Abelardo Antonio da Fonseca é advogado. Tem quase trinta anos e mora confortavelmente em um prédio localizado de frente para o mar. Dentre as coisas feitas e as mal-feitas, consta que nunca assistiu um episódio de Seinfeld por inteiro, e sabe o gosto de sorvete de pistache. Abelardo é um sujeito bem de vida, inteligente e educado. Mas Abelardo tem algo de diferente. Não chega a ser uma aberração nem nada do tipo, é algo até bem simples, Abelardo tem um sexto dedo no pé direito. Olhando de lado, pensa-se até que é um joanete, mas quando fixa-se os olhos, ele está bem ali, ao lado do caçula dos dedos. Ele apareceu um dia, e Abelardo se afeiçoou. Chama-o carinhosamente de Ronnie Von porque ele tem uma unha, pequena, mas tem. E Abelardo acha que ao olhá-la de longe ela parece uma coroa, logo o dedo a mais é seu príncipe. Nunca se casou porque nenhuma mulher ainda o aceitou exatamente como é. Quem amá-lo terá que amar também o seu sexto dedo. E vice-versa.
Meu primeiro livro.
julho 6th, 2010 · Minha Novela
Sempre tive preguiça de participar de memes de blogs, mas esse é tão bonitinho que não resisti. Fui convidada pela Flávia Ladyrasta, que foi convidada pela Flávia Durante, para falar sobre o primeiro livro que li, ou o primeiro que me despertou para a leitura, ou o primeiro livro que me lembro.
Sou péssima de memória, o primeiro livro que me lembro de ter gostado muito era um que falava sobre uma revolta de legumes, no estilo A Revolução dos Bichos, o pepino Pepe liderava um grupo que lutava contra alguma coisa, mas nem vou conseguir lembrar o nome. Porém, lembrei de outro livro que sempre fui encantadíssima: Marcelo, Marmelo, Martelo de Ruth Rocha.

Marcelo, Marmelo, Martelo de Ruth Rocha
Eu devia ter uns 7 anos, acho. Na escola quem terminasse a lição podia ficar lendo livros enquanto os outros terminavam. E muitas vezes fiz a lição correndo, só para poder me deliciar com a história do menino que inventava nomes para as coisas. Marcelo não entendia porque as palavras tinham os nomes que tinham, ele não entendia porque travesseiro se chamava travesseiro, era mais lógico chamar o objeto de cabeceiro. Cadeira era sentador, leite era suco-de-vaca. Ele questionava até porque o nome dele era Marcelo, por que não martelo?
Eu achava o máximo aquele jeito contestador do Marcelo, achava tão divertido ficar pensando nos outros nomes que as coisas poderiam ter. E dessa maneira eu me perdia horas naquela brincadeira de ler. Até hoje dou risada de alguns trechos como:
- Mamãe, por que é que eu me chamo Marcelo?
- Ora Marcelo, foi o nome que eu e seu pai escolhemos.
- E por que é que não escolheram martelo?
- Ah, meu filho, martelo não é nome de gente! É nome de ferramenta…
- Por que é que não escolheram marmelo?
- Porque marmelo é nome de fruta, menino!
- E a fruta não podia chamar Marcelo, e eu chamar marmelo?
E eu tinha essa mania de ficar decorando. Aí eu contava a história do Marcelo pros meus irmãos, pros meus pais. Daí a Mamãe ao invés de me chamar de tagarela me chamava de tarantela, porque eu falava demais e ela entrou na brincadeira.
O livros Marcelo, Marmelo, Martelo é um livro de contos. Há mais 2 contos, um sobre duas meninas muito diferentes, a Gabriela e a Teresinha e outro sobre o Caloca, o dono da bola. Também adorava as outras histórias, mas confesso que meu ídolo mesmo era o Marcelo. E graças as maravilhas da internet, quem quiser conhecer ou matar as saudades, Marcelo, Marmelo, Martelo está disponível aqui.
E quero passar esse meme para algumas Luluzinhas queridas: @LuMonte (porque sei que o primeiro livro dela foi A Gatinha uón), @LisComunello, @tatals e @bete_davis.
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#LuluzinhaCamp 2010
junho 26th, 2010 · Marie Claire

O grupo Luluzinha Camp fará 2 anos este ano. É com grande orgulho que sou membro desde o primeiro evento. É também com muito orgulho que desde novembro de 2008, eu e Lu Monte organizamos o encontro regional de Brasília. No dia 19/06 aconteceu nosso sétimo encontro, no agradabilíssimo Sebinho Café (sim, um Café dentro de um Sebo), onde nosso host Daniel Duende está sempre a postos para ajudar.

É um grande prazer ver diferentes mulheres se encontrando, conversando, rindo e discutindo os mais diversos assuntos. O encontro é feito por todas, tanto na escolha de pautas, até nas ações do dia. Muitas tornaram-se amigas, pessoas extremamente queridas. Novas mulheres chegam a cada encontro, trazendo diferentes olhares, vozes e opiniões. A multiplicidade de pensamentos, crenças, gostos, posições políticas e sorrisos permeiam os encontros e nos mostram cada dia mais a importância de estabelecer diálogos e discussões de maneira educada e esclarecedora. Além dos encontros há ações na internet como blogagens coletivas e buzinaço no twitter.

Atualmente existem encontros do Luluzinha Camp em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Tubarão. Já houveram encontros também no Rio Grande do Sul. Se você quer organizar um grupo em sua cidade entre em contato conosco ou melhor, vá a um dos encontros. Vale a pena, para mim já virou cachaça.
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#prontomudei
junho 23rd, 2010 · Minha Novela
#prontosumi #prontofugicomocirco #prontocasei #prontomudei ou “Oh no, he can’t read my poker face.”
E no meio da confusão da mudança tive que encarar meus 29 anos espalhados pelo quarto que ocupei todo esse tempo no apartamento de mamãe. Tenho diários e agendas desde que tinha 11 anos e ainda não sei o que farei com eles. Tenho uma caixa cheia de cartas, bilhetes e lembranças que contam tudo sobre meu primeiro namoro em 1996. Tantos fragmentos de pessoas que não lembro, outros tantos de pessoas que a vida engoliu, outros tantos de pessoas que sinto falta. Nem os livros serão todos carregados. Nem todos os filmes serão revistos.
Tem uma carta de 2006 do Lipe, com um cartão que diz:
“VIVA COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ.
AME COMO SE NUNCA FOSSE SE MACHUCAR.
TRABALHE COMO SE NÃO PRECISASSE DO DINHEIRO.
E DANCE COMO SE NINGUÉM ESTIVESSE OLHANDO.”
Tem um postal do Mar de 2008, que diz:
“(do nono quintal, achado na pequena livraria do café, perto da ‘banca da creuza’, onde você não estava ontem) Você faz falta por aqui, tal qual a caneta anterior que secou antes do ponto, nessas frases.”
Confesso que a redescoberta tem sido prazerosa e também tensa, pois a vida caminha e infelizmente não posso levar tudo comigo. O tempo com seus passos largos anda me engolindo o cotidiano, me carregando com o vento. É hora de procurar. De esquecer de fazer a unha e tentar encontrar todos os sentidos perdidos, para depois descobrir que eles continuarão apenas fazendo sentido naqueles momentos, naqueles anos, naqueles dias nostálgicos que existiram onde o amor sempre será o elo mais forte, a única explicação para tanta vida. E as certezas de que algumas coisas são eternas, como a Creuza.



