Já faz tempo que a queridona Lu Freitas falou sobre o documentário “Criança, a alma do negócio” . Consumir é algo que faz parte de nossas vidas. A não ser que você esteja vivendo dentro de uma caverna, todos os dias queremos possuir algo a mais, por causa da publicidade, por causa da sociedade de consumo, ou porque é impossível resistir as últimas novidades. Se você é um adulto pode implementar regras para consumir menos, para controlar atos impulsivos de compra, mas e se você é uma criança? E se você é pai ou mãe, tem um filho que vê muita televisão e é exposto a muito mais propagandas que você? Quais os hábitos de consumo que deveríamos estimular se vivemos num mundo que cada dia se degrada mais por causa do consumo? Você olha para a gripe suína e vê o quê? Porquinhos espirrando? Ou o resultado do modelo industrial da produção de alimentos?
Primeiro, é impossível as pessoas pararem de comprar e consumir. Não estou condenando pessoas, mas sim processos de produção, exploração e consumo. Se você é consumista desenfreado é melhor repensar seus hábitos. A publicidade fala com você todos os dias, mas fala ainda mais com as crianças. E, infelizmente, tudo tem um custo, não dá para tapar os olhos. Se a Dove faz essa ótima propaganda dizendo: Fale com sua filha antes que a indústria da beleza fale. O Greenpeace nos diz que as florestas tropicais estão acabando por causa da exploração de óleo de palma usados nos produtos Dove. É possível encontrar equilíbrio? E não é ótimo que a publicidade do Dove faça propagandas como a True Colors? Todos amamos a beleza. E todos também devemos amar o planeta e os publicitários.
Consumo muito. Acumulo algumas coisas, tenho sérios problemas em diminuir a quantidade de livros, dvd’s, sapatos e bolsas em minha vida. Não quero aumentar esses números, não quero consumir desenfreadamente, entupir minha casa de coisas. Quero comprar o que sei que vou usar. Se não resistir e comprar algo a mais, trocar ou doar uma coisa que já tenho. É preciso fazer os objetos circularem, mas também é preciso parar de comprar. Eu acredito naquele lance de cada um fazer a sua parte. E a economia? Você tem razão, a economia gera riquezas e empregos para o pais, se eu não comprar vou estar afundando tudo. Será? Será que a conscientização e a implementação de bons hábitos de consumo não geram novas alternativas para a economia?
O que mais me assusta no documentário não é a cena em que as crianças escolhem a palavra “comprar” ao invés da palavra “brincar”. É a da menina contando que quando a mãe diz que não pode dar o que ela quer, ela sente vontade de chorar. E do menino, que falando sobre seu terceiro celular, afirma que não é muito de brinquedo. Crianças se tornando adultos precocemente e adultos demorando a amadurecer, vivendo eternamente na adolescência. É essa a sociedade que está lidando com novas epidemias mundiais e com a degradação do planeta? Ou é tudo uma questão de que ter define o que somos?
O documentário está disponível no youtube em 5 partes numa parceria com o Instituto Alana. Abra as janelas, deixe baixando enquanto lê/responde os emails e assista. Vale muito a pena! Divulgue e me conte qual sua relação com o consumo.
CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO
Um documentário sobre publicidade, consumo e infância.
Produtora: Maria Farinha Produções
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti
Sinopse: “Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?” Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.
Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=dX-ND0G8PRU
Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=UkcVM0Vcwd0
Parte 3 – http://www.youtube.com/watch?v=eq0gqEeaNL8
Parte 4 – http://www.youtube.com/watch?v=2d0DWuZsAfM
Parte 5 – http://www.youtube.com/watch?v=88v1i9BXTS8
Créditos finais - http://www.youtube.com/watch?v=Oqk7uUnEurY



Sagesse // mai 4, 2009 at 1:51 AM
Amiga, eu concordo com o q vc falou a respeito de crianças tendo hábitos de adultos e adultos infantilizados… Realmente, dé medo saber q esse tipo de pessoa vai ter problemas sérios para resolver num futuro próximo…
Eu sou supereconômica, com exceção de gastar em comida, tipo McDonald’s, docerias, sorveterias… É um hábito que eu gostaria de mudar.
De resto, se vc gasta em livros, CD’s e DVD’s, pelo menos vc está consumindo p um fim nobre. Adquira o hábito de doar ou revemder qdo vc não quiser mais usar. É a melhor coisa.
Beijo!
Francine // mai 7, 2009 at 10:42 AM
Não é fácil suportar toda essa propaganda dizendo que se você consome tais produtos é mais legal e autentica. Eu procuro me controlar sempre, mas não é fácil não. Para a consciência não pesar tanto eu sempre junto aquela sacola de roupas que não uso mais e doo.
Quantas vezes vi crianças se jogando no chão, gritando, fazendo aquela confusão toda no meio do shopping por causa de um brinquedo novo…um absurdo!
Ainda não vi o vídeo, vou lá assistir.
Beijos!
Milady Carol // mai 13, 2009 at 3:49 PM
Esse assunto me interessa muito, então senta que la vem a historia
O que acontece, na minha opinião, é que chegamos a um ponto de saturação, principalmente nos países mais ricos como aqui na França.
O desperdício é uma coisa incrível, a poluição gerada por tanta produção é uma coisa de louco.
Quebrou um pé do móvel ? Joga-se fora e compra-se outro. Uma cômoda meio gasta, uma TV antiga demais, cansou da decoração do quarto? Joga fora ! E mais barato comprar um novo do que consertar, e mais facil do que reaproveitar…
Hoje em dia, tento consumir de maneira responsável. Dou prioridade a móveis e eletrodomésticos de segunda mão, ou reaproveitados. O mesmo vale para livros e DVDs, que são até mais baratos se comprados usados, e o produto é o mesmo. Sou fã de sites como eBay e Priceminister. Fixo um orçamento para vestuário, e por exemplo, em vez de comprar 2 blusas, compro uma só, mais cara mas melhor, que vai durar mais tempo.
Para a alimentação, escolho produtos locais (o que reduz o impacto no meio ambiente) e produtos orgânicos, fair trade ou ecologicamente responsáveis. Reduzi também o consumo de carne e de produtos industrializados.
Não compro cosméticos nem produtos de limpeza testados, em nível nenhum, em animais. Entrei em redes de doação para doar tudo o que não tem mais uso em casa.
Ou seja, acredito em : consumir menos e melhor, pensar no impacto que o nosso consumo tem no mundo e no meio ambiente antes de comprar. E isso requer um distanciamento enorme da publicidade, que tenta nos convencer todo dia que precisamos absolutamente de tal ou tal produto. E é aí que o bicho pega… Estou assistindo o documentário agora !
Elas também querem ficar bonitas! #3 | Quero Ficar Bonita // mai 15, 2009 at 1:26 AM
[...] Criança e Consumo: ainda sobre o tema crianças, maquiagem e educação, recomendo que leiam este post da Bia. Ela trata o assunto de forma mais ampla, abordando também a influência da mídia sobre o consumismo das crianças. Ela também sugere um vídeo, Criança, a alma do negócio, e uma entrevista feita com a autora do documentário pela Lu Freitas, do Ladybug Brazil. [...]