CFM e o Aborto

O Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgou em 21 de março, uma nota posicionando-se a favor da descrimnalização do aborto feito até a 12º semana de gestação, por decisão da mulher.

Essa é uma posição muito bem-vinda do CFM. E alguns bons textos foram publicados sobre o assunto:

Parte dos argumentos do CFM para justificar sua posição está baseada em uma realidade inegável. Mulheres com mais recursos conseguem se submeter a abortos sem tanto risco, enquanto as mais pobres quase sempre passam pelo procedimento em condições precárias. “Esse é o retrato de uma grande hipocrisia social”, afirmou D’Ávila. De fato, a situação brasileira no que diz respeito ao aborto é dramática. Além de ser causa importante de mortalidade materna, é o terceiro motivo de internações femininas no SUS. Elas são resultantes de sequelas do procedimento. “Há complicações graves que podem deixar a mulher estéril”, diz o economista Marcelo Medeiros, um dos autores da Pesquisa Nacional do Abortamento, estudo que trouxe dados essenciais para dimensionar a extensão do problema no País (leia mais no quadro).

Outro sério problema é o conflito entre as orientações existentes para o atendimento às complicações do aborto provocado e o que acontece no dia a dia dos hospitais. Em 2010, o Ministério da Saúde reeditou uma norma determinando o socorro médico e o oferecimento de serviços de planejamento reprodutivo às mulheres que chegam ao hospital com sintomas como hemorragia.Também dispensa as mulheres de boletins de ocorrência nos casos de gravidez resultante de estupro e diz que os médicos devem seguir as determinações do Conselho Federal de Medicina quanto ao sigilo médico. “O médico não deve denunciar à polícia a paciente que induziu o aborto”, afirma Henrique Batista e Silva, secretário-geral do CFM. No entanto, não é o que sempre acontece. “Há, por exemplo, mulheres que são denunciadas pelos profissionais e acabam parando na polícia”, conta o médico Rosas. Uma pesquisa recentemente publicada pelo Instituto de Estudos da Religião apurou que, apenas no Rio de Janeiro, 334 mulheres foram indiciadas por aborto em um período de cinco anos. “Normalmente, são as mais jovens, desempregadas, negras, com baixa escolaridade, moradoras de áreas periféricas”, explica a advogada Beatriz Galli, uma das autoras do levantamento.

Câmara Ligada e o Politicamente (in)correto

No dia 05 de abril participei — como blogueira convidada — da gravação do programa Câmara Ligada, da Tv Câmara. O tema do dia foi politicamente(in)correto e a proposta era debater sobre humor, outras formas de expressão e a #polêmica envolvendo os livros de Monteiro Lobato.

O programa contou com a participação da Deputada Erika Kokay, que tem ampla atuação na área dos direitos humanos. Sabrina Korgut, atriz, atualmente é a Adenóide do seriado Pé na Cova da Rede Globo. Pedro Arantes, diretor do documentário ‘O Riso dos Outros’. E, a Banda Uó, que animou muito a platéia.

Foi a primeira vez que participei de um programa como esse e infelizmente o debate é bem rápido, não é possível aprofundar muito em 55 minutos. Porém, a iniciativa é ótima, especialmente quando temos a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) em disputa e com várias acusações de racismo e homofobia envolvidas, fora a ameaça ao Estado laico. A discussão entre os participantes e a plateia concentrou-se mais no tema do humor politicamente incorreto e nas críticas ao preconceito.

Você pode ver algumas fotos no meu Instagram e nas redes sociais do Câmara Ligada: Blog, Instagram, Facebook e Twitter.

O programa vai ao ar no dia 12 de abril às 23h, na Tv Câmara, com reprise sábado (13/04) às 16h e domingo(15/04) às 15h e 21:30h, não perca!