#4 Nosso Amor de Ontem.

Quando começamos a andar de mãos dadas, dividir o lanche, ficar, namorar e afins criamos a possibilidade de um novo personagem em nossas vidas: o Ex. Um personagem controverso, mas eterno, pois em algum momento ele será incluído na contagem das pessoas que cruzaram seu caminho. Cada um sabe a dor e a delícia de ser Ex. Pode-se tentar apagar o passado ou revivê-lo. Porém, é certo que por alguma razão cósmica do universo as pessoas se reencontram nos engarrafamentos da vida.

Um dos meus episódios favoritos de Sex and the City é The Ex and the City. É o último episódio da segunda temporada e faz uma pequena homenagem a um filme de 1973, The way we were. No fim cada pessoa carrega seus pertences, alguns não querem nada, outros levam mais do que deveriam. Também é de cada um a responsabilidade de seguir em frente, de realmente perceber que acabou. Big vai se casar com outra mulher, e a pergunta que martela na cabeça de Carrie é: por que não eu? E como você lida com um Ex? Apesar de ter vomitado depois de rever o Ex, Carrie quer ficar amiga de Big. Outra pergunta que paira sobre o episódio é: para onde vai o amor quando um relacionamento acaba? Ele simplesmente acaba, mas era tão intenso e único que as vezes custa crer em sua morte.

# Miranda encontra Steve por acaso na rua, se apavora e sai correndo.

Miranda: – Sinto muito, entrei em pânico. Eu não queria falar do tempo. Ele transou comigo, muita história rolou. Não consigo ser amiga de um Ex. Não sei como certos casais ficam amigos depois da separação.

Sam: – Nunca fui capaz de ter um amigo homem. As mulheres são amigas, os homens amantes.

Charlotte: – Amizade é o bônus de um relacionamento. Se eles não querem namorar a amizade não me interessa.

Carrie: – Você nega a amizade para puni-los?

Charlotte: – Você fez isso soar tão ruim.

Sam: – As viúvas negras matam seus parceiros depois do coito. É assim que se faz.

Miranda: – Acredite, adoraria ser como aquelas pessoas que dizem: “Nós nos amamos, obrigada. Foi bom, mas agora vá embora”. Porém sou mais do tipo que diz: “Não deu certo, agora desapareça”!

Carrie: – Isso é tão infantil. Não você, a situação toda. Nós guardamos vestidos que nunca mais usaremos, mas jogamos fora os ex-namorados. Não estou dizendo que sou melhor que os outros. Não consegui ficar amiga do Big, mas se você ama alguém e se separa, onde foi parar o amor?

Sam: – Foi para próxima namorada!

Carrie: – Não, esse amor é diferente. O que eu sentia pelo Big é diferente do que aquela Natasha sente por ele.

Miranda: – Natasha… Desde quando você parou de considerá-la uma idiota sem alma?

Carrie: – Desde três semanas atrás quando os vi num café. Ele estava segurando sua mão e sorrindo. Finalmente caiu a ficha, eles estão felizes e eu já era. E foi bom.

Sam: – Natasha… Que nome de merda.

Mianda: – Totalmente

Charlotte: – Estúpido.

Carrie: – Completamente besta.

Não é raro as pessoas competirem para ver quem vai ser feliz primeiro, quem vai conseguir namorar primeiro alguém melhor ou pelo menos mais bonito. É duro ver o Ex feliz, com outra pessoa, enquanto você ainda se pergunta sobre o fim, relembra últimas frases procurando explicações. O importante nessas horas não é chorar porque viu a foto do Ex com a atual no jornal, mas sim se preservar. Saber o que realmente é tóxico. O amor que vocês sentiam morreu, não há necessidade de ficar tentando transforma-lo numa amizade, ele sofrerá uma metamorfose ou não. Quando se trata de Ex não viro amiga, não mantenho contato, não ligo no aniversário. Dependendo do fim me reservo ao direito de poder mudar de calçada na rua. É minha maneira de amenizar o sofrimento. Não desejo mal a ninguém, não guardo mágoas, apenas sei que preciso me preservar. Por mais que várias pessoas critiquem e me chamem de infantil, é meu coração que está ferido e não vou jogá-lo aos lobos.

# Carrie acha que é hora de tentar ser amiga de Big, então combina um almoço com ele.

Carrie: – Ok, fale-me sobre a garota.

Big: – Tem certeza?

Carrie: – Claro. Amigos falam sobre seus relacionamentos. Então me conte sobre ela.

Big: – Bem… ela é muito doce…

Carrie: – Ok, é o bastante. Não quero saber mais nada! Talvez pudéssemos fazer um pacto, só vamos falar de nossos namoros quando eles forem sérios.

Big: – Carrie… É sério. Nós estamos noivos. Eu queria ser o primeiro a lhe contar.

Carrie: – Hum… De repente me veio uma dor de cabeça…

Big: – Não sabia como lhe dizer isso. E quando você ligou, pensei…

Carrie: – Noivos??? Como você pode estar noivo? Você odeia compromissos. Aliás, você me disse que nunca se casaria de novo.

Big: – Bem… As coisas mudam…

Carrie: – Você não queria se casar comigo?

Big: – Olha… Natasha e eu…

Carrie: – Não se atreva a mencioná-la! Você brincou comigo por dois anos e agora vai se casar com uma moça de 25 anos depois de cinco meses?

Big: – Não brinquei com você.

Carrie: – Ok… Vou embora… Estou com dor de cabeça.

Big: – Carrie espere… Você não entende…

Carrie: – Entendo sim, vá casar com ela, vá ser feliz e me esqueça.

Algumas vezes, quando terminamos um relacionamento, continuamos com uma ponta de esperança, ou dúvida, que um dia talvez voltaremos e tudo dará certo. Talvez seja culpa dos filmes, talvez seja culpa da eterna crença de que o amor é transformador. As verdades que disfarçamos podem explodir na nossa frente em simples conversas como essa. Carrie é uma perdedora? Não. Não há explicação para a maioria das ações que envolvem o amor, elas podem ser tomadas de forma racional, porém as pessoas são suscetíveis a se apaixonarem por outras, a mudarem de idéia. Talvez ela não precisasse ouvir isso, não tão despreparada, mas há momento bom para saber que seu Ex vai casar quando você ainda sente algo por ele? No fim Carrie faz a pergunta fatal: por que não eu? E a resposta de Big é que ele não sabe, as coisas simplesmente começaram a ficar muito complicadas. Talvez Carrie tenha domado Big para que outra mulher casasse com ele. Talvez Big nunca tenha compreendido o verdadeiro espírito selvagem de Carrie. Nossa natureza racional algumas vezes não nos permite simplesmente seguir em frente, sem ter todas as respostas. Para que perder tempo tentando explicar o inexplicável?

E assim fechamos a segunda temporada. No próximo post, o início da terceira temporada.

#1. O Sexo e a Cidade

#2. Solteira e Fabulosa?

#3. O Amor Sadomasoquista

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

14 comentários sobre “#4 Nosso Amor de Ontem.”

  1. Bom dia Srta. Bia, como vc está? Espero que bem…
    Vou confessar, quanto mais leio seus posts sobre Sex in the city mais e mais eu me sinto um ET – não tenho ex – mas acho que as pessoas merecem ser feliz e se amanhã o mio amore virar ex, vou querer ser amiga dele, como sou hoje e quero vê-lo muito feliz ao lado de alguém que o faça muitooooooooo feliz… Porque viver pra mim é isso, não há passado que atormente o presente…

    Mas então lembrei-me da ex do mio amore que é um porre e até hoje acredita que ele vai voltar pra ela. Estão separados há 12 anos e ela sempre me diz assim “ele é um amante perfeito, mas a nossa relação ainda tem continuação. Eu sei que não acabou, estamos dando um tempo, algo como uma chuva, sabe?”

    Na última vez a melhor amiga dela se irritou e rasgou o verbo “porque não segue em frente, se ele quisesse você não estaria tão feliz assim com outra” e caiu o silêncio na mesa e logo depois começaram os sorrisos sem graça. Isso não parece cena desse seriado? hahahahahahahaha

    Abraços meus

  2. Engraçado ler algo sobre ex. Eu nunca namorei antes – esse que me encontro atualmente é o primeiro -, então não faço a menor idéia do que é ser dumped ou o famoso “it’s over now”.

    Não sei se conseguiria ir adiante sem sofrer um pouquinho. Aliás, acho que todo mundo sofre um pouco, deve ser natural (um relacionamento de anos, por exemplo, faz com que você se acostume com aquela pessoa e, consequentemente, crie uma intimidade “acomodada”).

    Espero não acontecer isso comigo – ninguém espera -, sempre queremos um eterno happy end. Mas se acontecer também, vamos em frente que atrás vem gente.

  3. Ex… como uma vez eu ouvi, “namorada vai e volta, ex é para sempre”. Mesmo que você nunca mais a veja, está lá na sua “ficha cadastral” que você namorou com fulano ou beltrana.

    E o pior é que existem ex e ex; existem casos em que o relacionamento simplesmente acabou, existem casos em que ele foi destruído, existem casos em que os dois quase se destruíram… penso que complica MUITO a existência de uma “maneira universal” de se tratar com ex.

  4. em alguns casos, eu consegui ser uma ex legal. são poucos. um com certeza. mas estou em brasília e ele agora na california, então ajuda. mas mesmo ele no começo era um parto. essa coisa de ver a pessoa, de saber da vida… credo. como assim ele continua vivendo enquanto eu estou aqui me acabando de chorar? vixi.
    bjs.

  5. Bia!
    Eu virei muito amiga do meu ex depois de muito tempo sem nos falarmos (uns 6 meses). Depois parei, pensei, vi que estava sendo uma idiota e voltei a conversar com ele na mesma época que ele começou a namorar com outra menina.
    Hoje eles vão casar, mas eu fiquei amiga dos dois, tanto que ela nem se importou que 60% das fotos do telão tem a minha cara (pelo tempo que fiquei com ele, tem foto minha com a turma, então…).
    Eu fiquei quatro anos com ele e não deu certo, eles estão juntos à um ano e meio e vão casar. Tempo é muito relativo dentro de relacionamentos.
    Tá certo que ele também me convidou para ser madrinha, mas aí já é demais né?! Hahahaha! Brincadeira, só não aceitei porque eu tô pobre prá dar um presente bacana prá eles…
    Assim, ela já veio me falar um monte dele, me pedir conselhos, ele idem, porque gosta dela de verdade e não quer errar como errou comigo e eu acho tudo isso super válido e super fofo, me sinto um “anjo da guarda” do casal, sabe?
    No final das contas, acho que, depois dos noivos, sou a pessoa que mais torce prá esse casamento dar certo!
    Acho que sou a prova viva de que dá prá ser amiga do ex SIM! =D

  6. Menina, agora vou bater ponto aqui; hehe. É engraçado; comigo isso não tem regra não. Ossó:
    namorado 1: eu seria amiga dele numa boa. (Mas se ele vier a se separar; juro que entro na fila e levanto o dedo como candidata; hahaha!)
    namorado 2: somos amigos até hoje; e, se o meu mundo cair eu grito por socorro sem cerimônia. O carinho sobreviveu, a amizade também.
    namorado 3: É o ex-marido número 1. Não somos amigos, mas não somos inimigos. (Eu devia estar de porre quando casei com ele. Como homem seria o último em quem eu pensaria; no entanto, tenho um ódio inexplicável pela criatura).
    namorado 4: não me diz nada; somos completamente antagônicos, e, embora eu não guarde mágoa – não tem NADA a ver comigo e não é amigo por isso mesmo.
    namorado 5: ex-marido 2. Tenho carinho também; etc e tal. Não somos amigos porque ele ficou muito magoado e, bom, é uma pessoa meio chicletenta e eu mantenho distância por questões de vergonha de tê-lo feito sofrer tanto mesmo.
    namorado 6: se passasse na minha frente eu atropelava, na boa. Mas não voltava também, nem por nada nesse mundo.
    É isso. Tomara que o número 7 tenha mais sorte, rsrsrs.

    Bezzos,

  7. Puxa, esse seu post bateu lá no fundinho, revirou aquelas lembranças que guardei embaixo do tapete.
    Engraçado, amor nunca é ex…pelo menos não para o coração.
    Vou assistir esse episódio de novo!
    bjos
    Déh

  8. Acho sim que dá pra ser amigo depois que a relação acaba. É claro que vai depender de como acaba e do que fica depois que acaba.
    Há muita relatividade nisso tudo, né não?

    Bejo bjo =*

  9. “Ex and the City” é meu episódio favorito de SATC e um dos meus favoritos de todos os tempos e seriados! Comprei “The way we were” só por causa dele. 🙂

    Tá muito bacana essa tua série, Srta. Bia!

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