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Uma Feminista com Uma Garrafa de Groselha na Mão.

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Mães com Filhos e Mães sem Filhos.

maio 7th, 2009 · 8 Comments · Marie Claire

Outro dia, a fofa Lili Ferrari pediu pauta para o blog Mãe com Filhos. Eu, prontamente achei esse post enquanto lia os compartilhados da Cynthia e enviei. A Lili fez um post e a Sam Shiraishi também.

Photo by Vincent Kessler, Reuters
Photo by Vincent Kessler, Reuters

A imagem da representante dinamarquesa levando seu filho para o parlamento europeu é emblemática, pois traz dois elementos da vida feminina que aos olhos da maioria parecem cada vez mais opostos: carreira e maternidade. Nenhuma mulher deixa de ser uma profissional competente porque se torna mãe. E nenhuma mãe precisa viver cheia de culpa por se dedicar ao trabalho. É possível encontrar um equilíbrio em tudo na vida, o importante é que tanto a carreira, como a maternidade sejam parte dos desejos da mulher, sejam formas de realização.

No momento, curso uma pós-graduação em Gestão de Pessoas. É comum ouvir entre professores e alunos a seguinte frase: “Se você resolveu ter um filho, sua empresa não é o pai dele, então trate de dar um jeito para que ele não atrapalhe seu trabalho”. Essa frase é péssima, pois a empresa deveria se preocupar com o bem estar de seus funcionários. Todos sabemos que crianças ficam doentes, a babá falta, a escola pública entra em greve. São imprevistos que podem ou não ser contornados. Uma mãe que precisará faltar o trabalho não deve ser crucificada. Quem não tem filhos pode ter outros problemas, com os pais, irmão ou mesmo um animal de estimação que precisa ir urgente ao veterinário. Não há porque não dar apoio a quem tem problemas. É mais um motivo para a pessoa se sentir valorada no ambiente de trabalho. Aí você pode argumentar que as pessoas vão aproveitar para começar a faltar o tempo todo. Sinto informar que nesse caso você não está tratando com pessoas adultas e comprometidas com o trabalho.

Uma mulher deve ter filhos se assim o desejar. Se isso realmente não for uma realização para ela, também há a opção de não tê-los. Essa deve ser uma decisão consciente, e posso afirmar, você sente quando realmente quer ter filhos e quando escolhe não ter essa responsabilidade e todas as alegrias de criar uma prole. Há muito tempo sinto e sei que não quero ter filhos biológicos, nunca me agradou a idéia de ficar grávida, gerar uma vida e passar por um parto. Por ter muitos primos adotados e por ter trabalhado como voluntária em abrigos para crianças abandonadas, não vejo razão para engravidar, pois se eu decidir ter um filho sinto-me muito mais inclinada a adotar. Mãe é quem cria, mãe é quem ama todos os dias. A relação é para sempre. Uma mulher que decide não ter filhos não é uma pessoa egoísta, sem coração, nem está negando sua natureza. Ela apenas fez uma escolha que a faz mais feliz.

Filhos são um assunto importante na vida das pessoas. Acho que ninguém deveria abrir mão de ter um filho ou de não ter se assim o quiser. Para mim ter ou não um filho biológico não é algo negociável, deve ser uma decisão de cada pessoa, que precisa ser comunicada logo no início de um relacionamento. E apesar de não ter o ardente desejo de sentir chutes na minha barriga, fico muito feliz sempre que encontro relatos de mães em blogs. Porque ao se ter um filho uma nova vida nasce para todos os envolvidos diretamente e há muito assunto para se discutir. O que tem mais me divertido nos últimos tempos é o Sutiã 44.

Também é por essas e outras razões que não entendo porque o Malauí nega o pedido de adoção de Madonna. É marketing? Claro, mas ela pode ser a popstar que for, pode ser separada, não ter marido, usar roupas extravagantes e se envolver com rapazes mais novos, mas é fato que tem capacidade de dar uma vida muito melhor para uma pequena garota africana. Quem garante que Madonna não é uma mãe carinhosa e atenciosa? O suposto pai da menina que nunca foi atrás da filha, mas agora vive dando entrevistas a tablóides? Vou julgá-la por ser uma boa profissional do show bussiness? É uma criança a menos abandonada num país pobre. E eu defenderia essa adoção se fosse em qualquer país. É uma criança a menos sem chances de ir além. Até achei louvável que ela adotasse a segunda criança no mesmo país em que adotou seu primeiro filho, pois representa uma forma de fraternidade por meio da cultura. Entreguem a pequena Mercy a Madonna. Se eu crescesse e descobrisse que Madonna quis me adotar, mas esse pedido foi negado, quebrava aquele orfanato inteiro.

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8 Comments so far ↓

  • Sam Shiraishi

    Bia
    eu já falei longamente sobre esta questão da maternidade como opção. É um ponto que não deveríamos jamais questionar e quem o faz está sendo levado por motivações e dramas pessoais, geralmente – ao contrário do seu texto – sem fundamentação real.
    Para esta reflexão sobre a maternidade ser ou não natural no ser humano vale ler os textos de Elizabeth Badinder em L’Amour em plus (Um amor conquistado – o mito do amor materno).
    Para ela, que é mãe e avó, a mulher deve sempre se perguntar se realmente quer ser mãe e em que condições. Ela diz:
    “Deduzindo-se o feminino da capacidade materna, define-se a mulher pelo que ela é e não pelo que escolhe ser. E não há definição simétrica do homem, sempre apreendido pelo que faz e não pelo que é”.

  • Tenho dois casos opostos aqui no trabalho: uma que acabou de voltar da licença maternidade e se recusa a ficar além do horário (quando chega em casa mais tarde e o filho já está dormindo, ela chora porque não teve tempo de brincar com ele); a outra, mesmo na licença maternidade, responde e-mails em horários estipulados e marca reuniões pessoalmente uma ou duas vezes por semana.

    Na minha opinião singela, sendo pai de dois filhos [sic], concordo com o que a Sam disse aí em cima: define-se a mulher pelo que ela é e não pelo que escolhe ser. Em outras palavras, “o que é prioridade para você na sua vida?”

    E concordo mais ainda com a sua afirmação: “Ela apenas fez uma escolha que a faz mais feliz.”

  • Virginia

    A-do-rei o seu post!!
    Adorei nosso encontro na La Reina aquele dia com o posterior almoço no Villa Tevere. Tudo de bom! =D
    Bjs.

  • salvatore

    genteeee!
    FANTASTICA essa foto!

  • lia

    Oi, Bia,
    cheguei aqui pelo Escreva Lola, por indicação da Mari, do Pequeno Guia Prático. Amei seu texto, especialmente sua visão sobre como as empresas devem tratar seus funcionários. Também acho uma palhaçada essa posição de alguns chefes de tratar seus subordinados como crianças, como se só trabalhassem sob vigilância. E se todo mundo tivesse mais bom senso, seria muito mais fácil conciliar a vida pessoal (com ou sem filhos) e o trabalho. Seria bom se mais pessoas pensassem como você.

  • Elen (dannah5)

    Adorei seu texto, concordo plenamente, TUDO tem q ser opçao e tudo tem q ser entendido.
    Ter nao ter, engravidar ou nao, adotar ou nao, a gente tem que olhar pra si e ver o que nos fará felizes e eh isso q importa.

    Esse lance profissional eh complicado, eu odeio ser vista como numero, e empresas tendem em sua grande maioria a esquecerem que como qualquer ser humano podemos ter problemas. Quando engravide passei maus bocados na mao de meus ex chefes, a ponto de quase abortar. Ainda rola muito terrorismo, nao eh facil ser mae e profissional sempre.

    Eu tenho 2 aqui, ainda pretendo em alguns anos encomendar um terceiro e quem sabe adotar tbm, eu sempre sonhei em adotar uma criança, minha familia sempre foi muito receptiva e cheia de bons exemplos.

    Beijocas

  • iaiá

    bia,

    embora vc ainad não tenah filhos ( ñ importa se biológicos ou ñ, isso para mim não faz muita diferença) vc demonstar muito mais sensibilidade em relação ao tema do que muitas pessoas que acham que ser humano é máquina de lavar que tem várias programções definidas de fábrica.
    escolhas são importantes e só faz isso bem quem se conhece. bjs

  • Links interessantes #20 » LumaKimura.net [ Blog ]

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