O Poder da Intuição.

Continuando com o Book Crossing proporcionado pela Bites e pela Editora Record, o segundo livro que escolhi para ler foi: O Poder da Intuição: o inconsciente dita as melhores decisões, de Gerd Gigerenzer.

À primeira vista achei que era um livro um tanto quanto místico. Quando peguei em mãos pensei se tratar de um livro de auto-ajuda. Porém, na realidade, ele é um livro que propõe explicar cientificamente como a intuição age. As perguntas que o livro se propõe a responder são: Como a intuição funciona? O que há por trás de nosso comportamento além da reflexão e do raciocínio? De que forma simples métodos empíricos podem explicar como jogadores de beisebol pegam a bola no ar, pais decidem a escola dos filhos ou pessoas escolhem seus parceiros amorosos?

Capa do Livro - Divulgação
Capa do Livro – Divulgação

Dou muito valor a intuição. Acredito que devemos sempre buscar aguça-la. O que o livro nos propõe é que nossa vivência estimulando a intuição pode ser a melhor forma para tomar decisões. E o que ele nos mostra é que diversas decisões simples que tomamos estão baseadas cientificamente em princípios como o empirismo. O livro talvez quebre um pouco aquela visão romântica e mística da intuição, especialmente a aura que está por trás da intuição feminina, porém, os relatos mostram que muitas vezes seguir o coração ainda é a melhor opção.

É interessante a importância que o autor dá a intuição, pois essa sempre foi considerada inferior em comparação com a razão. E por muitas pessoas os homens são considerados racionais, enquanto as mulheres são intuitivas, demonstrando mais uma forma de tentar inferiorizar a mulher e polarizar as relações de gênero. Como afirma o autor, essa divisão é uma bobagem:

Homens e mulheres partilham da mesma caixa de ferramentas adaptativas. (pg.92)

Muitas vezes me organizei para fazer uma sequência de atividades durante o dia, porém, é comum que em determinado momento eu desista de passar no banco naquele horário, ou decida almoçar em outro lugar. Geralmente há uma inquietação interna que me faz tomar essas decisões. Talvez se eu analisasse melhor descobriria que meu organismo está desejando um tipo específico de comida, ou que estou cansada demais para todas as tarefas do dia. Também é muito comum pensar insistentemente em uma pessoa querida, nesses momentos costumo ligar ou mandar um e-mail dizendo oi. Mesmo que não seja nada sinto que há uma espécie de conexão. Para explicar todas as essas reações digo que estou seguindo minha intuição.

A simplicidade é um dos fatores-chave do livro. Não é preciso estar atolado de informações para se tomar a melhor decisão, muitas vezes basta pensar na maneira mais simples de resolver um problema, ou simplesmente não seguir a lógica.

Os sistemas morais mais efetivos são escritos com a tinta da simplicidade. Os dez mandamentos são um excelente exemplo. Segundo a Bíblia, uma lista de preceitos religiosos foi revelada por Deus a Moisés no monte Sinai. Gravados em dias placas de pedra, eram em pequeno número, o mesmo número de dedos nas mãos do homem. Os dez curtos preceitos eram fáceis de memorizar e sobreviveram aos milênios. Se Deus tivesse contratado consultores jurídicos no monte sinai, eles teriam tornado tudo mais complexo, acrescentando cláusulas adicionais e emendas na tentativa de cobrir tantos aspectos da vida moral quando possível. A completude, porém, não parece ter sido o objetivo de Deus. Deus, creio eu, é um satisfador, não um maximizador. ele se concentra nas questões mais importantes e ignora o resto. (pg.229)

Durante a vida nosso cérebro vai aprendendo a nos dizer quais as melhores oportunidades, do que devemos sentir medo, ou o que devemos avaliar ao tentar um novo passo na carreira. O importante é dar ouvidos a esse falatório interno, pois muitas vezes um único bom motivo já é suficiente para ir a um restaurante, para escolher um parceiro sexual no mundo animal, ou para se filiar a um partido político. Há muito poder em simples pressentimentos.

Outras resenhas do Book Crossing:

Bolsa de Novidades – O Poder da Intuição

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