagens. Há personagens bons e preconceituosos como a Ingrid, que acaba perdendo a companhia das amigas e dos filhos por causa de sua intolerância. E há o preconceito contra o aborto, a questão da culpa que deve ser carregada, tudo muito negativo para mulheres.

    #Adriana, realmente Luciana tinha acesso a vários recursos, mas o lado bom de mostrar uma cadeirante rica é vermos a quantidade de projetos e estruturas que existem para os cadeirantes e cobrar das pessoas acesso para todos. Também tenho uma amiga que largou a novela para ver CSI.

    #Kali, a Taís Araújo é tão pior atriz que a Aline Moraes. Sinceramente, a sua descrição “Afetada, perdida, cheia de caras e bocas” pode ser usada para várias atrizes dessa novela. O que acho que realmente ocorreu foi uma decisão do autor de abandonar sua Helena e criar apenas a trama de Luciana.

    #Vivian, você acha que uma mulher que aborta, por um motivo qualquer deve realmente ser presa? É o corpo dela, é a vida dela que vai mudar, você não acha que ela tem direito de escolher o que é melhor para ela? Todos erramos, infelizmente todos os dias várias pessoas ficam grávidas sem planejamento e aí eu, que não tenho nada a ver com a vida dela vou condená-la a ter um filho que ela não deseja no momento? Pense na quantidade absurda de mulheres que morrem todos os anos e você acha que quem será presa? A mulher rica que fez na clínica particular? Ou a mulher pobre que comprou um remédio com graves efeitos colaterais? E pense, se homens tivessem filhos, você acha que o aborto seria proibido?

  16. #Ariadne, nem sei se deu tempo do público mostrar mais simpatia por Helena ou Luciana, porque depois do acidente, logo no início da novela, só deu Luciana na trama. As cenas de violência com vilãs são realmente um problema grave, pois são garantia de audiência e as pessoas (eu, inclusive) vibram muito com elas. Claro que concordo com seus pontos, a violência é péssima e elas sempre são mostradas como malucas, mas não seriam também uma espécie de catarse para as pessoas que assistem? E claro, sempre há mais vilãs do que vilões. Ótimas observações.

    #Vanessa, não engulo aquela cena do tapa. Muita gente diz que se fosse a Aline Moraes que tivesse apanhado daquela maneira nem estaríamos discutindo, mas acho mesmo que é preconceituoso uma negra apanhar daquela maneira. O final do Benê também demonstra que ele não perdoa todos os personagens, não dá uma segunda chance para quem merece, apenas desenvolve um final de moça boazinha.

    #Aline, obrigada pelo apoio.

    #Malice, a Lilia Cabral, a Natália do Vale, a Lica Oliveira, todas atrizes com carreira fizeram bem seus papéis, mas nem o texto ajudou, tornando alguns diálogos verdadeiras aulas de autoajuda.

    #Sarah, o racismo do brasileiro está nas entrelinha e é negado pela maioria da população. O protagonismo da novela pode ter sido afetado até pela venda dela para outros países, que não aceitariam uma protagonista negra. Porém, há maneiras melhores de você argumentar sem insultar atores e atrizes que acho que chegaram onde estão também por seu talento, que não é comparável ao de Javier Barden, mas que pode ser comparado a seus papéis em outras novelas, onde possuam boas atuações na carreira.

    #Enio, acho que a intenção da Sarah era gritar mesmo 😉

  17. #Gisela, sou o tipo de pessoa que “vê pêlo em ovo”. Acho importante analisar tudo que consumo na mídia, justamente para fazer uma crítica construtiva e analisar o que podemos mudar no que é ofertado nos canais abertos. No caso das cenas entre Marcos e Dora, critico a maneira como o envolvimento se dá. Duas pessoas podem ter muito tesão e viver um relacionamento sem um homem obrigar uma mulher a beijá-lo, sem que ela tenha que fugir correndo toda vez que o vê, sem que ela seja acuada. Não estou falando da personagem Capitu, estou falando especificamente dessas cenas de perseguição. Quando eles estavam em Búzios não havia essa impressão de que ele iria estuprá-la. E isso passa uma imagem de que se um homem insistir com uma mulher, tentar beijá-la a força, ela acabará cedendo. Isso é nojento. Sempre detestei qualquer tipo de aproximação masculina que segura-se me cabelo, que forçasse intimidade quando eu não queria porque acho que as mulheres devem ser respeitadas quando dizem não.

    #Sabrina, super obrigada!

    #Carolina, realmente não entendo como um homem que sempre fez fama em cima de suas personagens femininas pode ter esquecido delas tanto assim. Até mesmo a personagem de Lilia Cabral, que sofreu muito com um casamento cheio de mentiras, com o divórcio, no fim parece ter voltado para o ex-marido. Difícil de acreditar.

  18. Oii!!
    De forma alguma quis dizer que uma mulher deve ser presa. E te faço uma pergunta: você “legal” uma mulher engravidar e so porque por motivos de profissão ela ir abortar? Claro que cada um faz o que quiser. Claro que não concordo em ir em clinicas de fundo de quintal, mas porque o aborto ainda não foi legalizado no pais? Não estou aqui para julgar ninguém quanto a esse assunto, mas existem várias maneira de se previnir filhos, é o que penso. Ainda continuo achando uma atitude errada!

    bjos

  19. Bela análise! Eu vi Viver a Vida, mas sinceramente achei a pior novela de Manoel Carlos… Affe! Do meio pro final, não tinha um gancho, nada pra acontecer! O último capitulo me deu tanto tédio que eu queria mudar de canal… rs

    Beijocas

  20. Segue:
    1º tópico concordo 50%, o aborto deve ser desmistificado e legalizado para fazer uma limpeza nessas clínicas clandestinas e ajudar acabar com as mortes que acontecem em decorrência de abortos feitos por açougueiros;
    2º discordo totalmente. vcs as vezes procuram cabelo em ovo! é como se os figurinistas e maquiadores fizessem tudo de caso pensado com o diretor. Acorda gente! nem tudo é racismo! Vcs vivem numa paranóia constante, hj em dia não se tem liberdade pra fazer nada, tudo é racismo pra vcs! daqui a pouco os notebooks da HP vão ter que ser produzidos em outra cor pq na cor negra é racismo!Que que é isso … não pode ser assim. Ela de joelhos era pra enfatizar que ela se sentia culpada, o cabelo preso pq ela estava deprimida por 1 milhão de motivos, pq ela se sente culpada pelo acidente, pq tava grávida e o marido não dava a mínima, pq o acidente foi com a filha do marido…. e deprimida não tem espaço pra vaidade e idem pra roupa. Pega leve galera!

    3 cena do Zé Mayer (como todas que o ator fem fazendo): concordo em 100%.
    Estou pegando nojo do ator já por tantas cenas deste tipo estarem ligadas a ele a bastante tempo. Tb não consigo acreditar que alguém pode apreciar este tipo de coisa.

  21. Não assisti à novela, acompanhei a história através de capa de revista de fofoca, mas já deu pra ter uma idéia dessas cenas polêmicas e tão baixas.

    Em geral, Maneco faz novelas muito machistas, esse é mais um motivo de porque não assisto as novelas dele.

    Adorei seu post, achei sua crítica muito boa.

  22. Pingback: O Feminismo & Eu.

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