#2 Solteira e Fabulosa?

O mote da segunda temporada de Sex and the City são as vantagens e desvantagens de ser solteira numa grande cidade. Será que as mulheres lindas e bem sucedidas no fundo são apenas princesas frágeis esperando para serem resgatadas? No mercado de relacionamentos as mulheres sempre parecem sofrer mais, pois os bons partidos são comprometidos e sempre caímos nos braços de canalhas que dilaceram nossos corações. Seria a solidão a lepra dos dias atuais? Ou as pessoas nunca estão satisfeitas, solteiros querem casar e casados sentem falta da vida de solteiro? A verdade é que os adultos nunca foram tão egoístas, porém os desejos românticos persistem. Ainda bem que temos diversos exemplos femininos a serem seguidos do que apenas os contos de fadas.

#Episode: They shoot single people, don’t they? As meninas estão num bar dançando salsa e se divertindo.

Carrie: – Um brinde a nós, sem homens!

Charlotte: Não vou brindar a isso, dá azar. Se eu ficar sozinha a culpa é sua.

Samantha: Querida, estamos sempre sozinhas, mesmo quando temos um homem. Eu a aconselho a aceitar esse fato. Viva como eu, curta os homens, mas não acredite que eles sejam suficientes. A não ser quando… vocês sabem….

Samantha e Charlotte são dois extremos no seriado. Enquanto a primeira é a mais liberal e menos paranóica, o que interessa basicamente é o prazer; Charlotte representa todos os medos dos eleitores de Bush e acredita em frases do tipo: “o que é seu tá guardado”. Levante a mão a solteira que já quis atirar em alguém que lhe disse essa frase. Ser ou não ser solteira, muitas vezes essa é a questão. Aceitar que nascemos e morremos sozinhos é essencial. Algum dia teremos que enfrentar a verdade dos days of our lives.

# Miranda, Carrie e Charlotte exercitam-se no parque, quando cruzam com um ex-casinho de Miranda. Ele insiste em puxar conversa e ela se esforça para ser simpática e cortar o papo.

Miranda: – Só transamos duas vezes. Na primeira vez, fingi. E precisei fingir na segunda vez também. Não queria fingir de novo, então, não liguei mais para ele.

Charlotte: – Você o largou por causa disso?

Miranda: – Ter orgasmos é essencial.

Charlotte: – Mas orgasmos não lhe mandam bilhetes e não seguram a sua mão.

Carrie: – Os meus sim.

Miranda: – Você acha que fingir é certo?

Charlotte: – Não. Mas se gostar do cara que mal há em fingir um “oh.. oh…” ao invés de ficar sozinha?

Miranda: – Só tenho essas duas escolhas?

Charlotte: – Um orgasmo é mais importante que tomar café juntos de manhã?

Miranda: – Não penso duas vezes em trocar um orgasmo por um café colombiano.

O orgasmo é um dos maiores símbolos da revolução sexual. É quase impossível ser frígida e feliz atualmente, pois há pessoas fazendo sexo ate dentro do bueiro. Porém, a frase final de Miranda mostra o quanto tudo se tornou banalizado. As mulheres podem ter quantos orgasmos quiserem, mas até que ponto isso significa estar cada vez mais sozinha? As donzelas que me perdoem, mas ter prazer torna a mulher mais livre, pois para ter prazer ela precisa conhecer seu corpo, estar entregue ao ato sexual. O orgasmo feminino é completamente diferente do masculino, e mesmo sendo momentos efêmeros, são bons remédios para o stress do cotidiano. O sorriso no rosto de uma mulher bem comida, não tem preço.

# Episode: New dogs, old dicks. Big e Carrie voltam a namorar, porém a mania dele olhar para outras mulheres na rua a irrita. A velha pergunta é: “É possível mudar um homem?”.

Samantha: – Se esse for seu maior problema você está com sorte.

Carrie: – Se fosse um problema tão pequeno assim, ele conseguiria parar com isso.

Samantha: – Não se muda isso. Faz parte do código genético deles. Aceite o Big como ele é. Não se pode mudar um homem, nem um pouco.

Carrie: – Eu sei, mas você pode manipulá-lo aos poucos.

Samantha: – Só para mudar seu penteado ou suas roupas. Mesmo assim é difícil.

Carrie: – Gosto do penteado e das roupas dele, não quero mudar isso.

Samantha: – Bem, nenhum homem é perfeito.

Carrie: – Não quero perfeição, apenas pequenas mudanças.

Samantha: – Cuidado, querida. Pois se começar a mexer demais pode desmanchar tudo.

Todo mundo sabe que ninguém muda ninguém. Nao duvido que as pessoas mudem, mas apenas se realmente quiserem, se estiverem dispostas. Nao se deve ficar esperando isso para que sua felicidade seja completa. Gostaria que todos fossem flexíveis, que parassem de fumar ou de ler Lya Luft mas pessoas tem defeitos. O importante nos relacionamentos é decidir com que defeitos você é capaz de conviver. Insistir em mudar o outro, acreditar que depois de casado ele irá mudar, é sempre um erro. Pense o quanto voce mudou nos últimos anos? É até difícil para as mulheres mudarem ao começar a namorar, conquistamos tantas coisas, temos rotinas que gostaríamos de manter. Nos acostumamos a dormir sozinhos em camas de casal.

No próximo post mais segunda temporada com “O Amor Sadomasoquista”. O primeiro da série foi “O Sexo e a Cidade”.

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

12 comentários sobre “#2 Solteira e Fabulosa?”

  1. parar de ler a Lya Luft é maravilhoso!!! eu não suporto ela!

    Concordo com tudo o que vc falou aí. E tem mais uma coisa: às vezes a gente acha que tudo bem tolerar alguns defeitos mas…depois vê que não aguenta. Ué, podemos mudar de idéia certo?
    Acho que essa é a maior conquista feminina do século passado: estarmos com alguém simplesmente porque escolhemos estar com eles, e não porque precisamos estar com eles para sobreviver ou manter o status social.
    Quanto aos orgasmos, até acho que os orgasmos femininos e masculinos são parecidos, a diferença é a relação que temos com quem nos proporcionou o tal orgasmo… 😉

  2. Senhorita, como está?
    Estou assistindo tanto sexxxx…..
    Acredito que nós solteiras somos tão fragéis que ficamos prevendo todo e qualquer desastre. e ai está o caos. Ficamos solteiras e mais frustradas do que as casadas.
    Beijos

  3. Adorei a sua resposta ao meu comentário. Fiquei rindo feito boba aqui… Mas sabe, eu ainda não me posicionei no mundo com relação a essa coisa toda de sexo. Não ligo mesmo. Claro, é legal e tudo mais, mas se não tivesse não iria ser o fim do mundo. Acontece porque faz parte de algo muito maior, a companhia, o bom dia com um abraço bem amassado, aquele beijo que desperta no último segundo quando nem se esta esperando. A saudade que fica na pele quando não se esta perto e por fim, o compartilhar das ilusões e das emoções. O orgasmo é um novo mito criado por alguém que na certa estava sozinho consigo mesmo porque se pode estar com alguém e ainda sim estar sozinho, então há de existir algo para se compensar.
    Não estou dizendo que é ruim, é uma explosão natural no final das contas, mas é apenas um complemento de tudo mais. Sozinho é vazio e sem significado algum.
    Abraços meus

  4. Vc tocou em assuntos importantes como mulheres bem sucedidas e mudanças…

    Acho que o Brasil é um país que não valoriza a mulher, exceto se ela for um material de consumo, bem bonita e nem tão inteligente. Se ela não ameaça o homem e os encanta com sua beleza, essa é a mulher que faz sucesso no Brasil e na maioria dos países latinos!

    Quanto a mudanças. Acho que a mulher espera mais que o homem mude do que o contrário. E acho que esse é um grande erro da mulher, achar que pode mudar seu parceiro, isso é a causa de grande parte da insatisfação da mulher num relacionamento!

    Beijocas

  5. Acho que a gente muda o tempo todo, em escalas menores, mas muda. E mais, mudanças mais explícitas e significativas são possíveis sim, conforme você disse, mediante a muito esforço.

    Mas concordo com Samanta, a gente muda porque quer mudar e não porque a outra pessoa quer mudar a gente. Pra mim, isso não é amor.

    Beijim, frô!

  6. Aos 30 anos eu me percebo cada vez mais como a Charlotte. 🙂
    Onde estão os príncipes encantados? Sim, eu acho que eles são abatidos da tiro, só pode. Ou então estão iludidos pelas periguettes da cidade. Ó vida….
    Bjs!

  7. Eu adoro seus posts! Tanta verdade neste aqui.

    Acho mesmo que a maioria das pessoas vive no dilema “estou casado e sinto falta dos amigos, de sair pra dançar/beber quando der na telha, de fazer coisas sem ter de dar muita satisfação” ou “que bom, agora estou solteiro e posso fazer tudo isso, mas o que eu queria mesmo é encontrar alguém pra andar de mãos dadas comigo, dividir um café da manhã, um pôr-do-sol, uma comédia romântica, uma tarde andando de bicicleta num parque”.
    O comentário da Carol também me define.
    Só sei uma coisa: hoje em dia o que eu mais quero é ter um relacionamento com o mínimo de dependência um do outro, já que nascemos sozinhos e assim iremos pros sete palmos abaixo da terra. Quero os dois compartilhando uma vida, mas nada de depender doentiamente, como se o casal fosse uma espécie de gêmeos xifópagos. Isso nunca vai dar certo. Bom que cada um tenha seus momentos, sua própria turma de amigos pra ver de vez em quando, um hobby. Bom, eu sou suspeita pra falar, porque adoro e necessito de momentos de solidão. E tem coisas que eu só consigo mesmo fazer sozinha. Ruim é se o parceiro encarar isso como “falta de amor”. Ruim demais.
    Sex in the City rules! Adorava! =)
    Beijos, Bia!

  8. Hahahaha. Eu acho engraçado. Eu gosto da minha cunhada porque ela tem resposta pra tudo. Outro dia, eu resolvi fazer a piada de que vocês, mulheres, querem direitos iguais, mas não estão preparadas. Ela me respondeu que não quer direitos iguais, quer continuar com a gente pagando as contas, dando presentes, etc.

    Mas sei lá, é besteira achar que ‘mulheres preferem os canalhas’. Isso é desculpa de mulher que sofreu por alguém e agora tá aí, jogada na sarjeta. Eu duvido que uma mulher não gostaria de ter alguém que a valoriza pelo que ela é, que apoie em todas as decisões, que é paciente com as ‘tpms’ dela e ainda lhe proporcione uma boa noite de sexo =)

    Enfim, cada qual com seu cada um.

  9. A primeira coisa que aprendi nesse meu atual relacionamento é que 1) não existem regras de “como manter um relacionamento”;2) que ninguém muda ninguém, a menos que a pessoa queira. Na verdade, a gente muda sempre, mas não pelo outro (pelo menos não devemos fazer isso), e sim, por nós mesmas…

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