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Uma Feminista com Uma Garrafa de Groselha na Mão.

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A Origem do meu Feminismo.

agosto 31st, 2010 · Marie Claire

Está no ar o 4° Concurso de Blogueiras organizado pela Lola, cujo tema é A Origem do Meu Feminismo.

O meu post concorrente é O Feminismo & Eu. Mas vale muito a pena ler todos os posts concorrentes para dialogarmos com diferentes formas de ver, sentir e vivenciar o feminismo. O movimento é muito amplo e, como observou a Cynthia, há sempre gente nova chegando, especialmente pela internet. Outro dia no twitter, eu reclamava de ser mal tratada por algumas pessoas que diziam que eu não podia ser feminista e ver novela da globo. Denise Arcoverde me alertou para a desunião que parece existir entre as feministas da rede decorrente de alguns preconceitos e intolerâncias: “desculpa, mas é que eu acho que já rola muita estereotipagem das feministas no Twitter, falta mais solidariedade.” Esse concurso com certeza ajudará você a conhecer novos blogs, mas também pode aproximar as feministas, pois as opiniões são diversas e os olhares mostram muitas experiências pessoais. Compartilhá-las é o primeiro passo para conversarmos.

Depois de ler os textos vá até o blog da Lola e vote.

Primeira etapa do concurso (enquete atual)
O feminismo que papai ensinou – Aline, Meus e Outros
Como um machista me transformou em feminista – Amanda, Petit Journal de la Porte Dorée
Aos 21, era muito mais feminista do que sonhava a minha vã filosofia – Clara, Gaveta Virtual
Feminismo, ateísmo e outros “ismos” – Deborah, A Realidade, Maria, é Outra
Sobre a origem do meu feminismo – Ge, O Ângulo Mais Bonito
O começo de tudo – Fernanda, Grito de Fernanda
Feminista graças a Deus (e olha que sou agnóstica) – Laurinha, Mulher Modernex

Segunda etapa do concurso (para a próxima enquete, disponível a partir do dia 14/09)
Mulheres, homens e mais mulheres – Leika, Proseando
Feminista, eu? – Leticia, Chá-Tice
O dia em que me tornei feminista – Lúcia, Memórias
A anti-garota Anglo – Maíra, Como Assim?!
Feminismo, hein? – Nanci, Lúdica e Ácida
Antes que o galo cante – Renata, Agruras e Delícias
Menina pode sim – Rita, Estrada Anil
A origem do meu feminismo – Wonderwoman, Coffeee, Clear Heels and Random Thoughts

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O Feminismo & Eu.

agosto 23rd, 2010 · Marie Claire

Girls can wear jeans
And cut their hair short
Wear shirts and boots
‘Cause it’s OK to be a boy
But for a boy to look like a girl is degrading
‘Cause you think that being a girl is degrading
But secretly you’d love to know what it’s like
Wouldn’t you?
What it feels like for a girl

Fui criada por muitas mulheres. Mãe, avós, tias, todas bem sucedidas, todas com muita liberdade para ir e vir.  Tive liberdade, não fui obrigada a casar e nem ter filhos, pude construir minha vida do jeito que quisesse. Meu único dever para essas mulheres era ser independente. Acabou que cresci um pouco no mundo de Bobby acreditando que todo mundo era feminista, porque: “Oi? Por que alguém não seria feminista? Um movimento fantástico que quer a emancipação feminina?” Além da minha vida extremamente libertária, eu não era uma pessoa politizada, alguém que se interessasse por analisar os problemas sociais e tentar descobrir as nuances dos processos de dominação forjados no nosso dia a dia. Até que em 2003, entrei na faculdade de Pedagogia na UnB, me deparei com Paulo Freire e minha percepção de mundo deu um giro de 180°. Foi aí que realmente enxerguei como a sociedade se estruturava. Eu usufruia de todas as benesses do movimento feminista e não conseguia ver que a empregada da minha tia era desrespeitada numa delegacia onde ia prestar queixa de estupro, que há várias maneiras de ignorar as mulheres, que só a mulher rica tem direito a escolher abortar ou não com procedimentos seguros, que não há muitas mulheres senadoras, deputadas, ministras ou presidentes, que há mulheres que recebem salários menores apenas por serem mulheres, que crimes contra mulheres permanecem impunes.

Porém, eu ainda não sabia que a palavra feminista era um palavrão. Uma designação fuleira da mulher barbada que só sabe reclamar que tudo é sexismo e cospe na cara dos homens. Em 2008 publiquei o post Girl Power! Muito do meu feminismo era estimulado pelas músicas da Madonna, por filmes que focam as mulheres como grandes heroínas de suas próprias vidas, além de personalidades femininas como Frida Kahlo. O mundo sempre teve grandes mulheres, mas elas também sempre foram mal vistas socialmente por causa de suas atitudes. Esse post de 2008 era um momento que eu refletia sobre minha construção pessoal como mulher e descobria que dentre as pessoas que foram responsáveis pela minha trajetória estão mulheres públicas.

Também em 2008, aconteceu o primeiro Luluzinha Camp em que conheci várias mulheres, mas uma foi muito especial, a Cynthia Semiramis, por meio do blog dela conheci várias outras feministas. Foi nessa época que descobri que ser feminista é algo terrível, e me surpreendi mais ainda ao saber que amigas que eu considerava feministas tinham horror a essa palavra. Daí encasquetei e fui estudar para descobrir mais. Perguntei a 15 amigas se elas eram feministas, obtive 10 respostas e nenhuma delas disse ser feminista. A maioria disse que prefere ser feminina, que o feminismo não é mais tão necessário e que sempre que lê a palavra “feminista” pensa em mulheres rasgando sutiãs e querendo ser igual aos homens. E algumas reclamaram que por culpa do feminismo as mulheres hoje carregam muito mais tarefas e responsabilidades do que antes. Parar para pensar que a divisão de tarefas justa entre os sexos nunca aconteceu não parece ser o problema, as feministas lutarem para mulher entrar no mercado de trabalho, sim.

Também me joguei na literatura do movimento: Simone de Beauvoir, Gloria Steinem, Naomi Wolf e outras. Enxergava o feminismo por meio de lentes opacas e sujas que a mídia me passava, mas nunca enxerguei as mulheres feministas por meio de seus clichês, nem nunca achei que me rotular como feminista fosse algo ruim. Sou tão grata a todas as mulheres que lutaram pela liberdade que tenho hoje que não concebo ignorá-las, tratá-las como loucas que só querem pisar nos homens. Em qualquer posição que tomo posso ter direito de mudar de opinião, de errar, até de ser contraditória. E pagarei por isso, pois as pessoas estão sempre prontas a apontar o dedo para nossas contradições.

Ser feminista para mim nunca significou ser igual a um homem. Acho que a sociedade é formada por homens, mulheres, crianças, natureza, cosmos e tantas coisas. Acho também que homens e mulheres têm diferenças biológicas e culturais. Boas e ruins. Adoro ser mimada pelos homens ao meu redor, adoro que não me deixem carregar alguma coisa pesada e não faço a minima idéia de como se troca um pneu, mas nem por isso me considero menos feminista. E quando digo que sou feminista não estou dizendo que luto apenas por salários iguais e pelo fim da violência, mas luto também para que pais não desestimulem sua filha que quer ser engenheira espacial, luto para que a Geyse Arruda não seja expulsa da faculdade por usar vestido curto e para que Tessália possa praticar sua sexualidade embaixo do edredon com liberdade.  E para que uma jovem seja valorizada por seu papel num evento e não por seus atributos físicos. Luto para que todas as mulheres tenham voz numa sociedade que prefere vê-las castas, lutando contra o envelhecimento para não perder o marido ou de costas num outdoor.

Veja bem, é claro que existem pessoas boas e ruins, não vou defender todas as mulheres sempre, mas vou defender a mulher que decide fazer um aborto, a que quer ser prostituta ou a atriz pornô. Mas também vou discutir toda e qualquer situação, vou assistir novela e participar do debate sobre a representação da sociedade. E esse debate precisa incluir todo mundo, homem, mulher, negro, negra, branca, branco, índio, índia, rico, pobre, portadores de necessidades especiais, etc. O meu principal dever como feminista é trazer o debate à tona, é não deixar esquecida a pena por agressão do Dado Dolabella. É propor um debate político sério, pois pela primeira vez temos 2 mulheres candidatas a Presidência da República na mesma eleição. Minha atuação como feminista também é lutar por mais creches públicas e educação de qualidade para formação de um mundo mais igualitário. E também é prestar atenção diariamente nos pequenos preconceitos que mascaram anos de machismo social. É dizer pro meu pai que ele não pode xingar de vagabunda a atriz global que posa na playboy, é dizer pro meu irmão que ele tem que respeitar se a namorada dele não quer trepar com ele naquele dia, é dizer pro meu amigo que ele é tão responsável por uma gravidez indesejada quanto a menina com quem ele trepou, é dizer pra minha amiga que ela não pode continuar num relacionamento em que ela não é respeitada. E no meu caso, também é casar com um homem que me ame, me respeite e entenda o quanto é importante para mim ser feminista.

Há vários motivos para você achar que sou uma feminista de meia-tigela. Gosto de funk, volta e meia caio na risada com as amigas “Por que agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar”.  Uso roupas de mulherzinha, Sex And The City é um dos meus seriados favoritos e gosto de cuidar do meu marido. Apoio o Piriguete Pride e o Trucker Pride. Porque ser feminista para mim não significa ser homem, e também não é o contrário do machismo, significa essencialmente liberdade. Liberdade de cada mulher ser a mulher que quiser, mas consciente de sua representatividade, sempre repensando seu papel, sempre pronta a mudar de opinião, sempre pronta a identificar quando uma situação não lhe faz bem. Não acredite em estereótipos, não vire as costas para a feminista que você considera radical. Aquela mulher que queimou ou não sutiã no passado, protestando por um mundo mais justo é parte de mim hoje.  Está viva em cada escolha que faço. Não preciso ser como ela, não preciso ter as mesmas atitudes, mas não posso negar sua importância, seu significado e sua revolução que ainda não terminou. Porque, como disse a Maria Frô, sexismo emburrece e mata.

Este post já vinha sendo pensado há muito tempo, mas foi feito especialmente para o Concurso de Blogueiras organizado pela Lola.

Outros posts bacanas de mulheres queridas sobre a origem de seu feminismo:

Princesas, Roses, Simones e Malus.

Feminismo, ateísmo e outros “ismos”

Eu, feminista

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A Origem de Nolan.

agosto 13th, 2010 · Marie Claire

Se você ainda não foi assistir A Origem, novo filme do diretor Christopher Nolan, com Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Tom Hardy, Michael Caine, Marion Cotillard e grande elenco. Corra para o cinema. Mesmo que você não goste é um filme acima da média do que temos visto. Vale a pena pagar o ingresso, pois visualmente o filme é soberbo.

A Origem é um dos filmes mais bacanas que já assisti. Uma ficção científica baseada na idéia de que podemos compartilhar sonhos, arquitetar suas estruturas e dentro desses sonhos podemos roubar idéias ou inserí-las. O que torna o filme especial são justamente suas idéias, como a possibilidade de se criar sonhos dentro de sonhos, e o mais importante quando se trata de sonhos, o poder do subconsciente. Nolan traz a realidade para dentro do subconsciente, mas sabe que ali nada é previsível, o subconsciente é como um trem desgovernado pronto para entrar em nossos planos.

Christopher Nolan vem trabalhando com a idéia de realidade versus ilusão, verdade versus mentira durante toda sua carreira como diretor. Seu primeiro sucesso foi Amnésia (2000), em que Guy Pearce contava com a ajuda de Trinity para resolver o assassinato de sua esposa. Porém, o protagonista sofre do efeito Dory, perda de memória curta. Consegue lembrar de eventos passados, mas não do que acabou de acontecer. Essa idéia rende alguns ótimos momentos, como aquele em que Leonard, no meio de uma perseguição, não sabe se está perseguindo alguém ou se é perseguido. Para completar, a história do filme é apresentada de trás para frente. Uma das melhores novidades do cinema no início dos anos 2000. Continua sendo um bom filme.

Depois veio Insônia (2002), em que Al Pacino sofria terrivelmente com o sol da meia-noite no Alasca. Com Hilary Swank meio chatinha e um Robin Williams aterrorizante, Nolan nos levava a pensar sobre nossas verdades e mentiras internas, sobre nossa moral e como nos destruímos pouco a pouco, seja pela falta se sono ou seja por ser quem somos. Um bom filme, especialmente por colocar Williams num papel ao qual não estamos acostumados.

E então veio Batman Begins (2005). Um filme do Batman, um filme para resgatar o herói que foi destroçado por aqueles  carnavais do Joel Schumacher. Um herói sombrio e amargurado que precisa lidar com memórias, realidade e a fantasia criada por uma roupa de homem-morcego. Batman, assim como Leonard e Dormer do filmes anteriores é o herói em busca de redenção e justiça. A seu modo, claro. Um bom filme para reabilitar Batman, um bom filme para nos reapresentar quem nos interessa. E aqui começa a ótima parceria do diretor com Michel Caine.

E por que não um filme sobre mágicos ilusionistas? O Grande Truque (2006), que ficou conhecido como Wolverine x Batman, é um dos melhores filmes de Nolan. Dois mágicos, na Londres urbana do fim do século XIX, disputam para ver quem é o melhor e para resolver os problemas que os transformaram em grandes inimigos. O mais divertido é que Nolan não é o tipo de diretor que esconde tudo, ele nos conta qual é o grande truque, mas o filme traz muito suspense ao longo da trama, que ainda conta com o bônus de ter David Bowie num papel especialíssimo. Aqui mais uma vez temos heróis e anti-heróis tão parecidos que perdem-se dentro de suas ambições. Suas fantásticas produções de ilusões e sonhos procuram surpreender o espectador que está alheio aos bastidores, onde segredos são roubados. Um dos meus preferidos, com certeza.

Agora sim, Batman – The Dark Knight (2008). O Coringa, o melhor vilão ever, o vilão que esfrega na cara do Batman o quanto são parecidos, o quanto dependem um do outro para continuar vivendo, o quanto a realidade de suas vidas se confunde com a ilusão de querer ser o que não se pode ser. E o caos. O caos que pode construir e destruir, o imprevisível que na verdade é tão familiar. Batman é tão maluco quanto o Coringa, compartilhando sonhos, ilusões, farsas. A mente de um precisa do outro para continuar maquinando, o subconsciente que nos leva a duvidar das verdades e da realidade. O Coringa é resultado do próprio Batman, luz e sombra. E quanto mais luz, sempre há mais sombra. Why so serious?

Desde as primeiras notícias sobre A Origem nunca consegui entender exatamente do que se tratava o filme, mas depois de assistí-lo não consegui parar de pensar nas ligações dos filmes de Nolan. Dentro de toda essa construção entre real e ilusório, chegamos ao subconsciente.  Chegamos a curva que une realidade e sonho num mesmo espaço que é palpável, mas não é físico. Nolan vem me dizer que cinema também é sonho com a noção de tempo aumentada e que o sonho é adentrável por estranhos quando compartilhado. Vem me jogar no banco de trás de uma van onde estou cheia de perguntas, mas me entrego ao sonho de chegar cada vez mais fundo dentro da mente, visitar as ruínas de minha falsa existência.  A Origem na verdade é uma grande homenagem a Jung, a suas teorias sobre sonhos, incosciente, subconsciente, prisões psíquicas, loucura, projeções, símbolos e arquétipos. São poucos personagens na trama e cada um deles possui uma função específica com características bem definidas: o arquiteto, o professor, o falsificador, o químico, o detetive, o turista, o extrator, a prisioneira. E com o ótimo elenco é impossível se perder.

Há tantas referências cinematográficas cruzadas que não conseguirei citar todas, mas aqui estão algumas das minhas favoritas:

- A personagem de Ellen Page chama-se Ariadne, que na mitologia grega é a filha do rei Minos que ajuda Teseu a sair do labirinto do Minotauro.

- Leonardo DiCaprio vive em fuga da mesma maneira que seu personagem em Prenda-me se for capaz. Em A Origem há uma cena em que ele encontra Michael Caine e fala que há muita burocracia na extradição entre França e Estados Unidos. Foi justamente na França que seu personagem foi preso por Tom Hanks e extraditado no filme de Spielberg.

- O primeiro grande papel de Marion Cotillard, que inclusive lhe valeu um Oscar, (onde uma de suas concorrentes era Ellen Page), foi o de Edith Piaf, na cinebiografia da cantora. Em A Origem, a música utilizada para despertar é “Je ne regrette rien” na voz de Piaf.

- O nome da personagem de Cotillard é Mal. Nunca sabemos se é um apelido ou não.

- Lukas Haas que começou fazendo sucesso como o garotinho do filme A Testemunha é o primeiro arquiteto do bando em A Origem.

- Nolan dirigiu um filme em 1998 chamado Following em que o único personagem que tem nome chama-se Cobb.

Fora todas as reflexões que o filme traz à tona: Qual o perigo de criar sonhos a partir de nossas lembranças? Como inserir uma idéia na mente de alguém? Por que uma idéia positiva supera uma idéia negativa? Por que buscamos sempre a reconciliação, a catarse? Quanto poder há em uma idéia? Como envolver uma pessoa em mentiras dentro de um sonho? Paradoxo? Até quando é possível prender algo no subconsciente? Até quando posso controlar meu subconsciente?

Agora é esperar a terceira parte da saga de Batman e enquanto isso se divertir com a trilha sonora da vuvuzela. Sempre lembrando que idéias são como vírus resistentes que podem dominar mentes.

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Feira de Links #4

agosto 2nd, 2010 · Marie Claire

1. “Baby, você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina…”

 

Aborto Libre

Aborto Libre y gratuito. Fonte: Flickr, photo by isus

 

2. 1 em cada 5 mulheres já fez aborto no Brasil.

Neste domingo, o Fantástico veiculou uma reportagem denunciando clínicas que realizam abortos em Belém, Salvador e Rio de Janeiro.  A reportagem foca apenas em clínicas que atendem mulheres pobre, debocha da maneira como os funcionários tratam as pacientes e no fim consegue apenas provar a importância da legalização do aborto, num país onde o SUS têm que realizar milhões de procedimentos cirúrgicos decorrentes de abortos malfeitos. Porque ao que parece as mulheres ricas já legalizaram o aborto em clínicas particulares caras. O aborto é uma questão delicada para a imensa maioria das mulheres. Sempre existiu e sempre existirá. Porém, deve ser uma escolha de cada mulher. Por mais que existam métodos anticoncepcionais, algo pode dar errado e uma mulher pode se ver diante de uma situação de gravidez indesejada. E por que ela não pode decidir não ter esse filho? Por que ela não pode escolher realizar um aborto num local limpo e estruturado, com apoio psicológico? Muitas pessoas gritam que se o aborto for legalizado então todas o usarão como método anticoncepcional. Isso não é verdade. Sempre haverá pessoas que usam indiscriminadamente a pílula do dia seguinte ou métodos de interrupção da grvidez, mas com certeza não é a maioria. E outra coisa, as mulheres já fazem muitos abortos no Brasil, mesmo com o ato sendo crime. E você acha que uma mulher que não quer ter um filho é uma criminosa? Como diz a antropóloga na reportagem, a mulher que aborta é uma mulher comum, como qualquer outra, é tia, advogada, mãe, diarista, universitária. E a mulher deve ter direito sobre seu corpo. E se sua religião não aceita, não faça um aborto, mas não venha dizer que você sabe o que é melhor para todo mundo. Cada um sabe de sua vida e de suas escolhas.

3. Aborto no Fantástico: sensacionalismo e superficialidade.

“A responsabilidade por evitar uma gravidez indesejada é integralmente da mulher: é ela quem deve tomar pílulas anticoncepcionais; é ela quem tem dificuldade de negociar com seu parceiro o uso da camisinha; são dela todos os ônus de eventuais falhas de métodos contraceptivos; é dela a vida que mais muda com o nascimento de uma criança, muitas vezes, sem pai. Apenas uma coisa não é dela: o direito de escolher levar a cabo ou não uma gravidez. A matéria também não falou disso.”

4. Aborto: em defesa de qual vida?

“A criminalização do aborto não evita o aborto, mas tão somente obriga a mulher a realizá-lo na clandestinidade. A discussão sobre a descriminalização do aborto não é uma discussão sobre o direito ou não de a gestante abortar, mas sobre o direito ou não de a gestante ter auxílio médico para abortar. Com a descriminalização, os abortos continuarão a ser praticados, tal como hoje o são, mas a mortalidade materna será substancialmente reduzida.”

5. Mulheres que optam por não ter filhos são alvo de pressão social

Porque se a mulher faz um aborto é criminosa, mas se decide não ter filhos é uma pessoa egoísta e sem coração. O papel da mulher na sociedade não pode vir atrelado apenas ao fato de ser mãe. Ter filhos ou não deveria ser uma escolha pessoal de mulheres e de homens. Dessa maneira talvez as pessoas tivessem uma visão melhor das responsabilidades.

6. Escravidão, questão de gênero.

Gulnara Shahinian é relatora da ONU sobre Formas Contemporâneas de Trabalho Escravo  e busca chamar atenção do Conselho de Direitos Humanos para a exploração do trabalho doméstico feminino. Uma atividade que sempre foi vista como um dever da mulher pode muitas vezes acobertar a escravidão. Afinal, se é um serviço que as mulheres devem fazer, por que deveríamos pagar a elas?

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