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O Erro

maio 1st, 2009 · 3 Comments · Vira-lata

Ato I – O Erro

Você erra. Erra feio. Sabe que não é a primeira vez, mas foi uma série de erros que tornou tudo péssimo. O erro é parte constante da imperfeição que insiste em me tornar humana. O erro pode estar no físico ou simplesmente no pensamento. Quando estava na faculdade de pedagogia, uma das frases que mais me marcou foi: “Quando o meu aluno erra, eu erro também”. E isso reverbera, pois sou responsável pelos meus erros. E quando eu erro? Errei sozinha? Ou foi culpa do meu chefe, da minha mãe ou do sinal fechado? Por que alguém tem que ser culpado pelo erro? Eu estava no local errado, na hora errada? Se todo mundo erra por que estou tão decepcionada?

Ato II – A frustração

Por mais que o erro seja humano, comum, banal. Eu, estou aqui frustrada. Ridícula e piegas, o tipo de pessoa com quem perdemos a paciência. Um erro que não foi fatal, talvez por milímetros ou simplesmente porque não era para ser. Mas ela prostra-se ao meu lado, a frustração fatal. Aquela que além de não me permitir esquecer do meu erro, quer que eu continue dessa maneira. Dos sentimentos pessoais a frustração só não é pior que a pena, a dó. Ainda bem que não estou piedosa comigo, estou apenas frustrada e furiosa por errar. Sim, eu queria ter o controle total, o poder de não errar e de pensar que os outros são imperfeitos. Eu não sou perfeita, apenas gostaria de ser.

Ato III – O Abandono

O abandono da frustração representa a ressignificação do momento máximo do meu cavaleiro derrotado. É preciso elaborar uma lista de prioridades. O que fica no topo são sempre as responsabilidades com quem não é meu amigo, com quem não compreende meu erro, nem mesmo quer saber de sua existência. É a hora de começar a sair da merda. De pedir desculpas, dizer que errei, que entrei num buraco e tô tentando sair, mas agora não vai dar para cumprir o que eu tinha prometido. Algumas continuarão confiando em mim, porque um dia demonstrei mais do que fraquezas. Ou, justamente, porque sei me mostrar essa pura humana, culta, blasé, imperfeita. É o abandono daquela criatura chorona e infantil que não queria errar.

Ato IV – A Retomada

Acontece. Depois de algum tempo as coisas voltam a fluir. O que tinha prazo já foi entregue e o que não tinha vai ganhando tempo, espaço e pensamento. Os pequenos surtos continuam, porque é complicado ser normal, controlada e obediente o tempo todo. Quando você faz terapia por muito tempo aprende que alguma hora o surto passa, não precisa se desesperar. Agora a pouco foi a última cacetada na cabeça. Um mês rezando para o fim. Ou 100 dias. Ou uma xícara de chá quente e uma conversa lacrimosa resolve tudo. Porém, o fim ainda não será agora. Ou apenas é simplesmente um grande amigo que traz as boas novas. Ou é simplesmente a tomando novamente seu lugar entre os dias nublados. No fundo, uma eterna otimista.

Ato V – A Ópera do Mallandro.

Imperdível: parte 1 e parte 2!

#Momento Favoritos:

#1. O pai da Ucha e do Nestor, fez um post (e a continuação ) com ótimas covers feitas apenas por cantoras de músicas cantadas originalmente por homens. Eu adoro o Zé e graças a ele adoro a Roisin murphy cantando Slave to Love.

#2. Recomendadíssimo post da Nosph no Deusario sobre A Arte de Dizer Não.

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3 Comments so far ↓

  • Fiquei tocado com seu texto de hoje. Valeu para repensar no quanto a gente erra, sofre por causa do erro, e mesmo quando a gente acha que superou, lá vem ele bater de novo na nossa porta.

  • Lunna

    Tem erros que gritam bem alto (o mais alto que eles conseguem) e as vezes derruba a gente, mas tudo bem, sempre tem o dia seguinte e a reflexão, ainda que está leve dias… Beijos

  • Liliana

    Lindo texto.
    Obrigada por me citar :)
    Beijos!

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