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#7 Pontos sobre Milk.

março 29th, 2009 · 5 Comments · Marie Claire

Porque gostei de falar de cinema dessa maneira. Uma maneira Topismos de ser.

#1. No dia seguinte ao Oscar, resmunguei no twitter minha insatisfação por Mickey Rourke não ter ganho como melhor ator. O Max Reinert retrucou que Sean Penn era o melhor e falou da importância dos prêmios de Milk . Max estava certo. Talvez no fundo eu ainda ache que Rourke deveria ter ganho, adoro a alegoria do herói caído, mas Sean Penn foi, sem dúvida, a melhor opção. Ele está na medida certa e deu um carisma delicioso ao personagem. Acompanhar sua trajetória de enrustido nova-iorquino, passando por dono de lojinha abusado, até primeiro gay a ser eleito para um cargo público nos EUA é prazeroso e emocionante. “My name is Harvey Milk and I’m here to recruit you!” É uma frase que merece ecoar.

#2. Emile Hirsch é atualmente o melhor ator da nova geração. Eu achava que Shia LeBeouf ia levar essa, mas Emile está cada vez melhor. Comecei a prestar atenção nele quando assisti Na Natureza Selvagem , dirigido por Sean Penn. O filme é uma bela história sobre um garoto que resolve mudar radicalmente sua vida, abandonando tudo e todos. Emile sabe nos cativar em cada cena, especialmente quando tenta nos ensinar o óbvio. É um dos meus top 10 filmes favoritos que levarei para vida toda. Depois assisti Speed Racer, onde ele faz o papel título e não deixa o herói cair na canastrice e adorei todo aquele psicodelismo. Daí lembrei também que já o tinha visto em Os Reis de Dogtown , um filme bacana sobre a juventude surfista/skatista californiana. E claro, um filminho muito simpático e honesto chamado Um show de vizinha. Recomendo todos. Em Milk ele é cria política do Harvey Milk. Tem ótimas cenas, desde o momento da abordagem até sua primeira vez no megafone. Além de tudo usa uns óculos super charmosos.

#3. Aposto minhas fichas em Josh Brolin. Quem o viu em Onde os fracos não tem vez sabe que ele foi um contraponto ideal para o esquisitíssimo personagem de Javier Barden. O papel dele em Milk não é tão legal, mas o ator mostra-se versátil. Ainda o veremos interpretando George W. Bush no aguardado filme de Oliver Stone. E aposto que vai ser figurinha fácil em indicações a coadjuvante nos próximos anos. Se bem que, como li em alguma crítica do Oscar, quem é casado com Diane Lane não precisa ganhar mais nada.

#4. Um dos grandes méritos de Milk é servir como documentário/ficcional sobre o surgimento do movimento gay em São Francisco. As cenas de passeata são emocionantes. O lançamento desse filme e todos os prêmios que ganhou são mais do que merecidos porque no fim do ano passado o movimento sofreu um terrível baque com a aprovação da proposta 8 que proibiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. As pessoas devem ter seus direitos civis garantidos não importando sua sexualidade. Foi um momento de muita frustração perceber que um estado que elegeu Obama, cheio de sentimentos de esperança, negue a seus cidadãos o direito de se casarem , pior negue a eles os direitos de serem felizes e de cuidarem de suas próprias vidas, negue-lhes liberdade .

#5. Não gostei do personagem de Diego Luna. Achei chatíssimo, estereotipado e antipático. Talvez fosse essa a intenção, ora pois. Faz sentido seu envolvimento com Harvey, mas realmente foi a única coisa que não gostei, todas as cenas em que ele aparecia eu torcia o nariz. Uma pena, pois adoro Diego Luna.

#6. Milk é um filme de personagens. Além de todos os que já citei, tem ainda o James Franco que faz o grande amor do Harvey com um sorriso lindo logo na cena do metrô, os amigos que incentivam e trabalham na campanha, o garoto que trabalha na lojinha de filmes, a lésbica que chega para ser chefe de campanha. São todos maravilhosos, acompanhando de perto todas as derrotas e comemorando intensamente as vitórias de Harvey. Na verdade todos estao unidos pela amizade e pelo sonho. É um filme esperançoso, sem sombra de dúvidas.

#7. Mesmo esperançoso, seu final nos mostra que os sonhos podem morrer e para isso é preciso continuar lutando para mantê-los vivos, mesmo sem seus personagens principais. Os créditos finais, contando o que aconteceu com cada um dos personagens é um dos mais lindos que já vi. E no fim, com o sorriso de Harvey Milk na tela, o filme é um convite a vivermos sem amarras e lutarmos pela liberdade. “Without hope, life’s not worth living.”

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